Paulo, concordo inteiramente com a desnecessidade de uma urna complexa. A urna nem precisa de sistema operacional.

O Grande problema é como verificar se a urna (hardware e software) é autêntica antes durante é depois da eleição. O problema é quem fiscaliza pode ser quem quer fraudar.

Independente deste problema, se a urna fosse bem simples e sem constantes modificações de programação, a fiscalização seria facilitada.

Marcio

Paulo Mora de Freitas wrote:
Pessoal, o Luiz Ezildo tem razão quanto ao que propor então no lugar da impressão do voto. Foi a mesma reação do Prof Del Picchia quando tive oportunidade de falar desses problemas pessoalmente em novembro passado em São Paulo : “- Mas o que você propõe então?”. Confesso que fui pego de calças curtas e fiquei sem saber o que responder. Depois, conversando com o Kika e o Chadel também em São Paulo, narrando como a coisa se passa aqui na França, me veio uma idéia que nunca tive tempo de desenvolver. Continuo não tendo mas talvez em grupo a coisa avance, aqui vai então a grosso modo o que estive pensando:

1) Se a gente olha bem o que faz a urna-e, por mais complicada que seja a legislação eleitoral, é um trabalho muito simples. Por esta razão, por mais volátil que sejam as regras, uma coisa que eu nunca entendi é a necessidade de se reprogramar as urnas a cada eleição. Vista a simplicidade da coisa me parece plausível de se pensar num software simples e parametrizável, o qual funcionaria em função de tabelas que descrevam a eleição em curso (postos elegíveis, número, nome e foto dos candidatos, datas e horas, etc.).

2) Se 1) for verdadeiro, poderíamos imaginar a confecção de um software o mais simples possível, tornado público e analisável pela massa das pessoas competentes que se dêem ao trabalho. Este software seria desenvolvido uma só vez, analisado, compilado e assinado digitalmente por todos os partidos, ONGs interessadas e pelo Ministério Público.

3) Este software seria carregado nas urnas uma só vez, visto que apenas as tabelas com os dados mudam a cada eleição. Resta a aprimorar muito como verificar que este software não foi substituído por outro, mas este é um problema que pode ser estudado à parte usando-se as assinaturas digitais (uma coisa de cada vez).

Essa idéia me veio à mente porque é mais ou menos assim que a coisa funciona aqui na França. As prefeituras (Mairies) compram os dispositivos que podem ser fornecidos por vários fabricantes, à condição de que seja um dispositivo homologado pelo Ministério do Interior. Uma das características desses produtos é a de que eles sejam parametrizáveis pelas prefeituras, de forma a que sirvam para todas as eleições à vir sem necessidade de reprogramação. É verdade que a razão dessa cláusula na especificação visa a proteger o investimento das prefeituras. Mas é verdade também que fica difícil de se burlar uma eleição a nível nacional com urnas que você não pode reprogramar em função da eleição que se prepara. Aqui na França, fica ao cargo das prefeituras locais a parametrização das urnas para o dia da eleição: são mais de 5000 municípios, o que não impede talvez alguma manipulação a nível local, mas dificilmente a nível nacional.

O que vocês acham disso?

Abraços, Paulo.

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