Amigos da lista,
Há um site nos Estados Unidos chamado Project Censored, que traz todas
as reportagens que não sairam na grande mídia americana. Dentre as 25
mais, existe uma que achei nem interessante, que traduzo aqui:
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Mais um ano de cobertura eleitoral distorcida
Fonte: In These Times, 02/15/05
Título: “A Corrupted Election”
Autores: Steve Freeman e Josh Mitteldorf
Seattle Post-Intelligencer, 26 de Janeiro de 2005
Título: “Jim Crow Returns To The Voting Booth “ (“Jim Crow Volta à Cabine Eleitoral”)
Autores: Greg Palast, Rev. Jesse Jackson
www.freepress.org, Nov. 23, 2004
Título: “How a Republican Election Supervisor Manipulated the 2004 Central Ohio Vote” (“Como um Supervisor Eleitoral do Partido Republicano Manipulou as Eleições de 2004 na Região Central de Ohio”)
Autores: Bob Fitrakis, Harvey Wasserman
Avaliadora da Faculdade: Ann Neel, MA
Estudante Pesquisador: Mike Osipoff
Faz muito tempo que os analistas políticos consideram as pesquisas de opinião uma previsão segura do resultado de uma eleição. A discrepância inusitada entre as pesquisas de opinião e os resultados da contagem de votos nas eleições de 2004 desafia esta confiabilidade. Entretanto, apesar das evidências de vulnerabilidade tecnológicas nos sistemas de votação e de uma maior incidência de irregularidades em estados onde houve uma inversão de resultados, a discrepância não foi pesquisada pela mídia. Eles simplesmente repetiram as declarações partidárias de “uvas verdes” e “vamos em frente” ao invés de fazer uma análise detalhada de uma eleição altamente controversa.
A contagem oficial de votos da eleição de 2004 mostrou que George W. Bush ganhou por três milhões de votos. Mas as pesquisas de opinião projetavam a vitória de John Kerry por uma margem de cinco milhões de votos. Esta discrepância de oito milhões de votos é muito maior que a margem de erro. A margem total de erro sempre esteve estatisticamente abaixo de um por cento. Mas o resultado oficial desviou das projeções das pesquisas por mais de cinco porcento – uma impossibilidade estatística.
A Edison Media Research e a Mitofsky International, as duas empresas contratadas pela Nation Election Pool (um consórcio das cinco maiores empresas de comunicação mais a Associated Press) para fazer o levantamento, não forneceram imediatamente uma explicação de como isto pode ter ocorrido. Eles aguardaram até 19 de janeiro, a véspera da posse.
O relatório “inaugural” de Edison e Mitofsky, “Avaliação do Sistema Eleitoral de 2004”, estabeleceu que a discrepância era “muito provavelmente devida à maior participação dos eleitores de Kerry nas pesquisas de opinião do que os eleitores de Bush”. A mídia informou que este relatório comprovava a precisão da contagem oficial e a vitória de Bush. O corpo do relatório, entretanto, não apresenta dados que evidenciem esta posição. Na realidade, ele mostra que os eleitores de Bush preenchiam mais formulários do que os eleitores de Kerry. O relatório também mostra que a diferença entre as pesquisas de opinião e as contagens oficiais era grande demais para ser atribuída a erros de amostragem, e que um desvio sistemático estava implícito.
O relatório de Edison e Mitofsky descarta a possibilidade da contagem oficial estar errada, declarando que seções com sistemas de votação eletrônica apresentavam os mesmos índices de erro que as seções com sistemas de cartões perfurados. Isto é verdade. Entretanto, ele só confirma a falta de confiabilidade dos sistemas eletrônicos e de cartões perfurados, ambos banidos pela Lei de Ajuda ao Voto de 2002. De acordo com este relatório, somente as seções com as velhas cédulas de papel contadas à mão tiveram a contagem oficial e dados de pesquisa dentro da margem normal de erro.
O relatório mostra também que a discrepância entre as pesquisas de opinião e a contagem oficial foi consideravelmente maior em estados com alterações críticas. Embora este fato vá de encontro às alegações de fraude, o relatório de Edison e Mitofsky sugere, sem fornecer qualquer dado ou teoria que o embase, que esta discrepância está de algum modo relacionada com a cobertura da mídia.
Em seções com mais de 80% para Bush, a média de “erro dentro da seção” chegava a um absurdo de 10% – diferença numérica entre as pesquisas de opinião e a contagem oficial. Ademais, em redutos de Bush, Kerry recebeu apenas dois terços dos votos apontados pelas pesquisas. Em redutos de Kerry, as pesquisas bateram quase exatamente com a contagem oficial (uma média de “erro dentro da seção” de 0,3%).
Esses dados de pesquisa de opinião são um forte indicador que uma eleição corrompida. Mas a desconfiança aumenta quando se interpreta estas discrepâncias dentro do contexto de mais de 100 mil relatórios oficiais de irregularidades e possível fraude durante do dia das eleições de 2004.
Os funcionários da campanha de Bush compilaram uma lista de 1.886 nomes que incluía os nomes e endereços de eleitores negros proeminentes na cidade de Jacksonville, na Flórida, tradicionalmente democrata. Embora os porta-vozes da campanha de Bush declarassem que a lista era um relatório de devolução de mala direta, eles não negavam que esta lista podia ser usada para convencer eleitores no dia da eleição. De fato, o supervisor eleitoral da comarca diz que ele não vê outro objetivo para esta lista.
Na comarca de Franklin, Ohio, os eleitores se depararam com as maiores filas da história. Em muitas seções dentro da cidade, os eleitores enfrentavam muitas vezes filas de espera de três horas para chegar à seção, antes de serem compelidos a votar em cinco minutos, como exigido pelo Conselho Eleitoral dirigido pelos republicanos. 77 das 2.866 máquinas de votar da comarca não funcionaram do dia da eleição. Uma máquina registrou 4.258 votos para Bush numa seção onde somente 638 pessoas votaram. No mínimo 125 máquinas foram retiradas na abertura das seções, e outras 68 nunca chegaram a ser usadas. 29% das seções tinham menos máquinas de votar do que na eleição de 2000, apesar de observarem um aumento de 25% nos eleitores.
Analisados em conjunto, estes problemas apontam para uma eleição que requer uma investigação. Mesmo se a discrepância entre as pesquisas de opinião e a contagem oficial não for levada a sério, outras falhas e práticas questionáveis no processo eleitoral fazem a gente se perguntar por que a voz do povo não foi ouvida e se estamos realmente numa democracia.
Observação de Josh Mitteldorf: “algumas notícias são importantes demais para serem publicadas. O povo pode ficar bravo, e o funcionamento de nossa democracia pode ser colocado em risco. Portanto a mídia tem feito coletivamente a coisa responsável, e evitou – a um custo enorme, tenham certeza – de publicar dúvidas sobre a legitimidade das eleições de 2004, para ajudar a assegurar uma transição ordenada do poder”.
Infelizmente, alguns sites da Internet como Commondreams.org and Freepress.org não cumprem suas obrigações dentro da comunidade, e tem sido portanto menos responsável em manter o silêncio. E há uma voz de rádio otimista em Vermont, Thom Hartmann, que seria engraçada de ouvir se ele não insistisse em relatar tantas verdades embaraçosas.
Mas se você se mantiver longe destes delírios isolados, você será premiado e receberá uma história reconfortante: George Bush ganhou as eleições de 2004 de forma limpa e precisa. É hora de parar com essas perguntas se nexo. Vamos ao programa!
Observação de Greg Palast e do Reverendo Jessie Jackson: há loucos conspiradores na Internet que acreditam que John Kerry venceu George Bush em Ohio e outros estados. Eu sei, porque escrevi “Kerry ganhou” para TomPaine.com dois dias depois da eleição.
“Kerry ganhou” foi o último documento de uma série, resultado de uma investigação de cinco anos, iniciada em novembro de 2000, para o “Newsnight” da BBC e o jornal britânico Guardian, dissecando esta lingüiça engordurada chamada democracia eleitoral americana.
Em 11 de novembro, uma semana depois que TomPaine.com publicou o relatório na Internet, recebi um email da sucursal de Washington do New York Times. O repórter do NYT me fez duas perguntas:
- Pergunta nº 1: Você é um perdedor chorão?
- Pergunta nº 2: Você é um louco conspirador?
Não havia uma terceira pergunta. A investigação sobre a eleição estava aparentemente completa. No dia seguinte a profunda análise culminou com uma notícia de primeira página: “TEORIAS DE FRAUDE ESPALHADAS POR BLOGS SÃO RAPIDAMENTE ENTERRADAS”.
Aqui está um pouco do que este relatório deixou de contar.
Em junho de 2004, bem antes da eleição, meu co-autor de “Jim Crow”, o Reverendo Jesse Jackson, levou-me a Chicago. Nós tomamos café com o candidato a vice-presidente John Edwards. O reverendo pediu ao senador para ler meu relatório sobre o “refugo” de votos negros – um milhão de afro-americanos que votaram em 2000 mas que não tiveram seus votos registrados nas máquinas.
Edwards disse que leria depois de comer seu pãozinho. Jackson agarrou o pãozinho. Sem leitura, sem pãozinho. Um senador faminto estava genuinamente preocupado – estes eram, afinal, votos democratas que não foram computados, e ele enviou a informação a John Kerry. Duas semanas depois, Kerry contou na convenção da NAACP que um milhão de votos de afro-americanos não haviam sido computados em 2000, mas que em 2004 ele não iria deixar isso acontecer novamente.
Mas aconteceu novamente. Mais de um milhão de votos em 2004 foram dados e não contados.
Como repórter, não é minha função ensinar o Partido Democrata a amarrar os sapatos. E, como jornalista independente, eu não eu não quero ajudar o Partido Republicano a elaborar a nova campanha para impedir eleitores de votar – mas devo relatá-lo. Entretanto, editores e novos produtores em meu país, os Estados Unidos, parecem menos interessados. Mais, eles são manifestamente hostis à publicação desta história da rapinagem da nossa democracia.
Os Estados Unidos têm um sistema de votação segregacionista, que nega aos afro-americanos, hispânicos e índios a segurança de que seus votos serão contados. Pior, tem uma mídia segregacionista que nega a privação de direitos raciais em seus veículos.
Foi em novembro de 2000 que eu descobri os métodos “Jim Crow” para negar o voto aos cidadãos de cor. Quando eu estava investigando os documentos do British Guardian laguns dias antes da eleição de 2000, descobri que o governador Jeb Bush e sua Secretária de Estado Katharine Harris tinham erroneamente eliminado dezenas de milhares de cidadãos negros das listas de eleitores taxados de “criminosos” – quando de fato seu único crime tinha sido de se alistarem como eleitores negros.
Nada saiu na imprensa americana. Entretanto, admito que a história do sumiço da Flórida saiu no New York Times... quatro anos depois.
Logo antes da eleição de novembro de 2004, o “Newsnight” da BBC descobriu novas listas confidenciais que obtivemos de dentro do QG do comitê nacional do Partido Republicano. Eram listas de milhares de eleitores das minorias apontados para impedi-los de votar no dia da eleição: uma violação de leis federais. Foi notícia importante na Europa e na América do Sul. Nos Estados Unidos, não saiu nada, exceto um ataque ao relatório da BBC no site da ABC. A ABC apenas disse que a fonte para seu ataque à BBC foi o Partido Republicano.
A história do sumiço dos eleitores negros, o milhão de votos negros não computados, e outros, as listas e outros truques usados para negar o voto aos de pele escura e os pobres, poderia ter sido enterrados há muito tempo se não fosse a BBC, a revista harper, os jornais britânicos Guardian e Observer, The Nation, os editores do San Francisco Chronicle e Seattle Post-Intelligencer e, provocativamente, a revista Hustler. Mesmo ignorado pela grande imprensa Americana, a história continua a ser reproduzida, devido à apaixonada insistência do reverendo Jackson.
Obrigado ao GeorgeBush.com por capturar as listas. E abençoados os blogs, por se manterem livres: TomPaine.com, Buzzflash, Working-for-Change e outros sites na Internet que levam esta história para além do Muro de Berlim eletrônico.
Finalmente, minha gratidão à incansável equipe investigativa, particularmente Oliver Shykles e Matt Pascarella por seu trabalho nesta história – e a Meirion Jones, produtor sem igual do Newsnight da BBC.
Tradução: Roger Chadel
http://www.projectcensored.org/censored_2006/
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Grande abraço,
Roger Chadel
//// O TSE deve voltar a ser um tribunal
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