Ontem estive pela 3ra vez na reunião da ABNT para a decisão sobre o padrão OOXML, na qualidade de diretor da BrOffice.org e representando a AL-MG e a FAMEG. Muitos blogs e sites de notícias já reportaram o andamento da reunião minuto a minuto, quase que num papel de fiscal...

Entretanto vou focar no que pra mim realmente interessa sobre esta reunião e por que a ABNT deve levar o voto certo, expresso pela maioria dos presentes. Vamos ao resumo:

Um grupo tecnico (GT) composto por tecnicos da Microsoft, da ODF, do Serpro, da UNESP e de outros, analisou ao longo de 5 meses em reuniões quase semanais, as 6000 páginas da norma em tempo recorde e relevou mais de 250 questões sobre a norma. Após esclarecimentos técnicos, sobraram 63 itens dos quais 61 obtiveram consenso (técnico). 2 itens ficaram para serem analisados e debatidos pela reunião dos demais interessados se seriam relevantes/impeditivos para a norma. Os dois pontos são realmente tecnicamente críticos.

Os presentes concordaram em dois pontos fundamentais do processo: O primeiro é que o trabalho feito pelo GT é valido e isento, e foi elogiado por vastíssima maioria, senão por unanimidade. O segundo, é que a ABNT será a legítima portadora do voto do Brasil na ISO. Isso por que, no calor dos debates, aventaram-se rumores de descredito e falta de idoneidade da instituição, rumores que são bem característicos da verve dos antagônicos nos processos democráticos.

Legitimada pela audiência, ponderou-se o processo de voto na ISO:

   * Uma abstenção seria muito negativa para o Brasil, pois indicaria
     que não damos importância ao assunto, e isso também tornaria letra
     morta o extenso e criterioso trabalho do GT. Além disto é
     sentimento da ABNT, de que não deseja “traduzir normas” entendido
     ai que a ABNT teria um papel secundário de mero tradutor de normas
     alienígenas.
   *

     O voto sim, poderia carrear os comentários e dúvidas do GT,
     valorizando o trabalho do GT. Todavia, a fica a critério da ISO
     considerar ou não os comentários agregados ao voto sim,
     significando um risco que o trabalho do GT seja “jogado no lixo”.

   *

     O voto não, obrigaria a ISO a analisar e responder aos
     questionamentos do nosso GT, especialmente os 2 pontos técnicos
     que sobraram. Isto valoriza o trabalho do GT, impediria que a ABNT
     seja mera tradutora de normas alienígenas, e remeteria à ISO a
     obrigação de responder aos questionamentos do Brasil.

Qual então seria o seu voto pessoal?

P.S.

Os dois pontos técnicos, em resumo (e com forte possiblidade de inexatidão):

1) A norma cita na introdução, o objetivo de garantir compatibilidade com o legado Word, Excel e Powerpoint, mas não indica no texto como o desenvolvedor pode implementar esta compitibilidade, já que não está explícito o mapeamento dos binários dos formatos doc, xls, etc...

2) A norma indica que é possivel encapsular dados binarios no formato OOXML, sem todavia especificar informações sobre o conteudo. Um arquivo OOXML poderia ser então um envelope de dados binarios, e o desenvovedor não teria meios de identificar o conteudo dos dados binario inseridos no arquivo.


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