Olá,

Em tempos de convenções partidárias para definição das chapas de candidatos é 
oportuno falar sobre o Golpe do Candidato de Protesto que as urnas eletrônicas 
brasileiras introduziram no processo eleitoral.

O texto abaixo foi extraído livro "FRAUDES e DEFESAS no voto eletrônico" que 
está no prelo para ser lançado em breve.

Quem quiser ver um resumo (sem as descrições das fraudes), só para dar um 
gostinho na boca, pode baixar de:

http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/livrofraudesdefesas-resumo.rtf


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O Candidato de Protesto

O voto de protesto é uma expressão popular. Existe.

Nas antigas eleições manuais, o voto de protesto se dava pela descarga de votos 
num alvo peculiar, como o hipopótamo Cacareco em São Paulo ou o macaco Tião no 
Rio de Janeiro. O protesto do eleitor podia também ser expresso por meio de 
palavras ofensivas escritas nas cédulas eleitorais.

Todos estes votos eram anulados pelos juízes eleitorais e o efeito do voto de 
protesto no resultado eleitoral era apenas o de aumentar a quantidade 
porcentual de votos nulos.

As Urnas-E utilizadas no Brasil foram projetadas de forma muito rígida quanto 
às possibilidades de interação com o eleitor. Um limitado teclado de apenas 10 
teclas numéricas e outras 3 teclas específicas são deixadas para o eleitor se 
manifestar.

Por isto, houve dificuldade para muitos eleitores no Referendo de 2005. 
Simplesmente não havia teclas SIM e NÃO para o eleitor responder à pergunta 
apresentada no visor.

Urnas-E mais modernas, como as usadas em nos EUA, no Canadá e na Venezuela, com 
o sistema touch-screen de teclado variável, dão mais flexibilidade para a 
expressão do eleitor.

Esta limitada interação das Urnas-E brasileiras com o eleitor, que não consegue 
mais escrever um palavrão ou votar no Cacareco e não se satisfaz em digitar 
ZERO-ZERO e CONFIRMA, levou-os a conceber uma nova forma de expressar seu voto 
de protesto: votar em Candidatos Peculiares que de alguma forma simbolizem seu 
protesto.

O exemplo inegável deste novo fenômeno cultural-eleitoral criado pela urna 
eletrônica é a enorme votação do candidato Enéas para deputado federal em São 
Paulo, em 2002. Sua figura marcante, seu tom agressivo ao falar e sua 
propaganda peculiar atraíram o voto de eleitores descontentes, que em outras 
eras recorriam ao voto de protesto.

O Dep. Enéas obteve a maior votação de um deputado federal de todos os tempos 
no Brasil. Quase 1,6 milhão de votos, o quádruplo do segundo colocado, 8% dos 
votos do maior Estado do Brasil.

Reconhece-se a legitimidade na eleição deste candidato que soube atrair votos, mas os votos de protesto que lhe foram dados elegeram muito mais do que ele próprio.
Como a quantidade de votos que um candidato precisou para se eleger foi de 
aproximadamente 280 mil votos, 1,3 milhão dos votos restantes do Dr. Enéas 
foram transferidos para outros cinco candidatos de seu partido, PRONA. Todos 
com votação individual inexpressiva. Três deputados federais eleitos na carona 
do Dr. Enéas obtiveram menos de 500 votos diretos cada um!

Tantos foram os votos de protesto atraídos pelo Enéas que se na lista de 
candidatos do PRONA houvesse mais um candidato inscrito este seria eleito mesmo 
que não tivesse voto nenhum.

O Dep. Enéas sempre esteve na oposição parlamentar, fiel ao seu estilo e ao seu 
eleitor de protesto. Mas é tão baixo o compromisso com o eleitor dos outros 
deputados, eleitos na sua carona, que em poucos meses, bem no meio do 
troca-troca partidário alimentado pelo mensalão, 4 dos 5 caronistas do protesto 
ingênuo traíram seus eleitores e pularam para partidos da base de apoio ao 
governo.

Outra conseqüência desta atração de votos por candidatos de protesto é que 
diminui artificialmente a quantidade de votos nulos e brancos. Os votos do Dep. 
Enéas em 2002 somados aos nulos e brancos resultam em 17,1% , muito próximo dos 
19,7% de votos brancos e nulos na eleição com urnas-E anterior em 1998 quando 
nenhum candidato peculiar atraiu o voto de protesto.

Enfim, o voto de protesto, que antes das nossas sisudas Urnas-E apenas 
aumentava a quantidade de votos nulos, agora pode até eleger uma boa bancada de 
candidatos nulos.

Mas nada do que foi dito até aqui caracteriza fraude eleitoral.
Esta vai surgir quando, compreendendo que nossas urnas eletrônicas favorecem a 
concentração de votos em candidatos peculiares que atraiam o voto de protesto, 
um partido pressionado pela cláusula de barreira lançar candidato deste tipo, o 
Candidato de Protesto, mesmo que seja uma pessoa absolutamente irresponsável, 
apenas para ganhar os votos de protesto ingênuo.

E fiscalização que defenda contra este oportunismo, não há.

Está aí uma perversão inesperada trazida ao processo eleitoral pela moderna 
tecnologia. Talvez a solução fosse adotar a proposta do humorista Millor 
Fernandes e incluir nas urnas eletrônicas uma quarta tecla “Vá a M…” que 
capture a expressão de quem queira protestar, evitando-se assim que se elejam 
deputados oportunistas.
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[ ]s
Amilcar Brunazo Filho
www.votoseguro.org

EU SEI EM QUEM VOTEI.
ELES TAMBÉM.
MAS SÓ ELES SABEM QUEM RECEBEU O MEU VOTO.

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