Sexta, 19 de setembro de 2008, 01h43  
Análise de imagens revela longa existência de água em Marte

O planeta Marte abrigou água durante bilhões de anos, mais do que se achava, 
revela a análise de imagens transmitidas pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter 
da Nasa. 
Catherine Weitz, cientista do Instituto de Ciências Planetárias, revela em um 
relatório divulgado hoje pela revista Geophysical Research Letters que essas 
imagens evidenciam processos permanentes de precipitação e fluxos de água. 
Acrescenta que ocorreram durante a "era hesperiana", entre 3 bilhões e 3 
bilhões e 700 milhões de anos, principalmente nas planícies que rodeiam o Valle 
Marineris, um enorme "canyon" que se estende por quase uma quarta parte do 
planeta em torno de sua linha equatorial. 
Até agora muitos estudos afirmavam que os deslizamentos causados pelas 
precipitações pluviais terminaram no primeiro bilhão de anos do planeta. 
No entanto, após estudar as imagens dos depósitos de sedimentos nas planícies, 
a equipe científica liderada por Catherine determinou que houve água nas 
regiões equatoriais durante um tempo muito mais prolongado. 
A existência de água em Marte foi confirmada há três anos pelos veículos 
exploradores da Nasa, "Spirit" e "Opportunity". 
A análise dos tons na cor dos sedimentos começou com as aproximações ao planeta 
da sonda "Mariner" durante a década de 1970. 
Mas, as câmaras da "Mars Reconnaissance Orbiter" são muito mais potentes, 
proporcionam imagens de primeiro plano e captam com grande resolução objetos de 
até um metro de diâmetro. 
Catherine disse que o estudo das imagens revelou que os tons na cor dos 
sedimentos nas planícies é muito diferente ao dos de Valles Marineris. 
"Há muitas variações no brilho, na cor e na erosão que não vemos dentro de 
Valles Marineris", disse. 
"Isto sugere que os processos que criaram os depósitos fora de Valles Marineris 
foram diferentes aos do interior", acrescentou. 
A equipe de cientistas também descobriu que alguns vales do planeta 
provavelmente foram criados pelo fluxo de água em duas áreas de sedimentos de 
cor mais clara, perto de Valles Marineris, diz o relatório. 
"Estes tons mais claros nas planícies estão vinculados a uma atividade fluvial 
que não ocorreu em pequenos setores ou durante períodos breves, mas em uma 
escala muito maior e durante um lapso muito prolongado", disse Catherine. 

EFE 
 
Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI3194444-EI301,00.html




Mauro de Rezende 
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