Cara Denise,

Me desculpe a sinceridade mas achei decepcionante a máteria que você publicou na Gazeta do Povo sobre as urnas eletrônicas.

Você me entrevistou por um bom tempo. Eu lhe passei até as cópias das petições que demonstram que as afirmações oficiais do TSE são falsas.

Eles afirmam que os sistemas estão a disposição dos partidos por seis meses desde abril. Eu lhe passei cópia das 3 petições (de junho, julho e agosto) que solicita a apresentação dos sistemas VirtuOS e Win CE das urnas-e e que demonstram que os sistemas não estão lá disponíveis para análise.

Confirmei que eles ainda não responderam as petições... Sugeri que vocês lhes perguntasse porque estes sistemas não estão lá disponíveis.

E você publicou apenas a afirmação deles (que os sistemas estão disponíveis) e nadinha das provas que lhe forneci de que esta afirmação é inverídica.

Eles afirmam que com "assinatura digital, e sua verificação em vários níveis de segurança, eliminam qualquer possibilidade de fraude"

Eu lhe apresentei o relatório Brennan onde entre outros, nada menos que o inventor da técnica de assinatura digital, Prof. Ronald Rivest, sugere o uso do voto impresso para dar garantia a sistemas eleitorais eletrônicos reconhecendo, implicitamente, que a assinatura digital não é suficiente para "afastar qualquer possibilidade de fraude".

Ainda, lhe enviei cópia da petição conjunta PT e PDT pedindo para testar e demonstrar que existe, sim, a possibilidade de fraude nas urnas. Sugeri-lhe que perguntasse ao secretário de informatica porque ele afirma que o sistema é invulnerável mas não deixa o sistema ser testado como os partidos querem.

Falei do Vídeo do Paraguai que mostra que a verificação de integridade (por meio de assinaturas digitais) das urnas brasileiras lá utilizadas, foi burlada.

E você só publicou a afirmação oficial inverossímel da invulnerabilidade do sistema não citando absolutamente nada das provas que a afirmação não procede.

Você replicou a propaganda oficial sobre a "tecnologia exportada pelo TSE para oito países da América" mas omitiu a informação que lhe passei que a tecnologia das urnas-e brasileiras foram rejeitadas e até proibidas na Venezuela, em 27 Estados dos EUA e em 2 Estados do Canadá.

Enfim, Denise, vejo que eu e o Stolfi perdemos nosso tempo lhe dando atenção, porque o que você publicou é pura repetição das notas oficiais do TSE.

Imprensa domesticada...

Se era pra fazer propaganda deles, sem analisar o conteúdo do que temos a lhe oferecer, não precisava ter nos procurado.

[ ]s
  Eng. Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP

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   FRAUDE e DEFESAS no Voto Eletrônico
    http://www.votoseguro.org/livros
        se quiser compreender a
    insegurança da urna eletrônica

Denise Adriano Drechsel escreveu:
Caro,
Saiu ontem. Segue abaixo.
Obrigada pela entrevista,
Denise


Eleições 2006
> No futuro, TSE quer implantar sistema de verificação da
impressão digital dos eleitores

Urnas eletrônicas completam 10 anos

Curitiba – Brasileiros com menos de 22 e alguns até 26 anos não
conheceram o sistema de votação em papel. Desde 1996, o país passou a
utilizar urnas eletrônicas em um terço do eleitorado e a partir do ano
2000 estendeu a tecnologia para todas as zonas eleitorais. O Brasil é o
único país no mundo a adotar um sistema informatizado em todas as fases
da eleição, sem a impressão dos votos. Em outubro serão 432.630 urnas
eletrônicas para 126 milhões de pessoas.

A rapidez na apuração é incomparável. Em 1994, por exemplo, a Justiça
Eleitoral demorou 14 dias para confirmar a vitória de Fernando Henrique
Cardoso para a presidência. Em 2002, quando o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva venceu o pleito, o resultado foi confirmado no próprio dia
da realização do segundo turno, 27 de outubro.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o responsável pela propriedade
intelectual do sistema. Por meio de licitações contratou fornecedores
para a produção dos equipamentos e softwares em uso. Para os próximos
anos, estuda a possibilidade da adoção de urnas eletrônicas com leitores
biométricos capazes de identificar os eleitores pela impressão digital.
Neste ano foram adquiridas 25 mil máquinas com esse dispositivo para
testes. “O projeto está em estudo, mas ainda não temos previsão de
quando poderá ser aplicado oficialmente. Será necessário fazer
adequações como, por exemplo, um recadastramento dos eleitores”, explica
Giuseppe Janino, Secretário de Tecnologia da Informação do TSE.

Segurança

A rapidez é inegável, mas a confiabilidade do sistema ainda é
questionada por especialistas em informática e técnicos de partidos. “Em
teoria seria possível que uma pessoa dentro do TSE pudesse fraudar a
eleição”, opina Jorge Stolfi, diretor do Instituto de Computação da
Unicamp.
“Tanto é assim que nos Estados Unidos, por exemplo, os estados que
quiseram adotar o processo eletrônico de votação acabaram não o fazendo
ou optando por um meio de votação eletrônica aliado a impressão do voto
para garantir a lisura do procedimento e uma possível recontagem se
houver necessidade. O processo também é polêmico na União Européia,
principalmente na Inglaterra”, completa.

O engenheiro Amilcar Brunazo Filho, representante técnico do PDT e autor
do livro Fraudes e Defesas no Voto Eletrônico, da All-Print Editora,
reclama que ainda é difícil fiscalizar o resultado do voto eletrônico.
“Encaminhamos vários questionamentos à Justiça Eleitoral que ainda não
foram respondidos. Na minha opinião, seria necessária a impressão do
voto e uma auditoria externa, fora do TSE, para a segurança do eleitor”,
afirma.

Giuseppe Janino, do TSE, defende que, dentro de uma série de
procedimentos, a tecnologia adotada no Brasil e exportada para oito
países latino-americanos – Paraguai, Argentina, Equador, México, Costa
Rica, Honduras, República Dominicana e Panamá – é segura. “O conjunto
envolve ferramentas e controles que impedem qualquer interferência. O
sistema é fechado sem nenhum contato com o mundo externo”, declara.

Quanto à fiscalização, Janino lembra que os programas das urnas estão
disponíveis para verificação de qualquer cidadão seis meses antes do
primeiro turno. No início de setembro, o TSE reunirá, como é de praxe
nos anos de eleição, representantes dos partidos, da Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB) e do Ministério Público, para atestarem a lacração dos
sistemas. “Pela assinatura digital é possível verificar se o programa de
urna é o mesmo que foi homologado. Além disso, há outros sistemas de
proteção, em vários níveis que eliminam a possibilidade de fraude”,
garante.

Denise Drechsel


Linha do tempo

O Brasil foi o primeiro país a utilizar urnas eletrônicas e um sistema
informatizado de apuração em todas as fases da eleição. Oito países
latino-americanos testaram a tecnologia brasileira.

1996
74.790 urnas
33 milhões de eleitores
A urna eletrônica é utilizada pela primeira vez nas eleições municipais,
em cidades com mais de 200 mil eleitores.

1998
163.424 urnas
75 milhões de pessoas

2000
355.100 urnas
109,7 milhões de pessoas
Primeira eleição brasileira 100% informatizada.


2002
406.660 urnas
115,3 milhões de pessoas
2004
407.092 urnas 121,3 milhões de pessoas Neste ano, o lote de urnas referente a 1996 foi doado ao Paraguai.

2006
432.630 urnas
Expectativa de uso em outubro: 126 milhões de eleitores.


Futuro

O TSE pretende adotar, nas eleições 2008 ou 2010, 25.538 urnas
adquiridas neste ano dotadas de leitor biométrico que identificarão o
eleitor por meio da sua impressão digital.


Outros países que utilizam a tecnologia nacional
Paraguai
As urnas foram usadas em três eleições, inclusive em pleito
presidencial.
Argentina
O equipamento foi utilizado em uma eleição para o governo da província
de Buenos Aires.

Equador
Urna utilizada em eleição municipal.
México, Costa Rica, Honduras, República Dominicana e Panamá – testaram o
sistema.

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O texto acima e' de inteira e exclusiva responsabilidade de seu
autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
representa necessariamente o ponto de vista do Forum do Voto-E

O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas
eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas.
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