Para engrossar o coro repasso abaixo e-mail da ABCIBER (Associação Brasileira 
de Cibercultura) que é formada por professores doutores da área. O texto bem 
escrito é esclarecedor e pode ajudar a divulgar e posicionar melhor o público 
em relação à esse projeto de lei que em breve entrará em votação. 

Segue também aqui um abaixo-assinado pedindo o veto ao projeto de lei 
substitutiva:

http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html


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ABCIBER
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM CIBERCULTURA
 



NOTA PÚBLICA






A ABCIBER - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM CIBERCULTURA, preocupada 
com o teor do Projeto de Lei Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo, que 
conjuga o PLC n. 89, de 2003, e os PLSs n. 76 e 137, ambos de 2000, e que 
tramita no Senado Federal para votação em breve, faz saber à sociedade 
brasileira e, em particular, às autoridades constituídas e à comunidade 
científica nacional o seu INTEGRAL APOIO, na forma da presente NOTA PÚBLICA, 
à carta-aberta de autoria dos Profs. Drs. André Lemos (UFBA) e Sérgio Amadeu 
da Silveira (Cásper Líbero), membros do Conselho Científico Deliberativo 
desta Associação, conforme segue:




EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO 

NA INTERNET BRASILEIRA




A Internet ampliou de forma inédita a comunicação humana, permitindo um avanço 
planetário na maneira de produzir, distribuir e consumir conhecimento, seja 
ele escrito, imagético ou sonoro. Construída colaborativamente, a rede é uma 
das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do 
século XX. Descentralizada, a Internet baseia-se na interatividade e na 
possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de 
informação, como impera ainda na era das mídias de massa. Na Internet, a 
liberdade de criação de conteúdos alimenta, e é alimentada, pela liberdade de 
criação de novos formatos midiáticos, de novos programas, de novas 
tecnologias, de novas redes sociais. A liberdade é a base da criação do 
conhecimento. E ela está na base do desenvolvimento e da sobrevivência da 
Internet.
A Internet é uma rede de redes, sempre em construção e coletiva. Ela é o palco 
de uma nova cultura humanista que coloca, pela primeira vez, a humanidade 
perante ela mesma ao oferecer oportunidades reais de comunicação entre os 
povos. E não falamos do futuro. Estamos falando do presente. Uma realidade 
com desigualdades regionais, mas planetária em seu crescimento. 
O uso dos computadores e das redes são hoje incontornáveis, oferecendo 
oportunidades de trabalho, de educação e de lazer a milhares de brasileiros. 
Vejam o impacto das redes sociais, dos softwares livres, do e-mail, da Web, 
dos fóruns de discussão, dos telefones celulares cada vez mais integrados à 
Internet. O que vemos na rede é, efetivamente, troca, colaboração, 
sociabilidade, produção de informação, ebulição cultural. A Internet 
requalificou as práticas colaborativas, reunificou as artes e as ciências, 
superando uma divisão erguida no mundo mecânico da era industrial. A Internet 
representa, ainda que sempre em potência, a mais nova expressão da liberdade 
humana. 
E nós brasileiros sabemos muito bem disso. A Internet oferece uma oportunidade 
ímpar a países periféricos e emergentes na nova sociedade da informação. 
Mesmo com todas as desigualdades sociais, nós, brasileiros, somo usuários 
criativos e expressivos na rede. Basta ver os números (IBOPE/NetRatikng): 
somos mais de 22 milhões de usuários, em crescimento a cada mês; somos os 
usuários que mais ficam on-line no mundo: mais de 22h em média por mês. E 
notem que as categorias que mais crescem são, justamente,  "Educação e 
Carreira", ou seja, acesso a sites educacionais e profissionais. Devemos 
assim, estimular o uso e a democratização da Internet no Brasil. Necessitamos 
fazer crescer a rede, e não travá-la. Precisamos dar acesso a todos os 
brasileiros e estimulá-los a produzir conhecimento, cultura, e com isso poder 
melhorar suas condições de existência.  
Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e 
atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral. O 
Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, 
quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir 
que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus 
usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, 
do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do 
Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, 
de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão 
consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto 
é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, 
além de instaurar o medo e a vigilância. 
Se, como diz o projeto de lei, é crime "obter ou transferir dado ou informação 
disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema 
informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do 
legítimo titular, quando exigida", não podemos mais fazer nada na rede. O 
simples ato de acessar um site já seria um crime por "cópia sem pedir 
autorização" na memória "viva" (RAM) temporária do computador. Deveríamos 
considerar todos os browsers ilegais por criarem caches de páginas sem pedir 
autorização, e sem mesmo avisar aos mais comuns dos usuários que eles estão 
copiando. Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação 
on-line em um blog também seria crime. O projeto, se aprovado, colocaria a 
prática do "blogging" na ilegalidade, bem como as máquinas de busca, já que 
elas copiam trechos de sites e blogs sem pedir autorização de ninguém! 
Se formos aplicar uma lei como essa às universidades, teríamos que considerar 
a ciência como uma atividade criminosa, já que ela progride ao "transferir 
dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de 
comunicação ou sistema informatizado", "sem pedir a autorização dos 
autores"  (citamos, mas não pedimos autorização aos autores para citá-los). 
Se levarmos o projeto de lei a sério, devemos nos perguntar como poderíamos 
pensar, criar e difundir conhecimento sem sermos criminosos. 
O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. Todo conhecimento 
se produz coletivamente: estimulado pelos livros que lemos, pelas palestras 
que assistimos, pelas idéias que nos foram dadas por nossos professores e 
amigos... Como podemos criar algo que não tenha, de uma forma ou de outra, 
surgido ou sido transferido por algum "dispositivo de comunicação ou sistema 
informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do 
legítimo titular"? 
Defendemos a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável. Não 
defendemos o plágio, a cópia indevida ou o roubo de obras. Defendemos a 
necessidade de garantir a liberdade de troca, o crescimento da criatividade e 
a expansão do conhecimento no Brasil. Experiências com Software Livres e 
Creative Commons já demonstraram que isso é possível. Devemos estimular a 
colaboração e enriquecimento cultural, não o plágio, o roubo e a cópia 
improdutiva e estagnante. E a Internet é um importante instrumento nesse 
sentido. Mas esse projeto coloca tudo no mesmo saco. Uso criativo, com 
respeito ao outro, passa, na Internet, a ser considerado crime. Projetos como 
esses prestam um desserviço à sociedade e à cultura brasileiras, travam o 
desenvolvimento humano e colocam o país definitivamente para debaixo do 
tapete da história da sociedade da informação no século XXI.  
Por estas razões, nós, abaixo assinados, pesquisadores e professores 
universitários, apelamos aos congressistas brasileiros que rejeitem o projeto 
Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo ao projeto de Lei da Câmara n. 
89/2003, e Projetos de Lei do Senado n. 137/2000 e n. 76/2000, pois atenta 
contra a liberdade, a criatividade, a privacidade e a disseminação de 
conhecimento na Internet brasileira.



São Paulo, 07 de julho de 2007.




ABCIBER - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM CIBERCULTURA






DIRETORIA
[Gestão 2007-2009]



Presidência
Eugênio Trivinho (PUC-SP)



Vice-Presidência
Theóphilos Rifiotis (UFSC) 



Secretaria Executiva
Henrique Antoun (UFRJ) 



Secretaria de Finanças
Alex Primo (UFRGS) 



Diretoria Científica
Vinicius Andrade Pereira (UERJ) 



Diretoria de Comunicação
Fernanda Bruno (UFRJ) 



Diretoria Cultural
Simone Pereira de Sá (UFF) 



Diretoria Editorial
Marcos Palacios (UFBA) 



Conselho Fiscal
Francisco Rüdiger (PUC/RS)

Gilbertto Prado (USP) 
Marco Silva (UERJ e UNESA)




CONSELHO CIENTÍFICO DELIBERATIVO (CCD)
[Gestão 2007-2009]


Adriana Amaral (UTP)
André Lemos (UFBA)
Diana Domingues (UCS)
Erick Felinto de Oliveira (UERJ) 
Fátima Régis (UERJ) 
Francisco Coelho dos Santos (UFMG) 
Francisco Menezes Martins (UTP) 
Gisela Castro (ESPM) 
Juremir Machado da Silva (PUC/RS) 
Lucia Santaella (PUC-SP) 
Lucrécia D´Alessio Ferrara (PUC-SP) 
Luisa Paraguai Donati (UNISO)
Othon Jambeiro (UFBA) 
Rogério da Costa (PUC-SP) 
Rosa Maria Leite Ribeiro Pedro (UFRJ) 
Sandra Portella Montardo (FEEVALE) 
Sebastião Squirra (UMESP) 
Sérgio Amadeu da Silveira (Cásper Líbero)
Sueli Mara Ferreira (USP)
Suely Fragoso (Unisinos)
Yara Rondon Guasque Araujo (UDESC)

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