Caro Fernando,

fernando gonçalves escreveu:
Amilcar, o que diz a comunidade internacional sobre a "impossibilidde de auditar/recontar os votos-e brasileiros????
Há Observadores internacionais durante eleições gerais no Brasil????
        /fernando gonçalves/

Não há uma reação padrão igual em todos os meios. Vou lhe relatar algumas destas reações vinculando-as aos respectivos contextos técnicos e políticos para que você tenha possa ter uma visão bem ampla dos diversos interesses em jogo nesta questão da auditabilidade do voto eletrônico.

1) a reação da OEA e dos financiadores.

A idéia de implantar o voto-e no Brasil foi sempre acompanhada de perto pela OEA (Organização dos Estados Americanos) e pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Como se sabe, estas duas entidades são fortemente influenciadas, quiça tuteladas, pelo governo dos Estados Unidos e desde 1995, quando se deram os primeiros passos para a adoção das urnas-e no Brasil, eles estavam presente acompanhando tudo.

Na verdade existia um plano geral para que fosse informatizado os sistemas eleitorais de toda a América Latina.

Náquela época, da privataria tucana e de cortes profundos nos investimentos governamentais, não havia grana para o governo investir na informatização da Justiça Eleitoral, cujo orçamento inicial era de quase US$ 600 milhões (de dolares). Mas mesmo assim, com o apoio destas duas entidades, o projeto foi implantado (e ultrapassou bem o orçamento inicial).

Nas eleições de 1996, quando se usou as primeiras urnas-e brasileiras estas entidades enviaram um observador, Roy Saltman, que preparou um relatório cujo nome já diz tudo:

"Considerações sobre o Voto Informatizado no Brasil com Considerações para as Nações da Região"

Desde então, a OEA tem dado apoio às urnas-e brasileiras e já as levou para testes em varios países da América Látina como o Paraguai, Rep. Dominicana, Equador, Argentina e México.

Curiosamente, na Venezuela, onde o governo Chaves é considerado "hostil", o modelo de urna-e utilizado (e aprovado pela OEA) é outro fabricado na Flórida e que permite a conferência da apuração eletrônica por meio do voto impresso conferido pelo eleitor.

O mesmo vale para a Fundação Carter. Recentemente publicou um manual do voto eletrônico onde recomenda a necessidade do voto impresso conferido pelo eleitor nas urnas-e. Na eleição de 2004 na Venezuela, exigiu a recontagem de 1,5% dos votos impressos antes dar o seu aval para a eleição. Mas no Brasil, onde não há voto impresso para poder conferir ou recontar, a Fuindação Carter simplesmente silencia. Finge de morta.

Não é curioso, Fernando, que nos países dóceis ao imperialismo americano a OEA e a Fundação Carter ofereça ou aceitam as urnas-e inauditáveis brasileiras e onde o governo é hostil se leva e exige outras urnas que permitem auditoria da apuração?

Deu para perceber que o "buraco é mais embaixo"? E que mudar o modelo das urnas-e inauditaveis brasileiras será um pouco mais complicado do que possa parecer a primeira vista?

Acredito que governos dóceis ao imperialismo, como os tucanos e os petistas, dificilmente se esforçarão para corrigir o modelo das urnas-e brasileiras.

Só para lembrar, estas nossas urnas inauditáveis foram implantadas em 1996 com todo apoio do governo FHC e o fim do voto impresso foi decretado em 2003 com todo o apoio do governo Lula.


2) Reação em ONGs e nos meios acadêmicos.

Tenho conhecimento de diversos sites na Internet nos EUA, na França e na Itália onde o caso das urnas-e brasileiras é citado de como exemplo de um sistema de alto risco.

jà a reação dos meios acadêmicos americanos ao sistema eleitoral brasileiro tem sido bem tímida. Como sempre, eles pouco olham para abaixo do Equador.

Mas tem um caso que fugiu desta regra. O Prof. PhD David Chaun, criptográfo renomado, inventor e patenteador do conceito de "dinheiro virtual", inventou um sistema de voto-e seguro e quis vir ao Brasil em 2003 para ver se seria possível implantar o seu sistema por aqui.

Veio, deu palestras nas melhores universidades, foi ao TSE, papeou muito comigo e com o Prof. Pedro Rezende e voltou aos EUA convencido que o processo, que ocorria no Brasil, de implantação de urnas-e inauditáveis por meio de mentiras e engodos dos oficiais eleitorais, era um modelo que poderia acontecer também nos EUA.

Para evitar que lá ocorresse o mesmo que aqui, voltou correndo e ajudou a fundar duas grandes ONGs que defendem a implantação do Voto Impresso nas urnas-e americanas e que já conseguiram aprovar leis nesse sentido em mais da metade dos Estados de lá.

É isso...

Amilcar
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