A todos
Não recebi o texto completo de nosso velho conhecido Ricardo L. A. Banffy -
participante da programação das urnas-e (pena que não aceitou nosso convite
para participar do Fórum e debater conosco, em alto nível, sem posições
pré-concebidas). Do jeito que recebi (texto abaixo) está um pouco confuso:
parece que há outro interlocutor, não identificado. Se o Hudson separasse os
textos, seria conveniente.
Do que entendi, as respostas e links do Hudson satisfazem. Reforço a idéia
de
que, em lugar de se lamentar de incompreensões alheias, o Sr. Banffy deveria
unir seus conhecimentos aos nossos esforços e tentar convencer aos arrogantes
controladores desse sistema eleitoral bichado(TSE) a aperfeiçoá-lo, afastando
tantas possibilidades de fraudes. Afinal, um mínimo de preocupação com
Segurança de Dados não faria mal a ninguém. Os atuais detentores do absurdo
poder do TSE não são culpados pelo sistema cheio de furos que receberam, mas o
são por continuarem arrogantes e avessos a quaisquer aperfeiçoamentos,
rejeitando testes, omitindo dados e perícias, escondendo suspeitas e denúncias,
continuando com sua propaganda enganosa.
Parafraseando o Sr. Banffy, registro que 'O que me causa irritação é ver
pessoas, cujo trabalho não tenho por que desrespeitar, cometerem um erro de
lógica tão banal, ao enunciar a falácia pela qual só porque eles escreveram
milhares de linhas de código, todos nós, mortais inferiores, estamos impedidos
de criticar um sistema, do qual a urna-e é parte importante, cujo resultado
final (apesar de todas as boas intenções e competência do Sr Banffy e colegas)
é inseguro, fraudável, inauditável, que não respeita o preceito constitucional
do voto secreto, de resultados não confiáveis e cujos detentores (TSE)
negam-se a permitir que provemos todos esses desonrosos qualificativos. E que
nos enfiam goela abaixo como 'inexpugnável', sem que o Sr. Banffy e colegas
protestem contra quem provocou tal degeneração em relação às boas intenções
deles.'
Observações: Sou um dos que já escrevi milhares de linhas de código. Temos
feito, no Fórum, clara distinção entre sistema eleitoral eletrônico e urna
eletrônica; infelizmente, os dois, nas versões atuais, estão claramente
reprovados.
Abraço
Walter Del Picchia - S.Paulo/SP
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Em Seg, Janeiro 22, 2007 11:57 pm, Hudson Lacerda escreveu:
Ricardo L. A. Banffy escreveu:
[...]
> Eu iria mais longe. Eu diria que a impossibilidade de terceiros
> garantirem a segurança das urnas é apenas um sintoma do problema maior
> do TSE. Todos esses problemas derivam daí. Quem fez as urnas fez tudo o
> que podia para que elas fossem tão seguras quanto possível dentro das
> limitações impostas pelo TSE. É o TSE que decide o processo. As urnas
> são apenas ferramentas.
[...]
> O que me causa irritação é que, com desagradável frequência, vejo o meu
> trabalho e o de alguns colegas pelos quais tenho o maior respeito ser
> questionado por pessoas que nunca escreveram uma linha de código sequer
> e que nem mesmo entendem que existe uma distinção entre urna eletronica
> e sistema informatizado de eleições.
[...]
Se as "limitações impostas" pelo TSE são tais que resultam em trabalho
mal feito -- apesar do trabalho sério de alguns, não vejo porquê esses
alguns deveriam se colocar/sentir no alvo das críticas. Saia do meio do
fogo cruzado e deixe as setas ferirem o TSE.
Ademais, existem técnicos e técnicos -- uma distinção que os críticos do
sistema eleitoral, ao que seu texto indica, deveriam possivelmente ser
mais cautelosos em notar ao escrever as críticas. Refiro-me a:
(1) técnicos "de carreira" dos TREs e TSE, empenhados em produzir e
propagar as falácias do sistema;
-- um exemplo é Jorge Leurrer, ao escrever um artigo para o Zero Hora do RS:
http://br.geocities.com/hfmlacerda/softwarelivre/leurrer.txt ;
-- outro exemplo é o da prestação de informação inverídica de "falta de
papel" pela Secretaria de TI do TRE-SP, que levanta a suspeita de
tentativa de dificultar/impedir a fiscalização da totalização:
http://br.geocities.com/hfmlacerda/softwarelivre/bu-2006.txt
(2) técnicos contratados temporariamente para trabalhar "dentro das
limitações impostas pelo TSE [já que] É o TSE que decide o processo."
[...]
>> Desse modo, você faz o jogo dos controladores das eleições, que para
>> se esquivarem de denúncias, inviabilizam sua investigação e comprovação.
>
>
> Enquanto não produzirem alguma prova, estão apenas produzindo ruído. Ao
> combater a urna e não combater o acúmulo de responsabilidades do TSE
> estão apenas gerando mais barulho, criando uma distração, prejudicando a
> credibilidade de quem de fato sabe do que está falando e evitando que se
> enfrente o verdadeiro problema.
Uma coisa não exclui a outra. Os membros do Fórum do Voto Seguro
combatem ambos: o acúmulo de poderes do TSE e a inadequação técnica das
urnas eletrônicas. Se você se der o trabalho de visitar o sítio do
fórum, verá que o ruído (p.ex. dizer que combate-se só a urna-e) é
produzido em outro lugar:
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/pl5057-alves.htm
http://www.brunazo.eng.br/voto-e/indice.htm#resumo
http://www.votoseguro.org/textos/projetoslei.htm
http://www.votoseguro.org/
A propósito, sugiro ao Fórum do Voto Seguro revisar o resumo das
críticas e sugestões, pra enfatizar que há problemas técnicos e políticos.
[...]
> Se a Justiça Eleitoral não respeita leis e ignora denúncias,
> dificilmente dá pra chamar isso de problema técnico.
>
>> Espero ter expressado com clareza minha visão das coisas, e que o que
>> escrevi acima o ajude a entender em que sentido sua lista de questões
>> podem ser consideradas ``irrelevantes'': denunciar as barreiras à
>> produção de provas é mais importante, estrategicamente, do que
>> conseguir todas as respostas àquelas questões.
>
>
> Expressou sim. Quanto às perguntas, eu mantenho que irrelevante é
> questionar o funcionamento de máquinas quando as instituições que
> deveriam operá-las, garantí-las e auditá-las não parecem nem capazes nem
> dispostas a fazê-lo.
>
> Isso atrai o nosso fogo para um alvo de baixo valor, desperdiça nossa
> munição e nossa energia.
[...]
Vejo as coisas de modo diferente, e pelo que se nota, outros membros (e
ex-membros) do fórum do voto seguro tendem, como eu, a preferir a
estratégia de atacar em várias frentes simultaneamente ao invés de
apostar tudo contra as barreiras do forte principal.
Espero que, com a ajuda dessa sua contribuição, possamos reavaliar
quanta munição deve ser usada em cada frente, e refletir sobre táticas
para a divulgação dos problemas do sistema eleitoral.
Note que há outras pessoas, não ligadas ao Fórum, que investigam o
assunto e publicam suas conclusões.
Veja, por exemplo, como o historiador Pedro Eduardo Portilho de Nader,
denuncia *obscurantismo no discurso oficial*, analisando o que é dito e
o que não é dito pelos representantes da Justiça Eleitoral:
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=404IPB006
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Hudson Lacerda
*THE WAR IN IRAQ COSTS: http://costofwar.com/
*NÃO DEIXE SEU VOTO SUMIR! http://www.votoseguro.org/
*Apóie o Manifesto: http://www.votoseguro.com/alertaprofessores/
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autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
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eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
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