Brizola, em 1982, foi comprovadamente vítima de uma tentativa de fraude 
eletrônica para impedir que chegasse ao governo do Estado do Rio de Janeiro. 
Os computadores entraram na eleição brasileira exatamente no ano de 1982, 
para totalizar o resultado, e foi exatamente aí que se abriu a brecha - via 
TSE - para o SNI (Serviço Nacional de Informações) tentar impedir a vitória 
líquida e certa de Brizola no Rio de Janeiro. Ele reagiu, denunciou a 
tramoia à imprensa internacional, atacou de frente a Globo e Roberto 
Marinho, que segundo ele estavam na 'trampa', e conseguiu levar. 

No Sul, Pedro Simon viu a eleição de governador do RS esvair-se sob seus 
dedos, convencido que foi - antes da eleição - que iria perder. Via 
pesquisas. Quando abriu os olhos, tentou remobilizar a fiscalização 
partidária para acompanhar a contagem de votos, já era. Dançou. Em livro, 
admitiria anos mais tarde que se tivesse feito o que Brizola fez, teria se 
elegido governador do Rio Grande do Sul naquele ano de 1982 - quando 
acontecerem as primeiras eleições para governador, depois do longo e 
tenebroso inverno da ditadura, em que os governadores eram "eleitos" 
indiretamente - por deputados amestrados.

Sobre este assunto, repasso a voces trecho de uma fala de Brizola, de 2.000, 
sobre o episódio Proconsult. Parte de um livro que pretendo escrever 
transcrevendo "falas" de Brizola. Já fiz um primeiro, pretendo escrever um 
segundo. Abraço para todos.

Maneschy

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PALESTRA DE BRIZOLA
Auditório da Fundação Alberto Pasqualini
Em 28 de agosto de 2000

“Companheiros e companheiras, estamos no meio de uma luta, uma luta difícil 
mas que é parte do nosso dever. E precisamos ter o nosso espírito 
devidamente prevenido, preparado, para atravessarmos este momento complexo. 
Vejam vocês: os meios de comunicação estão nas mãos dos adversários. O que 
dizem os jornais, as televisões, as rádios, as revistas – que enchem tudo de 
noticias e comentários, nada disso é nosso. Servem aos interesses deles.

“Então temos que cuidar em primeiro – não deixar que nossas mentes venham a 
ser trabalhadas por eles. Eles podem até nos paralisar conforme o que jogam 
aí visando nos sensibilizar, nos impressionar. Segundo, também ter 
consciência do mal que eles podem nos fazer, fazer a nossa causa, 
impressionando outras pessoas.

“Nós estamos no curso desta batalha. Nós também não podemos deixar de 
considerar que eles dispõem de mecanismos que podem transformar estas 
eleições numa farsa, eles têm esses mecanismos. Então vamos ver até onde 
esta farsa pode chegar. E mesmo diante das tentativas que possam fazer 
considerar também a circunstância que eles, numa dessas, justamente no Rio 
de Janeiro, eles podem meter o pé num buraco. Já ocorreu com eles uma vez – 
aquele caso da Proconsult, em qualquer outro lugar do Brasil não ocorreria. 
Eu afirmo que o Rio de Janeiro tem uma enorme consciência política. 

“As coisas estavam acontecendo e nós estávamos recebendo comunicações de 
toda parte. E ao mesmo tempo, se mobilizavam os nossos quadros. Daí a pouco, 
foi o “Jornal do Brasil” que não deixou de fazer uma divisão neles. E aí 
começou um racha no meio deles que acabou revelando a falcatrua – eles 
queriam nos garfar. E conseguimos finalmente superar aquela situação sem 
maiores conseqüências para eles – que já haviam previsto até a forma de se 
encobrirem. O Tribunal, quando nos decidimos irmos conversar com os juízes 
do TER, não acreditava em nada. Já estavam irritados conosco, já estavam 
quase nos botando de lá para fora. Os velhinhos estavam por conta. Estávamos 
inventando uma historia. Eu não estava junto, estava o professor Cibilis, 
estavam outros lá.

“Aí, finalmente, o juiz corregedor decidiu: ‘Está bom, vou lá’. E eu 
consegui que o presidente também fosse. Mas ele precisa de uns 15 minutos 
para despachos, que vamos lá, na Proconsult, ver as totalizações. É claro 
que eles deviam ter espiões lá dentro. Eles correram e deram o aviso lá no 
local. Quando chegamos lá, um salão muito grande, umas cinco vezes o tamanho 
deste, era um mar de papel rasgado. Papel rasgado, fitas enormes de papel, 
uma desordem, dessa altura no chão. E não tinha mais ninguém. Não tinha 
programa de computador, não tinha nada. 

“Conseguimos pegar um no elevador que foi preso por um juiz. Era um coronel 
do Exército, reformado mas coronel. Ele foi entregue a um coronel da PM para 
ser levado preso. E vou dizer o seguinte: nunca mais tivemos notícias desse 
coronel. E nós tínhamos o nome dele, tudo direitinho, foi metido no 
processo, se instaurou o processo, ele foi chamado... Não veio... Nunca mais 
soubemos dele, para onde foi, onde morava, ele se escondeu. Ele desapareceu. 
Acho que o mandaram para um país estrangeiro... Nunca mais. E o processo 
sobre aquela fraude andou, foi daqui para ali e desapareceu.

“Depois refizemos o processo, passou daqui, para ali, demorou, demorava até 
que um juiz determinou: arquive-se. E acabou. Era a fraude da Proconsult, 
que vocês sabem, tinha o diferencial Delta. Primeiro apuravam as urnas 
favoráveis ao Moreira, então dava o Moreira na frente. E aí entrou o 
diferencial Delta. Todo o resultado que viesse, eu no Maximo chegava a certa 
distancia do Moreira. Na medida em que chegava ali, o voto que viesse para 
mim caía para nulo e branco. E Moreira sempre na frente. Por isso que 
pegamos, mas não conseguimos pegar o programa, nem nada... Claro que ali 
entrou outra instituição, o Serpro...


“Mas vejam o seguinte: daí por diante eles foram se aperfeiçoando, se 
aprimorando... Eu não tenho a menor dúvida que me garfaram em 89 para botar 
o Lula no segundo turno. Era mais fácil pegar o Lula, mais inexperiente. 
Porque comigo aquele Collor não passava. Tenho quilometragem, ia sacudir a 
situação... Então digo o seguinte: mesmo com toda a fraqueza de Lula, a 
inexperiência, na minha convicção ganhou o Lula e empurraram o Collor. Vejam 
que alguma responsabilidade tenho na minha vida. Na minha convicção quem 
ganhou a eleição foi o Lula. Tanto que o presidente do Tribunal, o Francisco 
Rezek, foi levado para Ministro das Relações Exteriores, depois de Ministro 
voltou para o tribunal, não sei o que, e agora está lá em Haia. Está 
gozando, está ganhando em dólares. 

“Eu pressentia, tanto que fomos lá, pleitear do Rezek, que queríamos auditar 
as eleições. Aquilo estava tão na cara, que na hora de informatizar, o 
computador naquele tempo funcionava como simples máquina de somar, computava 
para somar. Mas assim mesmo aquilo pode ser imaginado como uma porção de 
canos, mais finos que vem dos estados, mais grossos, pegando regiões, até 
que chegam em Brasília um jorro de números. Agora, é só ter um programa 
alterando resultados que podem fazer, como fizeram aqui na Proconsult. Quem 
sabe? Quem pode verificar? Ninguém. Nos tratamos de nos organizar mas fomos 
superados.

“Eu preveni o PT, na hora do segundo turno, mas eles – cheios de auto-
suficiencia – disseram: não não precisamos de nada. Insisti: mas vai aí o 
Salomão para ajudar vocês. “Não estamos organizados, estamos como um relógio 
suíço. Vamos acompanhar tudo, certinho, não há como...  Só que no segundo 
dia de apuração eles já estavam de patas para o ar... Não entendiam mais 
nada do que estava ocorrendo, estava terminado. Não há como. E não tinha 
ninguém aqui preparado para isto.
 
“A minha proposta, feita lá para o Rezek, é que se colocasse uma auditoria 
estrangeira para verificar o programa de totalização do TSE – vamos 
contratar auditores americanos, ou alemães, ou franceses, ou ingleses – 
botar uma auditoria para acompanhar o processo. Ou até uma empresa como a 
IBM. E na hora dos resultados, a gente tivesse condições de dizer. Lá em 
Brasília dizem que é tanto, mas a IBM diz que não. Para poder confrontar. 
Mas que nada...

“Depois veio o negócio da máquina eletrônica de votar. Tudo arrumadinho ali. 
A velhinha chega ali, tecla e diz: ah, votei certo, até o retrato do meu 
candidato apareceu. E nós também. Aperta ali, até o retrato aparece. E nada”;

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