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   *Freakonomics
*A partir desta edição do "Eu&Fim de Semana", Steven D. Levitt e Stephen J.
Dubner, autores de um dos mais comentados best-sellers dos últimos anos no
mundo, discutirão, em uma coluna mensal, as mais inusitadas questões sobre
como a economia pode ajud

Por que, afinal, devemos votar?
| Valor Econômico - 18/11/2005 - edicão nº 1389

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    Corre nos departamentos de economia, em certas universidades, uma
história famosa, mas provavelmente apócrifa, sobre dois importantes
economistas que se encontram numa fila para votar.

- O que você está fazendo aqui?, pergunta um deles.

- Minha mulher me obrigou a vir, diz o outro.

O primeiro economista confirma com um aceno de cabeça:

- A mesma coisa aconteceu comigo.

Após um momento de mútuo embaraço, um deles propõe:

- Se você prometer que nunca contará a ninguém que me viu aqui, eu nunca
contarei a ninguém que o vi aqui.

Cada um deles vai à cabine de votação, despedem-se com um aperto de mãos e
vão-se embora rapidamente.

Por que um economista ficaria embaraçado ao ser visto numa fila para votar?
Porque votar cobra um preço - em tempo, esforço, produtividade perdida - sem
qualquer recompensa perceptível, exceto, talvez, uma vaga sensação do
cumprimento de um "dever cívico". Como escreveu a economista Patricia Funk
em recente texto acadêmico, "um indivíduo racional deveria abster-se de
votar".

A probabilidade de que seu voto afete o resultado de uma disputa eleitoral é
muito, muito, muito pequena. Isso foi documentado pelos economistas Casey
Mulligan e Charles Hunter, que analisaram mais de 56 mil eleições americanas
para os legislativos estaduais e para o Congresso realizadas desde 1898.

A despeito da intensa cobertura, na mídia, de eleições apertadas, na
realidade esses casos são extremamente raros. A margem de vitória mediana em
eleições para o Congresso foi 22%; em eleições para os legislativos
estaduais, a mediana foi 25%. Mesmo nas disputas eleitorais mais apertadas,
quase nunca ocorre que um voto individual seja decisivo.

Entre as mais de 40 mil eleições para legislativos estaduais analisadas por
Mulligan e Hunter, envolvendo quase 1 bilhão de votos, apenas sete foram
decididas por um único voto, e duas terminaram com empates. Entre as mais de
16 mil eleições para o Congresso, nas quais votou um número muito maior de
pessoas, apenas uma eleição nos últimos cem anos - uma disputa em Buffalo,
Nova York, em 1910 - foi decidida por um único voto.

Mas há um aspecto mais importante: quanto mais apertada for uma eleição, é
mais provável que seu resultado será tirado das mãos do eleitorado - de que
é exemplo extremamente vívido a disputa presidencial americana em 2000. É
verdade que o resultado daquela eleição ficou nas mãos de um pequeno número
de eleitores; mas os nomes deles eram Kennedy, O'Connor, Rehnquist, Scalia e
Thomas. E seus votos relevantes foram apenas os que pronunciaram enquanto
trajavam suas togas, e não o que podem ter depositados nas urnas de seus
respectivos distritos eleitorais.

Apesar disso, as pessoas continuam a votar - e aos milhões. Por quê? Aqui
vão três possibilidades:

Talvez simplesmente não sejamos muito inteligentes, e por isso acreditamos,
erroneamente, que nossos votos afetarão o resultado.

Talvez votemos com o mesmo espírito com que compramos bilhetes de loteria

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