Olá,

Está disponível a partir de:
  http://www.votoseguro.org/textos/alagoas1.htm
um relato sobre o recente relatório do Prof. Clóvis Torres Fernandes, do ITA, que analisou o funcionamento das urnas eletrônicas usadas no primeiro turno da eleição de Alagoas em 2006.

Este Relatório Fernandes-ITA deverá se tornar um novo marco do debate sobre a confiabilidade do voto eletrônico no Brasil, pois demonstra que:

* Mais de 35% das urnas eletrônicas geraram arquivos de controle (logs) corrompidos ou incompletos; * Desconsiderando aquelas que deixaram de registrar o evento obrigatório do auto-teste, ainda restam mais de 7% de urnas com funcionamento irregular; * Há casos em que outros arquivos do sistema, como o de resultados e o de assinaturas digitais, foram alcançados pelos erros no funcionamento das urnas; * Há diferença de mais de 20 mil votos entre o total oficial e o registrado nos arquivos de controle.

Considerando-se as premissas:
1. as urnas operaram de forma irregular;
2. outros tipos de arquivos foram alcançados pela perda de integridade no funcionamento do sistema; 3. o administrador eleitoral recusou fornecer os arquivos de votos digitais para auditoria externa independente; 4. há diferença entre os totais de votos registrados em duas fontes diferentes do mesmo sistema;

conclui-se que é precipitada e pouco fundamentada a afirmação dos funcionários da secretaria de informática do TSE, de que o resultado da eleição Alagoas não teria sido afetado pelo mau funcionamento das urnas.

A posição do administrador eleitoral revela apenas um apelo à crença cega na palavra de seus funcionários e que a sociedade abdique de auditar o processo eleitoral.

Mas, deve-se acatar a palavra dos administradores do processo eleitoral, que impedem a auditoria dos resultados, ao afirmarem que urnas eletrônicas mesmo com mau funcionamento comprovado ainda assim produzem resultados confiáveis e inquestionáveis?

Estudos preliminares sobre os arquivos de controles de urnas eletrônicas em outros Estados indicam que lá o ocorreu o mesmo problema ocorrido e encontrado nas urnas eletrônicas de Alagoas, embora ainda não tenha sido quantificado como já foi em Alagoas pelo prof. Clóvis Fernandes.

Se fosse adotado como regra que urnas com funcionamento irregular, determinado e comprovado pelos seus respectivos arquivos de controle, tivessem seus resultados excluídos da apuração final, certamente haveria mudanças significativas entre os eleitos aos diversos cargos majoritários e proporcionais.

Desta forma, passam a ter sua eleição naturalmente colocada em dúvida aqueles eleitos com uma pequena margem de votos, como é o caso dos governadores eleitos com margem inferior a 1 ou 2% e dos deputados classificados nas últimas vagas.

Isto leva à principal conclusão sobre a confiabilidade do voto eletrônico no Brasil:

De forma semelhante que ocorre com as pesquisas eleitorais, o sistema eletrônico de votação e apuração brasileiro não possue 100% de precisão na aferição do resultado eleitoral.

Assim, o resultado oficial deveria ser comunicado da seguinte forma: "O candidato Fulano de Tal teve XX votos mais ou menos Y%".

Resta aprofundar um estudo estatístico independente sobre os dados oficiais de controle e de resultados (Arquivos de Registro Digitais dos Votos) para determinar qual é esta margem de precisão do sistema eletrônico de apuração brasileiro.

Mas a possibilidade de ter que alterar o resultado eleitoral após uma auditoria da apuração incomoda boa parte dos administradores eleitorais, e até dos políticos eleitos que preferem não ver contestado o sistema que os elegeu, resultando em autoritarismo e rigidez de procedimentos e, consequentemente, acaba por criar este sistema eleitoral brasileiro cujos resultados, na prática, são inauditáveis.

Por isto na sugestão acima se fala em estudo INDEPENDENTE.

Para encerrar, ressalte-se que o Prof. Clóvis Torres Fernandes do ITA é mais um especialista em computação e segurança de sistemas que se manifesta favorável a adoção do Voto Impresso Conferido pelo Eleitor como forma de permitir uma auditoria automática da apuração eletrônica de votos, atenuando o problema da confiabilidade do sistema eletrônico de votação.

[ ]s
  Eng. Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP

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