Caro Clóvis Maito,

Em resposta a sua mensagem abaixo gostaria de fazer algumas colocações:

1- Sou engenheiro desde 1975 e nunca senti o CREA ou o CONFEA como entidade de 
classe atuante de visão para além das mesquinharias do poder interno. Longe de 
ser uma OAB ou ABI que se sabem inseridas num mundo político bem mais amplo, as 
entidades dos engenheiros me decepcionaram pelo absoluto imobilismo e 
inoperância nas vezes em que as procurei com idéias de lutas cívicas que iam 
além dos muros de suas próprias paredes.

2- Não votei nestas últimas eleições do CREA, da qual tomei conhecimento apenas através do candidato Bautista Vidal, a quem conhecí em algum momento desta lutas cívicas deste incansável brasileiro.
3- Não sei de que maneira legal o Sr. obteve o meu endereço eletrônico para me 
enviar suas propagandas. Sei apenas o Bautista teve que enfrentar barreiras do 
poder mesquinho no CREA que lhe impediu o acesso aos endereços dos eventuais 
eleitores. Este tipo de comportamento eleitoral autoritário, do poder instalado 
no CREA, é peculiar das mentes pequenas que não pensam além do interesse 
pessoal estrito.

4- Milito, depois de aposentado, justamente na área do Voto Eletrônico, assunto 
que o Sr. apresenta como uma nova bandeira: a eleição eletrônica e pela 
Internet no CREA e CONFEA, e sobre este assunto discorro a seguir.

Tornei-me um especialista em Voto-E a partir de 1996 quando tentei entender 
como se dava a garantia da inviolabilidade do voto nas urnas eletrônicas então 
apresentadas. Nesta época eu trabalhava com segurança de dados em sistemas 
informatizados.

Atrás destas informações, fui me imiscuindo no mundo da Justiça Eleitoral e dos 
partidos políticos e acabei por ser indicado por alguns partidos como seu 
representante técnico junto ao TSE para acompanhar o desenvolvimento das 
intruções legais e dos programas de computador utilizados nas eleições 
eletrônicas brasileiras.

Desde 1997 mantenho a Página do Fórum do Voto-E na Internet 
<http://www.votoseguro.org> que se tornou ponto de referência nacional e 
internacional sobre o assunto.

Desde 1999, tenho apresentado artigos e palestras em quase todos os Congressos 
Científicos nos quais o tema Segurança do Voto-E caiba, como os SSI do ITA e os 
WSEG da SBC.

Por causa desta minha especialização extemporânea, sou hoje, de longe, o brasileiro de fora da Justiça Eleitoral mais bem informado sobre as peciliaridades do voto-E no Brasil. É com esta bagagem que lhe alerto que EM ELEIÇÕES QUE ADOTEM O PRINCÍPIO DA INVIOLABILIDADE DO VOTO, a questão da confiabilidade do voto eletrônico e do voto pela Internet AINDA NÃO ESTÁ TECNICAMENTE RESOLVIDA em todo o mundo.
Em eleições onde NÃO SEJA NECESSÁRIO manter o voto secreto, a confiabilidade da 
apuração é problema de solução trivial, mas seria leviandade se adotar o voto 
pela Internet nas eleições do CREA, caso a inviolabilidade do voto seja 
necessária.

Temos o recente exemplo do Exército Americano, que queria que quase um milhão de seus membros espalhados por todo o mundo pudessem votar pela Internet nas eleições estudunidenses, mas que tiveram desistir da idéia depois que a analisaram com enfoque ESTRITAMENTE TÉCNICO.
Veja o relatório do Departamento de Defesa Americano, que demonstra a 
impossibilidade de se fazer eleições seguras dentro da estrutura fragil que é a 
Internet, e que acabou pondo fim à experiência em:
 http://www.servesecurityreport.org/

Sobre o Voto-E nas eleições brasileiras, a afirmação de que o Brasil detém tecnologia 
eleitoral "de primeiro mundo" é um engodo que tenho demonstrado em todos os 
meus artigos e publicações, nunca contestados em nivel técnico senão apenas com 
argumentos erísticos, pessoais e de poder.

O nosso CREA-SP sempre se omitiu quando o procurei para conseguir apoio e engajamento na luta por um processo eletrônico eleitoral mais transparente e auditável. Recentemente, em novembro passado fui convidado pela terceira vez para dar palestra na OAB sobre a insegurança no nosso sistema eleitoral eletrônico. Também em novembro fui mais uma vez convidado para dar palestra no Congresso da Sociedade Brasileira de Computação, SBC.
Já no CREA, todas as minhas tentativas de aproximação foram solemente ignoradas.

Em 2003, para silenciar as críticas à falta de transparência do seu processo 
eleitoral, o TSE fez incluir na Lei do Voto Virtual (Lei. 10.740/03) que 
caberia a OAB acompanhar a apresentação dos programas de computador utilizados 
nas eleições e neles apor sua assinatura digital como garantia da qualidade do 
software.

Mas estariam os advogados da OAB capacitados para dar este aval técnico à 
qualidade do software eleitoral?

Procurei nesta época o CREA para que auxiliasse para incluir o CREA nesta lei. Nenhuma porta se abriu. A visão estreitíssima de seus dirigentes não enxergava nada além de suas pŕopias paredes.
Ignorado e abandonado pelo CREA, tive que procurar fora e acabei por conseguir 
apoio:

1- com a ABI, que apresentou sugestões ao TSE para melhoria da transparência 
eleitoral;

2- com a SBC, que resultou numa auditoria independente sobre os sistema 
eleitoral apresentado no Relatório SBC que endossa todas críticas colocadas no 
Fórum do Voto-E. O Relatório SBC pode ser visto a partir de:
  http://www.votoseguro.org/textos/relatoriosbc1.htm

3- com um grupo de professores universitários, a maioria deles engenheiros, que 
resultou no Manifesto dos Professores, que está disponível em:
  http://www.votoseguro.com/alertaprofessores/

Neste momento, desde abril de 2005, estamos tendo que enfrentar novo debate 
sobre a questão do recadastramento eleitoral que pretende incluir a impressão 
digital dos eleitores nas urnas eletrônicas. O nosso TSE vai causar o mesmo 
problema recente ocorrido na Venezuela, onde a oposição denunciou que o sistema 
permitiria a violação do voto e que o CNE (o TSE de lá) teve que eliminar para 
dar garantia de inviolabilidade.

Já estou desenvolvendo contatos e reuniões com a OAB para enfrentar este novo 
problema que se avizinha para eleições futuras no Brasil mas no CREA nem sei 
quem procurar.

Enfim, Clóvis, manifesto minha total decepção com nossa entidade de classe dos engenheiros, pela sua cegueira em ver adiante as questões ligadas à inserção da tecnologia de informática nos meandros da sociedade.
Se um dia, muito atrás, os engenheiros lideraram a modernidade no Brasil, 
inclusive no campo do saneamento que a princípio cabia aos médicos, hoje somos 
um conjunto de alienados autonômos que os dirigentes das últimas decadas do 
CREA, com suas lutas umbilicais, criaram.

Por tudo isto, me tornei simpático à candidatura do Bautista Vidal, pois vejo 
nele alguém que consegue enxergar a função cívica e política (apartidária) que 
os engenheiros deveriam assumir.

[ ]s
 Amilcar Brunazo Filho
 www.votoseguro.org

 EU SEI EM QUEM VOTEI.
 ELES TAMBÉM.
 MAS SÓ ELES SABEM QUEM RECEBEU O MEU VOTO.


Clóvis de Oliveira Maito escreveu:
 “Hay hombres que lutam nun dia e não ganham

E son buenos;

Hay hombres que lutam muitos anos

E son muy buenos;

Pero hay os que lutam toda la vida
Estos son los imprescindives”

Berthold Bretchd
ASPECTOS POSITIVOS DE UMA CAMPANHA POLÍTICA

Fiquei muito contente em poder participar de uma forma mais atuante da campanha para a eleição do presidente do CONFEA e do CREA-SP, as quais realizaram-se neste ano de 2005.

Como se sabe, a cada triênio ocorrem as eleições para a eleição do presidente do CONFEA e dos CREAs, e vejo nestas oportunidades uma grande chance de poder discutir e propor alternativas e soluções para os grandes problemas que nossas profissões da área de tecnologia vem atravessando no momento.

Ao terminarem as apurações das cédulas eleitorais para a presidência do CREA-SP, percebe-se que podemos tirar do processo todo, várias lições:

A primeira, que para mim fica bem clara, é o fato de que o processo eleitoral não pode continuar a ser realizado de forma tão arcaica como a que foi realizada no dia 09 de novembro último, pois neste processo eleitoral ocorreram vários problemas. Se a eleição fosse realizada ‘on line’e eletronicamente, muito menos recursos financeiros, materiais e humanos teriam sido desprendidos.

Outra lição é que, devido à maneira com que foram realizadas as eleições, apenas uma pequena parcela dos eleitores aptos a votar compareceram às urnas para exercerem o seu direito de escolha, decidindo quem presidiria a nossa entidade pelos próximos três anos.

Os números finais (extra-oficiais), apontam a participação de pouco mais de 15.000 colegas no processo eleitoral, ou seja, apenas 8% de todos os que estavam aptos a votar (segundo estimativa da Comissão Regional Eleitoral de São Paulo) participaram do processo eleitoral, pondo seu voto na urna.

Para isso, proponho que a próxima eleição seja realizada pela internet e ‘on line’, podendo o período de votação se estender por até uma semana, afinal acredito que sendo um Conselho de Profissionais da Área de Tecnologia, saberemos facilmente elaborar softwares e dispor de hardwares para suportar e gerenciar toda esta nova forma de eleição.

Acredito que seremos pioneiros em nosso querido Brasil com este tipo de eleição. Está portanto lançado o desafio ao novo presidente do CONFEA e do CREASP, de que devemos realizar nossas eleições com mais tecnologia e menos improvisação.

Outra questão que gostaria de abordar, é o tipo de campanha que fiz, a qual careceu de mais recursos financeiros e mais tempo, pois como se sabe, nós, os candidatos, somos quem bancamos todas as despesas de nossas campanhas eleitorais, tais como a elaboração de todo o material de apoio, viagens, estadias, encontros, almoços, jantares, etc...

Mas, o balanço final que faço da mesma, é altamente positivo tendo em vista que todos os candidatos que permaneceram até o final da disputa, apresentaram propostas consistentes e coerentes para que nosso CREA seja melhor e mais eficiente dia após dia.

Ao colega eleito, Eng. Civil Tadeu, nossos cumprimentos e desejo de que sua administração seja profícua e que traga as melhorias que todos nós colegas de profissão esperamos.

Quanto aos nossos demais colegas, que acreditaram em nossas propostas de governo e em nosso plano de trabalho, e muito nos honraram com seu voto de confiança, não tenho palavras para agradecê-los, pois fiquei muito contente com a votação que recebi..

Nesta campanha, foi grande a minha satisfação em poder contar com 70% dos votos dos colegas da minha cidade de São Joaquim da Barra; contar com quase 100% dos votos de meus colegas de faculdade, profissionais e professores da minha querida Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira, a gloriosa FEIS/UNESP.

A vocês 190.000 vezes obrigado!

Tenham a certeza de que fiz o que pude e o que estava ao meu alcance fazer.

Tive a oportunidade de conhecer e fazer novos amigos, e por onde passei deixei minha mensagem de fé e otimismo de que dias melhores virão. Tendo a certeza disso!


Ouso aqui citar os nomes de novos e antigos colegas, que revi e fiz por onde passei divulgando minha candidatura, os quais permito-me lembrar com decoro:

Ao companheiro Guido, de Santa Rita do Passa Quatro; à Associação de Engenharia de Pirassununga, que me recebeu de braços abertos, ao colega Ailton Marangom; aos colegas de Porto Ferreira, Arquitetos Fernando e Walnice, ao colega engenheiro Wladimir Russi; aos colegas ‘Baluguinho’, ‘Toio’ e Pedro de Sales Oliveira; aos professores e diretores de todas as escolas de engenharia de Ribeirão Preto, Moura Lacerda, Barão de Mauá, UNIP, COC e Unaerp; aos colegas Engenheiros de Brodowsck, o Fábio e a Ana Lúcia; ao colega de Batatais, o Rodrigo; ao marido da Arquiteta Cibelle, que muito bem me recebeu em Franca, assim como pessoal e professores dos cursos de Arquitetura e Engenharia Civil da UNIFRAN; ao pessoal da Associação de Ribeirão Preto, e aos colegas que fizemos durante o almoço dos agrônomos, realizado no dia 29 no recinto da Agrishow, onde tive a oportunidade de rever meu grande amigo de infância Zé Roberto Scarpelinni, e também de conhecer uma pessoa muito famosa, que há muito ouço falar (bem é claro) que é o Arquiteto Lino Stramb; aos colegas e ao professor Cláudio, da FEB de Barretos; ao Prof. Coordenador do curso de Arquitetura da Faculdade de Engenharia de São José do Rio Preto, e aos colegas Rafael, da Tarraf Construtora e ao sempre irmão Zé Eduardo, da ICEC; ao grande amigo e companheiro de sempre, Prof. Dib Gebara, a Anna, ao Gilberto Peixoto, ao Daniel, ao Cláudio Kitano e a TODOS os professores dos departamentos de Engenharia Civil, Elétrica, Mecânica e Agronomia, da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira, ao prof. Dr. Wilson Manzolli Jr. atual diretor da instituição, aos colegas Francisco Edson e Amandio, à Associação de Engenharia de Ilha Solteira; à Associação de Engenharia de Andradina, Araçatuba e Birigüi; aos colegas da Sabesp de Lins, aos professores da Unilins, ao futuro colega, Ismael, diretor (como eu fui - quando estudante) de Centro Acadêmico; aos colegas que contactei por carta, ao meu tio Carlos e ao colega Wladimir, lá de Limeira; ao sempre colega, Alfredo Nogueira de São Paulo, e a todos que tiveram a oportunidade de estar ao meu lado nesta grande empreitada, de coração, o meu muito obrigado!

Uma saudação especial aos companheiros de academia, Carlos Homero, Paulo Sérgio, Sidney, Kichi, Carlos Matsumoto, Élcio, Antônio Senna Jr., Amadeu, que sempre nos retornaram mensagens de apoio e incentivo à nossa candidatura e à causa que defendemos, aos quais peço que não deixem de entrar em contato conosco sempre, pois a saudade é muito grande de todos...

Não poderia deixar de também agradecer ao pessoal de apoio que tenho Eles fizeram o que puderam para me ajudar. São eles: minha família (esposa, filhos, sogra e tia), à profa. Rosângela e seu marido Oswaldo, ao Wesley, ao Leo e à Rosana, sempre dispostos a ajudar da melhor forma , os quais muito colaboraram, e que esta ajuda que dispensaram foi muito importante para mim.

Aos meus ex-adversários e colegas, Tadeu, Alcântara e Lucas, pela disputa honesta, respeitosa, séria e limpa que estivemos antes das eleições. Travando sempre discussões no plano das idéias e não no plano pessoal, o que só fez fortalecer o exercício da democracia e o respeito à pluralidade de pensamentos e idéias...

Meus sinceros agradecimentos também, a todos os colegas que estiveram trabalhando nesta eleição, os quais somam mais de mil pessoas só no nosso estado de São Paulo, e que no dia da eleição deixaram seus lares e afazeres para abnegadamente disporem seu precioso tempo para cuidar dos interesses de nossa classe e realizaram um trabalho muito bem feito nas eleições, tendo sido mesários, presidentes e suplentes...

Pena que não poderei aqui deixar meu agradecimento ao pessoal da Comissão Regional Eleitoral, pois infelizmente me prejudicaram e muito nesta campanha, notadamente quando deixaram de publicar minha mensagem na última revista do CREA, sendo que minha matéria para tal estava em seu poder desde quando protocolei meu pedido de inscrição no processo eleitoral, datado de 05 de setembro, protocolado naquela comissão sob o número 0001... a eles deixo meu perdão, pois prefiro acreditar que foi por ingenuidade que fizerem o que fizeram comigo, e não por maldade...

Um agradecimento especial e primordial a DEUS, o Todo Poderoso do Universo, razão de tudo, ao Qual sei que sem Seu consentimento eu nada poderia e seria...

Bem meus amigos, acho que é chegada a hora de nosso até logo, pois sei que amigos não se despedem, então eu digo até breve, pois tenho a certeza de que continuaremos a nos encontrar em breve pelas estradas da vida...

Finalizando, gostaria de lhes convidar a nos visitar sempre que puderem, seja pessoalmente, seja virtualmente através de nosso site www.clovismaito.com, pois estaremos discutindo uma a uma de nossas propostas de governo e também melhorias para uma vida melhor e um país mais justo a todos...

Fiquem em paz, e com a certeza de que não vou lhes abandonar e nem irei 
decepcioná-los.

A luta por uma sociedade mais justa e, por melhores condições de trabalho em nossa classe continuam, pois sei que:

Nada é mais gratificante do que a Vitória

Não existem vitórias sem lutas; as lutas trazem a paz e

Nada é mais importante do que a PAZ!

Clóvis de Oliveira Maito
um brasileiro lutador

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