A respeito de [VotoEletronico] CHOQUE MUNDIAL,
em 28/05/2006, 11:05, Amilcar Brunazo Filho escreveu:
ABF> Vejam o que o Paul Krugman, premio nóbel e um dos papas da economia mundial
ABF> pensa das urnas eletrônicas...
Complementando a notícia:
Krugman prevê choque mundial
Por Luiz Sérgio Guimarães
25/05/2006
Paul Krugman tem pavor visceral de urna eletrônica. Há hoje, nos EUA, uma asfixiante conspiração da direita radical cujo alvo é sua eternização no poder conquistado. O caminho mais fácil para a execução do plano é a pura manipulação do voto por meio de fraudes eletrônicas, que não deixam vestígios em papel. Não que não sejam tentadas as vias mais trabalhosas, como o controle da mídia, a dominação dos grupos políticos de influência, a arregimentação dos principais financiadores de campanhas e o uso da chantagem a empresas que fazem doações a adversários. Mas a implantação de um vírus direitista nas máquinas de votação é irresistível e infalível. O temor não tem ranço de paranóia esquerdista, nem flerta com a teoria da conspiração tão ao gosto do americano médio. Krugman não é nem paranóico, nem esquerdista, tampouco americano médio. O economista é cria genial e incensada do establisment tradicional americano.
Pisco Del Gaisco/Valor

Krugman: Bush prega a consolidação,
para todo o sempre, de um domínio
político de direita jamais visto na história
Impecáveis, suas credenciais acadêmicas estão acima de qualquer suspeita. Formado pela Yale University, recebeu o PhD do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e hoje leciona em Princeton. Krugman é um genuíno liberal americano. Nos EUA, o liberal é um sujeito de centro, que se opõe aos conservadores, lá chamados, sem meias-palavras, de direitistas. A esquerda americana cabe inteira num cinema de arte de Nova York. Ao contrário daqui. No Brasil, os liberais - e mais ainda os seus filhotes radicais, os neoliberais - são associados a políticas ortodoxas e conservadoras, mas rejeitam o rótulo de direitistas. O resto é centro, ou seja, todos se consideram de esquerda, mas poucos são.
Pois hoje é esse liberal de folha corrida imaculada, especialista em prever crises financeiras internacionais, o inimigo público número 1 do governo Bush. E a sua tribuna é das mais respeitáveis e ouvidas: as páginas de opinião do venerável "The New York Times". Os artigos que escreveu de janeiro de 2000 até o fim de 2004 estão sendo publicados agora no Brasil pela editora Record. O título do livro - "A Desintegração Americana - EUA Perdem o Rumo do Século XXI" - já alerta o leitor que não leu as colunas no original ou nas traduções publicadas na imprensa brasileira, ou que pretende relê-lo agora no confortável formato livro, para o que virá em seguida: pau puro em cima da política econômica e da política externa de Bush. Embora desferidas em um estilo irônico e agradável, as pancadas não são menos estarrecedoras.
O programa de direita desenvolvido por Bush choca os liberais porque, ao contrário de outros governos conservadores do passado, como o de Ronald Reagan, o atual mente descaradamente o tempo todo sobre todos os assuntos. E não procura escorar as mentiras em argumentos racionalmente consistentes. São desculpas mal-ajambradas, que, quando desmanchadas de vez pelos fatos, são logo substituídas por outras, igualmente esgarçadas. Quem ousa revelar o cerne mentiroso das políticas e discursos logo é taxado de antipatriótico, de agente infiltrado em ataque à segurança nacional. Krugman não faz distinção entre a política econômica de Bush e a sua doutrina de segurança nacional. "Ambas refletem as prioridades de um governo empenhado em promover uma agenda política radical", diz.
Que agenda é essa? A consolidação, para todo o sempre, de um domínio político de direita jamais visto na história americana. Como se faz isso? Pondo em prática o que os estrategistas de direita chamam de "matar a fera de fome": privar-se, por meio de cortes de impostos, da indispensável receita fiscal e usar os déficits fiscais e orçamentários como justificativa para eliminar programas sociais populares. Para combater os déficits governamentais, gerados pelos sucessivos e infatigáveis cortes de impostos aos mais ricos, Bush propõe reduções nos programas da Previdência Social e do Medicare (assistência à saúde dos idosos). "Amputar esses programas constitui, na realidade, o objetivo da política governamental", alerta Krugman.
O governo Bush está conseguindo tornar realidade um velho sonho da direita americana: acabar com todos os impostos sobre os rendimentos do capital, abrindo caminho para um sistema em que somente os salários são taxados. O clássico caráter progressivo do sistema tributário americano está sendo eliminado impiedosamente. A redução do tamanho do Estado e a proteção aos mais ricos e seus lucros são padrões que se repetem em relação às políticas de energia, meio ambiente, saúde pública e educação.
Os EUA são, pela agenda radical de direita, um país sem garantias e proteções de assistência social, que confia sobretudo na força militar para impor sua vontade no exterior (para Bush, a grandeza de uma nação é definida pelo sucesso militar), com escolas que não ensinam a teoria criacionista, mas religião, e no qual as eleições são apenas uma formalidade.
O economista freqüentemente é acusado de "exagerar" a fealdade do monstro em seus artigos. A essa crítica, ele responde que tudo o que vem afirmando nos últimos anos está sendo confirmado com o passar do tempo. E talvez só exagerando ele consiga convencer as pessoas a sair da passividade e constatar, por elas mesmas, que hoje a Casa Branca, o Congresso, grande parte do Judiciário e uma boa parcela da mídia estão sob o controle do que chama de "um poder revolucionário de direita radical". Os líderes atuais dos EUA são revolucionários no sentido de que não aceitam a legitimidade do tradicional sistema político americano. Para eles, instituições políticas e sociais estabelecidas há muito tempo simplesmente não deveriam existir. Programas do tipo New Deal (seguridade social e seguro-desemprego) ou Great Society (como o Medicare) são considerados aberrações que violam os princípios básicos da democracia americana. Democracia? Trata-se apenas de um enfado periódico que o vírus virtual pode abolir.
Profeta certeiro de crises financeiras, Krugman adverte sobre as seqüelas das ofensivas econômicas e bélicas de Bush criadoras de dívidas: "Os EUA estão a caminho de uma crise financeira no estilo latino-americano, na qual o temor de que o governo tente solucionar o seu dilema recorrendo à inflação para fazer desaparecer a dívida possa provocar o aumento das taxas de juros". Isso significa choque mundial. O Brasil tem tudo a ver com Krugman.
"A Desintegração Americana - EUA Perdem o Rumo do Século XXI" - Paul Krugman. Record, 546 págs., R$ 62,90
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Grande abraço,
Roger Chadel
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//// O TSE deve voltar a ser um tribunal
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| / | Se a urna não imprimir, seu voto pode sumir!
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Extraido de minha coleção de taglines:
Por maior que seja o buraco em que você se encontra, pense que, por enquanto, ainda não há terra em cima (Arafat)
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\ / Campanha da fita ASCII - contra mail html
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