A todos

     O desembargador Ilton volta com tudo! Em seu blog   
http://dellandrea.zip.net/ 
acaba de publicar, no dia 24/01/07,  um belo texto sobre o caso de Alagoas.
Deixei lá o meu comentário. Ao Ilton nossos cumprimentos.

     Abraço

     Walter Del Picchia - S.Paulo/SP

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Eis o texto:

24/01/2007 - URNA ELETRÔNICA: DEPOIS DA TRAMPA, A TRANCA!

Ontem, ao voltar de Santa Catarina, deparei com a Veja de hoje e a chamada de 
capa:
TSE apura se houve crime em falha de urnas eletrônicas.

A matéria se baseia em laudo do Instituto Tecnológico da Aeronáutica que 
conclui que
as urnas de Alagoas apresentaram resultados suspeitos..

No início da reportagem uma afirmativa estapafúrdia: Não passa pela cabeça de
ninguém questionar a lisura do sistema. Veja quer ter o privilégio da 
exclusividade?
Então os editores não lêem meu blog? Certo. Seria exigir demais. Mas nunca 
ouviram
falar do Voto Seguro (que publica ampla matéria sobre o mesmo caso e transcreve
parte do relatório do ITA) nem do livro Fraudes e Defesas no Voto Eletrônico, de
Amílcar Brunazo Filho e Maria Aparecida Cortiz? Daí já é demais. Veja quer 
informar
sem estar informada?

Por ora o encanto da urna se quebrou apenas em Alagoas, embora no final a 
reportagem
refira também o caso de Rondônia, sob investigação da PF, envolvendo técnicos do
Tribunal Regional Eleitoral de lá.

No dia do primeiro turno das eleições o jornal O Sul, de Porto Alegre, publicou
artigo meu sobre a urna eletrônica. À noite, pela TV Guaíba, o Diretor Geral do 
TRE
afirmou que, ao contrário do que se dizia, as urnas eram absolutamente seguras.
Assim também na entrevista que concedi à Rádio Câmara em 20/09/2006: o 
diretor-geral
do TSE, Athayde Fontoura Filho, disse o mesmo. Eles continuarão firmes nas suas
posições desmentidas?

Acompanhei as apurações no Rio Grande Sul. Não lembro se foi no primeiro ou no
segundo turno, mas em um deles a rádio Guaíba noticiou atraso na apuração face a
problemas da transmissão de dados de uma Zona Eleitoral (114 ou 154). A 
totalização
dos votos só veio de madrugada, depois das 4,00 horas, mas sobre o assunto 
ninguém
mais comentou. Fez-se boca pequena. Ninguém explicou a origem, a compleição e a
natureza dos problemas muito menos a solução encontrada...

Agora o presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, determinou que seja 
feita
uma rigorosa investigação sobre o caso.

Estou muito curioso para saber quem fará a tal investigação. O próprio TSE? Mas
então aquele que investiga será o mesmo que vai julgar? O que fará o TSE se as
fraudes forem comprovadas? Realizará novas eleições? Quando? E os eleitos
virtualmente, que tomaram posse, serão despejados de seus cargos? E os eleitos
realmente, tomarão posse? Por quanto tempo? Eles foram eleitos para quatro anos 
mas
daqui a quatro anos ocorrerá outra eleição e o tempo é inexorável: eles terão os
seus mandatos podados por metade, ou mais, ou menos? Como se restabelecerá a 
Justiça
e a justeza?

Pelos precedentes que conheço, tudo vai acabar num estrondoso nada.

Mas espero que isto tenha, pelo menos, servido de lição e que, por isto, nas
próximas eleições retornemos à Idade do Papel com a impressão do voto do eleitor
para eventualmente ser cotejado com o conteúdo da urna. Ou que deixemos de
megalomania e voltemos à antiga e confiável cédula comum, quando as fraudes eram
pontuais e não setoriais, como hoje: agora se pode, muito facilmente, 
comprometer
uma secção eleitoral inteira; antes, apenas votos de uma secção.

É preciso sair da Idade das Trevas das Urnas Eletrônicas, que podem esconder
verdades que jamais serão descobertas.

Nem sempre progresso é sinônimo de evolução. A urna eletrônica, como usada no
Brasil, é apenas um aparato técnico acelerador de contagem e dissimulador de
processos de conferência, mais nada.

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