Google lança 'Office' on-line para mercado corporativo
O Google Inc. começou a vender ontem para o mercado norte-americano um
pacote de aplicativos na Internet que concorre com a suíte Office da
Microsoft. A anuidade do serviço, intitulado Apps Premier Edition, custará
US$ 50 por usuário e já está sendo testado por grandes empresas, como a
General Electric e a Procter & Gamble.
A disputa por aplicativos que aumentam a produtividade de empresas também
está no Brasil. A versão profissional do pacote de ferramentas Aprex foi
lançada comercialmente há um mês pela produtora brasileira Zero Um e visa o
mercado de pequenas e médias empresas.
Segundo Jim Murphy, analista da AMR Research, a troca do MS-Office por
plataformas baseadas na rede dificilmente ocorrerá no curto prazo. No
entanto, ele afirma que o lançamento da Google é um sinal que não deve ser
ignorado. "É a estréia do que provavelmente virá a ser a alternativa mais
viável ao Microsoft Office", declarou à agência de notícias Bloomberg. O
serviço do Google inclui processador de textos, planilha, e-mail, agenda e
funções personalizadas de acordo com as necessidades dos clientes.
A empresa mantém a versão gratuita com a venda de publicidade dentro dos
aplicativos. A versão paga, além de ser livre de anúncios, garante ao
usuário mais espaço de armazenagem para e-mails e documentos, além de
fornecer maior confiabilidade e regularidade no serviço.
Mercado corporativo
Dave Girouard, diretor-geral da divisão corporativa do Google, disse à
Bloomberg que, durante os próximos quatro a seis anos, os novo produtos tem
potencial de se tornarem um grande setor de operações da companhia.
Atualmente, a primeira versão do software empresarial somada à venda de
computadores para pesquisa de arquivos em redes corporativas gera cerca de
1% da receita total da companhia: US$ 112,3 milhões de um total de US$ 10,6
bilhões.
A iniciativa do Google de desbancar a suíte MS- Office deve ser motivo de
preocupações para a gigante de Redmond.
O pacote de aplicativos foi a segunda maior área operacional da Microsoft no
último ano fiscal.
Solução brasileira
No Brasil, o serviço Aprex foi lançado há seis meses em versão beta, com um
conjunto de ferramentas semelhantes ao Google Apps, mas direcionada ao
mercado de pequenas e médias empresas (SMB). No total, o serviço já conta
com 10 mil usuários cadastrados. Há cerca de um mês, a Zero Um, produtora
digital por trás da marca Aprex, lançou as contas profissionais.
A idéia dos sócios diretores Edson Romão e Guilherme Coelho é fornecer
aplicativos que auxiliam na organização e na produtividade das empresas, dos
grupos de trabalho, de profissionais liberais e de universidades. Todos os
aplicativos permitem o uso compartilhado entre o usuário da conta, seus
colegas e também clientes. Foram investidos cerca de US$ 500 mil deste o
início do desenvolvimento do projeto, em 2004.
O pacote de ferramentas traz calendário, lista de contatos, tarefas, disco
virtual, bloco de notas, blog, gerador de enquetes, acesso via celular,
apresentações e e-mail marketing. A conta gratuita, assim como no Google
Apps, tem algumas limitações quando comparada aos serviços pagos.
" Vemos com tranqüilidade a disputa, mesmo tendo o Google e a Microsoft
concorrendo. Temos a capacidade de entender a Internet brasileira muito
profundamente", afirma Romão.
O executivo fala com a experiência de já ter enfrentando companhias
estrangeiras de porte considerável. Na época em que era sócio do hpG,
concorreu - e saiu vitorioso na disputa - com o Geocities pelo mercado
brasileiro de hospedagem gratuita. "Fizemos um produto para o mercado
brasileiro, entendendo a economia, a força de trabalho, e a cultura do
brasileiro. Vai haver um bom espaço para o Aprex."
Na terceira semana de março começará o trabalho de divulgação, baseado em
contatos com a imprensa e sem grandes investimentos, os quais estão
concentrados no desenvolvimento dos produtos. É extensa a lista de
funcionalidades novas nos planos da companhia e a próxima a ser inaugurada
deve ser um construtor de websites.
" Assim como no caso do hpG, a divulgação mesmo vai ser viral, porque este
conceito de escritório on-line já pegou no mundo todo e vai pegar no Brasil",
conclui Romão.
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