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Assunto:        Página do PDT-RJ enviada por maneschy
Data:   Wed, 11 Jul 2007 21:49:02 GMT
De:     maneschy <[EMAIL PROTECTED]>

08/07/2007

"Urnas eletrônicas permitem pequenas e grandes fraudes"

Ascom PDT


As urnas eletrônicas em uso no Brasil permitem pequenas e grandes
fraudes, afirmou o engenheiro Amilcar Brunazo Filho, representante do
PDT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em resposta ao deputado
Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) na audiência pública da Subcomissão do Voto
Eletrônico realizada na última quarta-feira (04/07) no plenário 15 da
Câmara dos Deputados, em Brasília. Segundo Brunazo, enquanto o voto não
for impresso, não haverá recontagem e as eleições brasileiras serão
inseguras.

Brunazo exemplificou como pequena fraude a urna eletrônica permitir
que mesários desonestos votem pelo eleitor, já que têm acesso ao número
do título e podem disponibilizar a máquina para o voto; e grande
fraude a possibilidade de programas de votação ou totalização serem
modificados. Em termos de segurança, é mais fácil garantir a
transferência de um milhão de dólares pelo computador do que a
inviolabilidade de um único voto eletrônico, argumentou.

Segundo o engenheiro que coordena desde 1998 o Fórum do Voto Eletrônico
(www.votoseguro.org <http://www.votoseguro.org/>) - página na Internet
que discute a segurança do voto eletrônico - já foram identificados até
agora 120 pontos passíveis de ataques: da elaboração do programa à
totalização. Brunazo acredita que bastem três pessoas desonestas para
fraudar uma eleição: alguém interessado em mudar o resultado, um técnico
da Justiça Eleitoral disposto a facilitar o crime; pelo menos um
fiscal partidário omisso ou incompetente.

O pior, acrescentou, é que quase impossível ter prova da fraude ou do
resultado produzido pela urna eletrônica devido a falta de comprovante
de votação. Situação agravada pela dificuldade de se obter informações
da Justiça Eleitoral.

Ao contrário dos sigilos telefônico e bancário, que ficam armazenados
para posterior consulta em caso de necessidade, o voto é secreto e
inviolável, daí a dificuldade para se conferir resultados sem a
materialização (impressão) do voto. O sigilo do voto é uma das bases da
democracia e no caso brasileiro, uma das cláusulas pétreas da Constituição.

O voto dos brasileiros  para ser conferido  depende integralmente da
boa vontade da Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e
os TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) não só promovem as eleições,
como determinam o que os fiscalizadores delas (partidos e candidatos)
podem fazer, além de decidirem o que é ou não cabível fazer. A Justiça
Eleitoral brasileira concentra os três Poderes: o Executivo, o
Legislativo e o Judiciário, criticou Amílcar Brunazo.

No caso do voto eletrônico, destacou, a tendência mundial é evoluir para
o uso de duas máquinas para garantir a segurança e a inviolabilidade:
uma onde o eleitor faz as suas escolhas e imprime eletronicamente um
boleto, que ele confere para ver se os votos foram para os candidatos
escolhidos; outra máquina, um /scanner/, que totaliza o resultado. Há
também variáveis como a existente na Flórida, onde o eleitor preenche
manualmente a cédula e, depois, ela é lida por um /scanner/, o mesmo que
totaliza o resultado.

Já no Brasil, acrescentou, o uso de uma máquina que ao mesmo tempo capta
o voto e totaliza o resultado, sem materializar em papel o sufrágio, é
um processo inseguro  tanto que em 37 estados norte-americanos seria
impossível usá-la pelo fato de não permitir a recontagem. A verdade
eleitoral exige a recontagem e a máquina brasileira, que a Justiça
Eleitoral garante ser 100% segura, não a permite.

Amílcar Brunazo Filho explicou que é complicado, mas o resultado das
eleições brasileiras poderiam ser auditados se o TSE facilitasse os três
arquivos que a urna eletrônica produz: os arquivos de LOG, onde são
registrados todos os passos do funcionamento da máquina; os arquivos
digitais de voto, existentes a partir de 2002, que registram e
embaralham a escolha dos eleitores e os boletins de urna, emitidos ao
final da votação.

Acontece que os arquivos de LOG - que só podem ser analisados por
especialistas em informática, dificilmente são fornecidos pelos TREs;
enquanto os arquivos digitais do voto  embora tenham sido criados para
ser uma espécie de fotografia eletrônica do voto, jamais foram cedidos
para fins de fiscalização. Já os boletins de urna, para serem obtidos,
estão sujeitos ao bom ou mau humor da Justiça Eleitoral  embora a lei
determine expressamente que ter acesso a eles é um direito dos partidos.

Amílcar citou as eleições de 2006, quando o TSE proibiu, em suas normas,
mesmo isto sendo ilegal, que os partidos políticos não poderiam receber
cópia dos boletins de urna. O ato só foi revogado faltando um mês para
as eleições. Mas alguns TREs, os do Rio de Janeiro e o de São Paulo, só
revogaram o ato no dia da eleição: o que na prática causou  grande
tumulto e praticamente impediu que os partidos tivessem acesso ao documento.

O representante do PDT criticou a concentração de poderes nas mãos da
Justiça Eleitoral e logo na abertura da sessão da Subcomissão do Voto
Eletrônico da CCJ entregou ao presidente dos trabalhos, deputado Geraldo
Magela (PT-DF), um exemplar do livro *Burla Eletrônica*
</docs/BurlaEletronica.pdf>, da Fundação Leonel Brizola-Alberto
Pasqualini, com todas as palestras do Seminário do Voto Eletrônico
realizado em 2001 pelo PDT na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Participaram do evento, entre outros, Leonel Brizola, o senador Roberto
Requião, o senador Romeu Tuma e o próprio Amílcar Brunazo, como
palestrantes. Entregou também ao relator da subcomissão, deputado Vital
do Rego Rilho (PMDB-PB), cópia do livro de sua autoria, junto com a
advogada Maria Aparecida Cortiz, intitulado Fraudes e Defesas do Voto
Eletrônico  publicado ano passado.

Amilcar também entregou ao deputado Magela *relatório técnico*
</docs/sve2007-notatecnica.pdf> e seus *adendos,*
</docs/sve2007-adendo.pdf> em nome do PDT, elaborado a pedido dos
integrantes da Subcomissão do Voto Eletrônico, com sugestões para o
aperfeiçoamento do processo eleitoral brasileiro. Como exemplo de
dificuldades causadas pela Justiça Eleitoral, Amílcar Brunazo citou a
petição do PDT que encaminhou ao TSE em 2002, a pedido do então
governador Leonel Brizola, para que a Agência Brasileira de Inteligência
(ABIN) fosse excluída do processo eleitoral -  já que ela é responsável
pela biblioteca criptográfica que a urna eletrônica usa. Na ocasião,
liminarmente, o ministro Waldemar Zveiter, considerou o fato de
segurança nacional e desqualificou o pedido do PDT.

Amílcar relatou que posteriormente o TSE abriu o programa da ABIN, mas
só no mês passado, cinco anos depois, é que o pleno do TSE discutiu o
assunto e decidiu que a Abin continuaria atuando na programação da urna,
considerando desqualificado o pedido do PDT por perda de objeto.
Amílcar assinalou: O problema é que o réu nesse caso também é o juiz;
ou seja, o fiscalizado é que determina as regras para o fiscalizador,
um absurdo.

Em contrapartida, assinalou Amílcar, no Chile a eleição é conduzida por
uma entidade independente dos três Poderes  situação que se repete em
vários países, diferentemente do Brasil onde a Justiça Eleitoral pode tudo.

Amílcar Brunazo elogiou *o projeto da deputada Janete Capiberibe* <
http://www.votoseguro.org/textos/pl970-capiberibe.pdf > (PSB-AP),
presente à audiência, por restaurar o voto impresso no Brasil e diminuir
poderes Justiça Eleitoral. Autora do projeto de lei 970/2007, que
institui o voto impresso simultâneo ao eletrônico, além da obrigação de
auditar 2% das seções automaticamente, Janete Capiberibe, presente à
sessão, argumentou: Quero ter certeza, como todos os eleitores, de que
o candidato que recebeu o meu voto seja mesmo o que escolhi, explicou.

Em outra denúncia, Amílcar disse que fiscais partidários, ele inclusive,
conferiram o programa apresentado pelo TSE para as eleições de 2.000,
mas o tribunal usou um outro, que não foi apresentado aos partidos, no
dia da eleição. O deputado Moreira Mendes (PPS-RO) considerou gravíssima
a denuncia e solicitou que o secretário de informática do TSE,  Giuseppe
Gianino, fosse reconvocado à subcomissão para esclarecimentos. É
preciso esclarecer os fatos porque o que o senhor afirma choca-se
frontalmente com as declarações feitas aqui pelo sr. Giuseppe. O sr.
afirma que o TSE apresenta um programa aos fiscais e usa outro no dia da
eleição. Isto é extremamente grave e é preciso fazer uma acareação para
ver quem está falando a verdade, argumentou Moreira Mendes.

Amílcar se colocou imediatamente à disposição da Subcomissão para que
esses esclarecimentos sejam possíveis.

Em outro trecho da palestra, Brunazo criticou as assinaturas digitais
que o TSE passou a usar para garantir que seus programas não são
alterados depois de distribuídos para os TREs, via intranet, para serem
multiplicados e inseminados nas 430 mil urnas eletrônicas usadas no
país. Amílcar explicou que ao contrário do Ministério Público e da OAB,
os fiscais partidários são obrigados a usar nos computadores do TSE,
para conferir a assinatura digital dos programas, suas chaves privadas
do ICP/Brasil. Isto permite, explicou, que pessoas desonestas possam, se
quiserem, usar essas mesmas assinaturas para validar programas incorretos.

Amílcar também rebateu, citando nominalmente, acusações feitas a ele
pela técnica legislativa da Câmara dos Deputados Luciana Peçanha
Martins, filha de um ex-ministro do TSE. Em parecer da Câmara, Luciana o
citou como exemplo de mau fiscal por ele, em seguidas ocasiões, ter
ido ao TSE e nada ter feito em termos de fiscalização. Amílcar explicou
que em todas as vezes em que esteve no TSE, nas oportunidades citadas
por Luciana, esteve lá a procura do programa Windows e em nenhuma das
ocasiões ele estava no pacote disponibilizado pelo TSE para conferência
dos fiscais.

Ao final do depoimento de Amílcar, o presidente da Subcomissão do Voto
Eletrônico, Deputado Geraldo Magela, antes de encerrar a reunião,
afirmou que em momento algum o objetivo dos trabalhos foi retroceder
para o voto antigo, mas sim aperfeiçoar o voto eletrônico brasileiro
para que ele se torne o mais seguro possível. É fundamental que a
vontade popular seja respeitada, assinalou. Informou que o mês de
outubro deverá ser dedicado a reuniões internas da Subcomissão e, em
agosto, ela deverá apresentar suas conclusões tendo em vista a
necessidade de aperfeiçoar o voto eletrônico brasileiro.

(*/por Osvaldo Maneschy/*)

*Ouça a palestra de Amilcar Brunazo na Subcomissão*
<http://www.badongo.com/file/3653223 >

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