Vejam a matéria sobre as urnas eletrônicas que saiu na agencia Radiobrás
hoje, dia 27/07.

Achei muito boa.

O reporter Daniel Merli teve o cuidado de  ouvir as duas partes, o TSE e os
critícos, e apresentou os dois pontos de vista com  equilíbrio.

Vejam a matéria em:

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2006/07/26/materia.2006-07-26.7335927105
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2006/07/26/materia.2006-07-26.2798895506/view

[ ]s
  Amilcar Brunazo Filho
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Especialistas em computação pedem mudanças no sistema eletrônico de votação

Daniel Merli
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Entrevista à Tv Nacional, do professor da Universidade de
Brasília, Pedro Rezende.

Brasília - O sistema de votação eletrônica, que completa este ano uma década
de uso no país, ainda precisa ser melhorado para reduzir a possibilidade de
fraudes, defendem especialistas em segurança de dados. Segundo esses
técnicos, a principal forma de aperfeiçoar a urna eletrônica seria a
impressão de um comprovante do voto. O papel seria depositado em outra urna,
o que permitiria conferir a votação nos dois sistemas.

“Fazendo as duas votações, há uma forma de conferir o sistema impresso com o
eletrônico”, defende Amílcar Brunazo, engenheiro especializado em segurança
de dados e representante técnico do Partido Democrático Trabalhista (PDT).
Segundo ele, “um sistema garante o outro”, já que, se um dos dois for
fraudado, a diferença vai ser percebida.

Brunazo é um dos técnicos que assinaram uma carta pública em favor da
impressão de um comprovante do voto, em 2003. Diversos professores da área
de computação, de algumas das maiores universidades do país, apoiam o
manifesto. “Resolveram o problema de fraude simplesmente tornando a fraude
indetectável”, critica Jorge Stolfi, professor do Instituto de Computação da
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), outro dos especialistas
responsáveis pelo documento. “Criou-se um sistema que é perfeito
simplesmente porque é impossível descobrir seus defeitos.”

“Que sistema é mais seguro, um que precisa de um batalhão de fraudadores ou
um que pode ser alterado por um único programador?”, questiona Pedro
Rezende, professor da Universidade de Brasília (UnB). Outro dos
especialistas que assina o manifesto em favor da impressão do voto, Rezende
cooordena o programa de extensão em Segurança Computacional da UnB.

“O TSE [Tribunal Superior Eleitoral| sempre parte do princípio de que ele
próprio é confiável. Isso não está em questão”, afirma Stolfi, da Unicamp.
“O perigo é que alguém se infiltre no TSE ou na empresa fabricante da urna e
altere o programa. Essa possibilidade é enorme, já que o sistema é tão
complexo que é virtualmente impossível que qualquer alteração seja
percebida.”

Rezende, da UnB, explica que o problema é a própria lógica adotada pelo TSE
de que um sistema de informática é tão mais seguro quanto mais fechado ele
seja e quanto menos pessoas o controlem. “Nós já pensamos que, quanto maior
o controle do cidadão, mais seguro. Esse é o princípio básico da
democracia”, afirma ele. “Do contrário, é a seita do santo byte, que o poder
está em quem controla a informação. Ele normatiza, executa e julga os
próprios atos”, ironiza.

Os princípios defendidos pelos técnicos não são aceitos pelo Tribunal
Superior Eleitoral. Giuseppe Janino, secretário de Tecnologia da Informação
do TSE, considera que a impressão do voto seria um retrocesso. “Você precisa
fazer a verificação do sistema eletrônico de forma eletrônica e não voltar
ao processo manual”, afirma ele.
“Retrocesso é ter um resultado que não pode ser averiguado”, rebate Brunazo,
do PDT. Para defender seus argumentos, o engenheiro também se baseia no
documento “Maquinaria da Democracia: Protegendo Eleições em um Mundo
Eletrônico”, do Centro Brennan de Justiça, um instituto de pesquisa da
Escola de Direito de Nova York. O relatório, elaborado por uma equipe de
técnicos norte-americanos, analisou diversos tipos de urnas eletrônicas.
Conclui recomendando a impressão do voto, considerada “um passo adiante para
tornar muito mais difíceis os ataques (de fraudadores)”.

Outro documento usado por Brunazo para embasar suas argumentações é o
relatório da organização não-governamental  norte-americana Black Box
Voting. A ONG realizou testes com urnas da empresa Diebold, a mesma
fabricante da urna usada nas votações brasileiras. Os testes, segundo a
Black Box Voting, indicam que é possível, sim, manipular os programas de
computador  responsáveis por fazer a urna funcionar. Em 2004, as urnas
eletrônicas da Diebold foram banidas pelo governo do estado norte-americano
da Califórnia, por suspeita de fraude.
O manifesto dos técnicos está disponível em www.votoseguro.org e conta
também com assinaturas de cientistas ligados à Universidade de São Paulo e à
Universidade Federal Fluminense. O documento foi redigido à época da
tramitação no Congresso do projeto de lei n. 1503/03, que, aprovado,
eliminou a necessidade de a Justiça Eleitoral providenciar a impressão do
voto, para conferência do eleitor. Em 2002, essa impressão aconteceu
integralmente em Sergipe e no Distrito Federal. Nos demais estados, foi
feita apenas em algumas urnas, por amostragem.

        
27 de Julho de 2006 - 11h28 - Última modificação em 27 de Julho de 2006 -
14h48

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Impressão de voto é retrocesso e sistema de urnas já é eficaz, considera TSE

Daniel Merli
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Modelo de urna eletrônica que será usado nas próximas eleições.

Brasília - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não considera necessária a
impressão do voto para aumentar a segurança da urna eletrônica. A volta do
sistema impresso seria um “retrocesso”, na avaliação de Giuseppe Janino,
secretário de Tecnologia do TSE. Segundo ele, devem ser aperfeiçoados os
mecanismos eletrônicos de segurança, em vez de se voltar ao sistema impresso
como forma de garantir o eletrônico.

“Os dispositivos de auditoria dos sistemas eletrônicos são mais eficazes que
a impressão do voto”, afirma. Janino considera, ainda, que a impressão
“permite uma nova possibilidade de fraude” no voto em papel.

Entre os dispositivos de segurança atualmente utilizados no sistema, o
secretário do TSE considera que o principal é a assinatura digital. Quando a
urna é lacrada, é criada uma assinatura, ou marca eletrônica, para cada
equipamento. Se o programa da urna for alterado, a violação será acusada na
assinatura digital.

Outro sistema de segurança já usado pelo TSE é a votação em paralelo. No dia
da votação, são sorteadas algumas urnas, para se fazer uma votação
não-oficial e comprovar se o resultado não foi alterado.

A assinatura digital não é considerada um sistema seguro pelos especialistas
que defendem a impressão do voto. A assinatura digital também pode ser
falsificada, segundo Pedro Rezende, professor da Universidade de Brasília
(UnB). Até o início do ano, Rezende era o representante da Sociedade
Brasileira de Computação no Comitê da Infra-estrutura de Chaves Públicas,
responsável pela segurança dos dados que trafegam pela Internet no Brasil,
como transações bancárias e comerciais, por exemplo.

Rezende considera que o programa da urna pode ser alterado para não exigir o
código. “O próprio inventor da assinatura digital não aconselha o uso dela
na urna”, afirma Amílcar Brunazo, engenheiro que é representante técnico do
Partido Democrático Trabalhista (PDT). Brunazo se refere a Ronald Rivest,
cientista norte-americano que é um dos responsáveis pelo relatório
“Maquinaria da Democracia: protegendo eleições em um mundo eletrônico”, do
Centro Brennan de Justiça, um instituto de pesquisa da Escola de Direito de
Nova York.
O relatório, elaborado por uma equipe de técnicos norte-americanos, analisou
diversos tipos de urnas eletrônicas. Conclui recomendando a impressão do
voto como “um passo adiante para tornar muito mais difíceis os ataques”. No
documento, Rivest não lista a assinatura eletrônica entre as recomendações
para evitar fraudes.


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