Prezados amigos,
Sobre essa nota da Veja é uma excelente notícia. Além disso, lendo o
texto, me ocorreu um argumento à mais sobre o absurdo desse projeto de
urnas eletrônicas no Brasil. Sendo otimista, as 25000 urnas que estão
sendo repostas devem datar de 1996, já que antes não haviam urnas
eletrônicas em operação no Brasil. Isso quer dizer que essas 25000 urnas
hoje obsoletas foram utilizadas, no melhor dos casos, umas 10 vezes. Ou
seja, esse projeto faraônico custa os tubos para a compra de
computadores que serão usados em média e no melhor dos casos 10 vezes,
depois vão para o lixo! Com tanta escola no Brasil que nem papel
higiênico tem nos banheiros, muito menos computadores!!! É um escândalo
e uma vergonha! É impressionante que a imprensa nacional ainda faz coro
ao ufanismo barato do TSE, defendendo essas urnas fabricadas pela
quadrilha Diebold americana e que roda Windows da Microsoft, sem se
colocar questões de fundo.
Abraços,
Paulo.
Amilcar Brunazo Filho a écrit :
Saiu na Revista Veja desta semana (ed. 1970, 23/08/2006):
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Por que mudar?
Orçada em 1 bilhão de reais, nova urna
não aumenta a segurança do voto
Renata Peña
Nas próximas eleições de outubro, das 430.000 urnas eletrônicas que
estarão em uso no país, 25.000 trarão uma novidade: um leitor de
impressões digitais para a identificação dos eleitores, sem que seja
necessária a apresentação de documentos. O equipamento, contudo, só
entrará em funcionamento em 2012 – até lá, será apenas adereço de urnas
compradas em substituição às que não funcionam mais. Para que o leitor
passe a funcionar, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precisa
providenciar o cadastramento das impressões digitais dos 126 milhões de
eleitores. O custo do processo, equipamentos incluídos, está estimado em
1 bilhão de reais. É de supor que tanto dinheiro investido retorne, para
o eleitor, na forma de mais praticidade e segurança na hora de votar,
certo? Errado. Na opinião de especialistas, a implantação do novo
sistema pode até ajudar a evitar que um eleitor se passe por outro no
momento de escolher seu candidato, como afirma o TSE, mas não elimina
aquela que é considerada uma das maiores falhas do atual sistema de
votação: o grau de vulnerabilidade que ele oferece em relação ao sigilo
do voto.
Especialistas sempre criticaram o fato de, nas eleições brasileiras, a
identificação do eleitor ser feita na mesma máquina em que ele registra
o seu voto. Hoje, ao chegar à seção eleitoral, o eleitor se dirige ao
mesário e apresenta um documento de identidade. O mesário localiza o seu
nome no cadastro e libera a máquina para votação. Faz isso usando um
terminal conectado à urna – e é aí que mora o problema. “O fato de o
terminal que identifica o eleitor estar ligado à urna dá margem para
que, por exemplo, uma programação mal-intencionada junte os dados do
eleitor com o voto que ele digitou, acabando com a inviolabilidade da
escolha”, afirma o engenheiro Amilcar Brunazo Filho, autor do livro
Fraudes e Defesas no Voto Eletrônico. O novo sistema reproduz fielmente
o modelo atual: como ocorre hoje, a máquina que identifica o eleitor –
nesse caso, o leitor de impressões digitais – também estará conectada à
urna. “A mudança proposta pelo TSE não diminui o risco de quebra do
sigilo”, diz Jorge Stolfi, professor do Instituto de Computação da
Unicamp. Também não apagará outro problema: a impossibilidade de
recontagem de votos em um sistema que não prevê a impressão. Em grande
parte dos estados americanos, o voto é digitado de forma eletrônica – e
impresso em seguida. “Um equipamento que permitisse a impressão do voto,
este, sim, seria um investimento que valeria a pena”, afirma Brunazo.
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