Wallace Sousa escreveu:
> será q não é possível o mesmo no BrOo?
> 
> 30/08/07 17:38
> 
> A SRF e o Office
> 
> 
> Enviado por Luiz Orlando
> 
> Nassif,
> 
> Eu sou Auditor Fiscal da Receita Federal e trabalho com julgamento de 
> processos fiscais há 9 anos. 
> 
> Até 2005, os usuários da SRF usavam o Word como 99% dos usuários: uma máquina 
> de escrever que permite apagar os erros, copiar e colar, destacar em negrito 
> e itálico, correção gramatical e recuo de parágrafos. Até então, o Open 
> Office poderia substituir perfeitamente o Word e Excel .
> 
> Em janeiro de 2006 a Receita Federal implantou em todas as Delegacias de 
> Julgamento um software que eu desenvolvi dentro do Word que mudou 
> radicalmente essa situação. Vou pegar um exemplo simples, você sabe porque 
> escreve livros e é um usuário avançado de Word: usando apenas uma das 
> ferramentas do Word, os " estilos", toda a estratégia de máquina de escrever 
> torna-se incrivelmente obsoleta e abre-se uma gama de novas perspectivas em 
> documentos longos tais como formatação instantânea e padronizada com teclas 
> de atalho para estilos, numeração de títulos em vários níveis, índices 
> analíticos e remissivos automáticos, hiperlinks para textos dentro do 
> documento, gerenciamento do documento em modo de estrutura, reorganizando 
> capítulos, alterando a ordem e mudando os níveis de tópicos. Isto apenas por 
> que? Basicamente porque você identificou os parágrafos. Deu nome a eles (os 
> estilos). 
> 
> Mas tudo isto ainda é uma pequena fração do potencial do Word. Hoje qualquer 
> julgador da Receita Federal usa 90% do potencial do Word.
> 
> Modifiquei ferramentas avançadas do Word (estilos, autotextos, campos de 
> preenchimento, campos de mesclagem, controle de alterações) e criei novas 
> ferramentas para facilitar e automatizar o trabalho de julgamento. 
> 
> Após a análise de um processo o julgador identifica ali os temas impugnados 
> e, na maioria dos casos, ele ou algum outro colega já tem autotextos prontos 
> para boa parte dos assuntos tratados. Não precisa reinventar a roda cada vez 
> que alguém faz uma alegação já conhecida. Isto é o dia a dia. 
> 
> Então quando o julgador coloca o cursor na seção de ementa ele tem à 
> disposição um banco de ementas. Com apenas um clique ele insere cada ementa. 
> Para cada ementa desta ele tem longos textos de voto, com citações legais, de 
> jurisprudência, tabelas, figuras. Quando ele coloca o cursor na seção de voto 
> aparece somente o banco de textos de voto. Assim também acontece na seção de 
> relatório e no acórdão propriamente dito. Este textos carregam campos 
> automáticos de preenchimento para os dados variáveis que estão dentro de um 
> autotexto (por exemplo, período inicial de decadência, fls. da impugnação, 
> valor do crédito tributário) que aparecem em pop up cada vez que ele insere 
> um autotexto. Estes campos dão flexibilidade a estes blocos de texto, 
> permitindo que eles se liguem a outros, variando seus encaixes conforme a 
> situação.
> 
> Ele tem total liberdade de fazer um acórdão da maneira que quiser. 
> Reaproveitando textos ele monta um acórdão em minutos, escrevendo só aquilo 
> que for novo e diferente. 
> 
> Usando recursos de programação, cada parágrafo é identificado. Assim, o 
> sistema sabe separar assunto, períodos, ementas e etc. Uma rotina de 
> validação checa toda a consistência do documento, de datas de fatos geradores 
> a CNPJ, de ementa a declarações de voto e etc. 
> 
> Neste Word modificado, quando ele salva o documento, ele tem muito mais do 
> que um documento de texto: ele criou um documento estruturado, com dados 
> consistentes e inteiramente validados que, no momento em que sai para ciência 
> do contribuinte é também inserido num banco de dados nacional via Web 
> (intranet). As decisões da Receita Federal e os autotextos são compartilhados 
> nacionalmente, com mecanismos precisos de consulta, estruturados, permitindo 
> que um julgador de São Paulo enxergue decisões de Belém a Porto Alegre para 
> saber como os colegas se posicionaram sobre um determinado assunto. Ele então 
> pode aproveitar o texto com apenas um clique. 
> 
> Criei um gerenciador de autotextos em que o usuário cria, modifica, importa e 
> exporta seus autotextos e compartilha com outros usuários de uma forma tão 
> simples que nem a Microsoft imaginou. A formatação de estilos é instantânea, 
> feita com teclas de atalho ou botões na barra de ferramentas. 
> 
> Mas o mais interessante acontece quando temos, digamos, 500 processos 
> semelhantes, originados do mesmo advogado ou com alegações parecidas. Ai 
> então o sistema mostra todo o seu potencial: modifiquei o mecanismo de mala 
> direta para criar documentos estruturados e validados para cada processo 
> julgado. É julgamento real em lote. 
> 
> Ligando-se em uma planilha Excel fornecida por um extrator de dados do 
> sistema da Receita, já preenchida com todos os dados de cada processo (Nome 
> do Contribuinte, CNPJ, valor do crédito e etc.) e mais as variáveis criadas 
> pelo julgador, o aplicativo gera no Word, a partir do modelo criado pelo 
> julgador, centenas de decisões em processos tributários em alguns poucos 
> segundos. O que demoraria meses em tarefas repetitivas são comprimidos em 
> alguns segundos. Ele não gera documentos idênticos. Ele gera documentos que 
> variam textos de ementa, relatório e voto, porque na planilha o julgador 
> coloca variáveis de autotexto, adequando-se a cada processo (por exemplo, uns 
> alegam uma preliminar e outros não). 
> 
> O impacto de produtividade foi tão grande que na semana seguinte ao 
> treinamento um julgador produziu sozinho, em uma semana, mais do que a turma 
> de julgamento dele inteira havia produzido no ano anterior. Imagine o que 
> essa celeridade no julgamento significa em bilhões de reais de crédito 
> tributário para a União que demoraria décadas até chegar em dívida ativa e, 
> quando chegasse, não seria mais cobrável, porque a empresa não existe mais ou 
> porque seus sócios já dilapidaram o patrimônio da empresa. 
> 
> A acolhida pelos julgadores foi tão expressiva que o sistema foi estendido e 
> implantado para todas as decisões da SRF, em todas as instâncias, desde os 
> despachos decisórios de DRF até as Soluções de Consulta e já está em fase 
> final de implantação no Conselho de Contribuintes. 
> 
> Tudo é transparente para o usuário e feito sem procedimentos rígidos ou 
> seqüenciais. Com este aplicativo, qualquer usuário com conhecimentos básicos 
> de computador usa 90% do potencial do Word. 
> 
> Foi como sair de uma carroça e entrar em um avião a jato. 
> 
> Eu tentei criar isto no brOffice, mas era impossível na época. O brOffice 
> tinha boas ferramentas, mas ainda muito rudimentares. Trata-se de trabalho 
> intelectual acumulado. Eu teria que reinventar a roda e fazer sozinho o 
> trabalho que centenas de programadores ultra-especializados da Microsoft 
> fizeram em mais de uma década. 
> 
> As licenças já existiam; o Word e o Excel são muito bem construídos. Então 
> bastava eu modificar as ferramentas existentes e criar algumas novas. Em 5 
> meses eu criei o programa e ele foi instalado no Brasil inteiro no início de 
> 2006. A outra alternativa, trabalhar com o software livre demandaria sabe-se 
> lá quantos anos. Eu teria que partir do zero para criar boa parte dessas 
> ferramentas. 
> 
> Eu pretendo desenvolver isso no brOffice, que já deve estar consideravelmente 
> mais aprimorado, mas isto levará tempo e treinamento.
> 
> Então, o caso da substituição do MS Office pelo software livre não é tão 
> simples como se supõe. O presidente da Associação de Software Livre disse: " 
> ... a questão dos aplicativos legados é de fácil solução. Basta o Serpro 
> fazer alterações nos sistemas que a solução está resolvida." Então tá!
> 
> O porquê daquela quantidade de licenças e o valor em discussão eu não tenho 
> elementos para opinar. A fusão com a previdência trouxe uns 4 mil novos 
> fiscais para a Receita, fora os milhares de técnicos. Não sei sinceramente 
> quantos computadores tem a Receita. De qualquer forma, as licenças existentes 
> estão funcionando bem. Se fosse apenas complementá-las e realocar as 
> existentes seria uma alternativa bem menos onerosa e talvez uma boa solução. 
> Também não são todos os computadores que precisam do Office. 
> 
> Abraços,
> 
> Luis Orlando
> 
>  
> 
> P.S. Sabe o que eu ganhei com esse aplicativo? Nada mais do que meu salário 
> normal e uma satisfação profissional de ter feito um bom trabalho. Para dar 
> treinamentos tive que ir para Brasília algumas vezes, ganhando diárias de 120 
> reais para pagar hotel, almoço, janta e táxi. O moquifo mais barato em 
> Brasília custa R$90 por dia. A Receita não paga hora/aula para seus 
> funcionários. 
> 
> 
> 
> enviada por Luis Nassif
Lembro que PDF do tal edital foi feito no OOo 1.1.4.
Duvido que tenham tentado no 2.0 em diante. A diferença é abissal.

-- 
Marco de Freitas,
NBR para a Internet já! Porque meu navegador não é penico.

http://www.softwarelivre.org/news/2472
http://www.w3.org/2003/03/Translations/byLanguage?language=pt-br

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