Kika, você acha realmente possível algum presidente ou secretário de informática de algum tribunal eleitoral, pouco importa o país, afirmar em público que o sistema eleitoral que ele dirige é inseguro, mesmo que ele saiba disso? Só se o cara for louco ou suicida, certo? Por outro lado, se você fosse jornalista responsável pela edição de algum grande jornal, você publicaria uma denúncia anônima sem verificar as fontes? Só se você for louco ou irresponsável, certo? Algo me diz que estamos batendo na tecla errada, ou da maneira errada. Para variar vamos dizer que “a cúpula que conspira contra os interesses democráticos do país na calada da noite, utilizando dos seus inúmeros tentáculos, manipulou a imprensa para que o vídeo fosse abafado”, vamos continuar nesse nosso mundinho de faz de conta, enquanto isso “la nave va”. Por essa razão penso que o primordial seria acessar as cópias oficiais do depoimento em Ohio, porque aí sim, um jornalista sério e honesto tem material bom para trabalhar. Por enquanto, por alguma razão misteriosa, mesmo esse depoimento de Ohio é um vídeo anônimo num site qualquer da Internet. Outra coisa misteriosa, esse depoimento data de 13/12/2004, onde estão as ONGs americanas que comeram uma bola dessas? Em todo o caso, supondo que seja verdadeiro e que possamos provar, já deve ser mais fácil levar isso aos jornais e no vácuo levantar a lebre sobre as nossas urnas.

Sobre os lacres, é o que eu disse. Repito a tua frase abaixo: “O ataque mostrado pelo vídeo não é para ser feito por eleitores na hora de votar, mas por agentes eleitorais que tenham acesso físico às urnas ou aos programas de votação, antes da eleição.” Ou seja, não é um furo detectável por um “teste de penetração” visto que a fralde viria de dentro, executada por agentes eleitorais. Eu também sei que o problema principal é esse, o que eu questiono é se devemos chamar isso de “teste de penetração”. O risco é que o TSE acorde um “teste de penetração” no sentido de algum agente externo (eleitor ou fiscal de partido) tentando burlar a eleição, nessas não provaremos nada, apenas colocaremos mais lenha na fogueira deles.

Abração,
Paulo.

Amilcar Brunazo Filho wrote:

Paulo,
Eu não discordo que rediscutir estragéia do nosso grupo seja bom e até
necessário. estou aberto à discussão.

Mas quanto ao argumento do pouco valor do video do Paraguai eu discordo.

Há uns dias atrás, postei uma reportagem de um jornal paraguaio onde o
secretário de informática do TSJE de lá, explicitamente afirmava que o
sistema era essencialmente inviolável, que era impossivel desviar votos,
etc.

Há um mês atrás foi postado aqui a reportagem do JB onde o presidente do TRE
dizia que a invetigação iria provar que as urnas eram invioláveis.

Esta é a propaganda oficial que foi PROVADA ser falsa com o vídeo paraguaio.
Provada sim, pois não adianta nada o TSE e o TSJE argumentarem que o video
pode ser falsificado enquanto não permitirem um teste real aberto.

Se o vídeo paraguaio caisse agora nas graças da imprensa, a única solução do
TSE seria permitir o teste. Por isto já vou avisando que este vídeo será
abafado antes das eleições com toda a força que o TSE possui. Depois eles
passarão a falar que é assunto requentado.

Quanto a questão dos lacres, é bobagem. O ataque mostrado pelo vídeo não é
para ser feito por eleitores na hora de votar, mas por agentes eleitorais
que tenham acesso físico às urnas ou aos programas de votação, antes da
eleição.

Se desonestos, estes agentes podem facilmente burlar a questão do lacre.
Supor que tais agentes desonestos não existam... nem precisa responder.

[ ]s
 Amilcar Brunazo Filho


--------- Mensagem Original --------
De: [EMAIL PROTECTED]
Assunto: Re: [Voto Seguro] Depoimento para Comissão  Eleitoral de Ohio
Data: 03/07/06 06:25

Prezados,

Excelente este depoimento do programador perante a Comissão Eleitoral de Ohio em 13/12/2004. Muito melhor do que o filme paraguaio, esse parece ser um depoimento oficial documentado sobretudo nas atas dessa comissão. Seria interessante localizar esses dados. Embora o filme seja impressionante, as cópias das atas constitui documento, as encontrando não temos mais esse problema de “denúncia anônima”.

Sobre o filme paraguaio, permitam-me deixar claro de que não critico a iniciativa de quem teve a idéia. Provavelmente foi feito com nobres intenções, tentando ilustrar a fraude possível de ser feita nas urnas eletrônicas, o que temos repetido aqui nesse forum. O que eu coloco em causa é o que podemos de fato tirar desse filme:

1) Ele não pode ser considerado uma prova, vista as condições de realização as quais impossibilitam de se verificar se a urna era mesmo verdadeira e não um clone, se o programa que estava rodando era o original ou uma cópia, etc.

2) Enquanto não temos certeza o risco é sempre grande. Imaginem que a mídia se interessa, comoção nacional, o filme passa no jornal das 8, o TSE sempre negando tudo em bloco. Daí, como que por acaso, a polícia federal prende “alguns adolescentes” que confessam o
crime de terem
feito uma cópia da urna para se divertir, essas coisas. E lá vem a pá de cal, o presidente do TSE declarando vexado que ele sempre repetiu que as verdadeiras urnas são infalíveis, orgulho nacional, e eis que retrocedemos alguns anos-luz. Olhem que já vimos esse filme antes, aquele sequestro do Abílio Dinis, lembram?

3) O que o filme mostra é algo que qualquer programador de nível técnico está careca de saber: que um computador faz o que o programa carregado nele diz para ser feito. Mesmo que seja uma verdadeira urna e mesmo que sejam os verdadeiros programas do TSE que sejam executados, o comportamento da urna do filme só pode ser explicado via alguma modificação em pelo menos um desses programas originais. O que o filme não explica é como se faz para se alterar esses programas.

Isso me leva a sugerir que detalhemos melhor o que chamamos de
“teste de
penetração”. Me parece que a palavra
“penetração” supõe uma fronteira
entre dentro e fora. Posso estar enganado, mas se o teste visa a mostrar que a urna é vulnerável a ataques externos o interesse é relativo. Ou como eu não sou especialista na área talvez eu não esteja entendendo bem.

Por exemplo, se o teste consiste em me deixar fechado numa sala com uma urna em estado normal de funcionamento em dia de eleição, não precisa fazer teste, eu não vou conseguir provar nada. Que eu saiba não é possível de se alterar o programa da urna apenas manipulando as teclas do seu teclado. Se eu entendi alguma coisa de como funciona essa urna, a única maneira é introduzindo um flash com sistema operacional no leitor D e dando um boot. Só que para isso se faz necessário romper um lacre, fora a manipulação do aparelho, sem falar no tempo da operação. Por essas razões, mesmo se eu provo que isso é possível (me parece tão óbvio, me pergunto se precisa provar que um computador faz o que lhe dizemos de fazer...), a resposta também será óbvia: dificilmente alguém teria condições de fazer tudo isso na seção eleitoral enquanto vota sem ser pego em fragrante delito.

Então eu me pergunto o que queremos provar com um “teste de
penetração”.
Seria conveniente precisarmos em quais momentos o software poderia ser adulterado, por exemplo durante a carga das urnas, e colocar em evidência que nenhum dos testes previstos seriam capazes de detetar a adulteração. Sabemos que isso é possível hoje tal como é essa urna-e, bastaria uma análise para se provar isso, mas em todo o caso sempre vale à pena ilustrar com um exercício prático.

Ficar a questão então de quem é que teria condições de produzir uma flash com um software desses e que estaria no bom momento e no bom local em condições de praticar a fralde. Certamente o risco maior é de uma fralde que vem de dentro do sistema, certo? Daí a expressão "teste de

penetração" se torna problemática, ou me engano?

Por favor, vejam essas conjecturas como reflexões construtivas ao debate. Tem vezes em que penso que perdemos uma energia enorme tentando batalhar algo, e quando obtemos esse algo nos damos conta de que, no final, a luta não avançou tanto assim. Por essa razão questiono, no sentido de melhorarmos as nossas estratégias.

Abraços, Paulo.


Amilcar Brunazo Filho wrote:

>Vejam o video com o depoimento de um programador perante a Comissão >Eleitoral de Ohio em 13/12/2004 em:
>
>   http://www.youtube.com/watch?v=4IfSVQK7Jvo%C2%A0
>
>O que vocs acham?
>
>[ ]s
>   Eng. Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP
>   www.votoseguro.org
>   -----------------
>   SEI EM QUEM VOTEI,
>   ELES TAMBÉM,
>   MAS SÓ ELES SABEM QUEM RECEBEU MEU VOTO
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