Afinal, Amilcar, vocês pediram a impugnação destas urnas? Foi
deferido?

A respeito de [VotoEletronico] Carga das Urnas em Santos - Parte I,
em 26/9/2002, 06:55, Amilcar Brunazo Filho escreveu:

ABF> Olá,
ABF> (mensagem longa)

ABF> O PSB enviou representantes para assistirem a carga dos programas das urnas 
ABF> aqui na cidade de Santos.
ABF> Os representantes eram o adv. Eder Santana de Oliveira, presidente do 
ABF> diretório municipal do PSB, o Luiz Ezildo Silva, secretário do mesmo 
ABF> diretório, e eu, Eng. Amilcar Brunazo Filho.
ABF> Comparecemos às Zonas Eleitorais 118 e 272 onde testamos uma urna carregada 
ABF> em cada zona.
ABF> Encontramos aqui em Santos os mesmos problemas que haviamos detectado nas 
ABF> urnas do Rio de Janeiro, ou seja, o programa de AUDITORIA  das urnas não 
ABF> consegue apresentar os nomes e fotos de uma porção candidatos a deputado, 
ABF> quando acionada a sua função 4 (apresentar lista de candidatos).
ABF> Houve boa cobertura da imprensa escrita local. Acredito que saia alguma 
ABF> coisa nos jornais de hoje.

ABF> ATENÇÃO: estou falando do programa auditoria das urnas e não do programa de 
ABF> votação e apuração, o qual não pode ser testado previamente pois só 
ABF> funciona no dia da eleição. Por este motivo, existe o programa de auditoria 
ABF> que tem a função de atestar a integridade de todos os dados e programas 
ABF> contidos nas urnas eletrônicas, inclusive de si próprio. O programa de 
ABF> auditoria é o único que pode ser efetivamente "rodado" ou testado nas 
ABF> urnas, pelos fiscais dos partidos.

ABF> Hoje, dia 26, iremos comparecer à Zona 273, às 8h, para confirmar se o 
ABF> problema ocorre lá também.

ABF> A problema aqui em Santos, na verdade deve ocorrer o mesmo em todo estado 
ABF> de São Paulo, está um tanto mais grave que no Rio, pois aqui não apareciam 
ABF> NENHUM CANDIDATO A DEPUTADO ESTADUAL e tambem faltavam os candidatos a 
ABF> federal dos partidos 56, 65 e 70.

ABF> Analisando os casos que já tive conhecimento, de Roraima e Piauí onde o 
ABF> problema não foi encontrado, com os dois casos que presenciei , Rio e SP, 
ABF> já dá para ter uma boa idéia do que causou todo este problema.

ABF> O programa de auditoria das urnas tem uma limitação de memória que 
ABF> estabelece a quantidade de linhas que ele consegue ler do banco de dados 
ABF> dos candidatos.
ABF> Quando a quantidade de candidatos do estado é pequena, ele lê tudo e não 
ABF> apresenta o problema. Quando a lista é grande, como no Rio e em SP, o 
ABF> programa de auditoria trunca a leitura no meio e não apresenta a lista 
ABF> completa.

ABF> No Rio, o truncamento ocorre depois de lidos, pela ordem, os nomes dos 
ABF> candidatos a presidente, governador, senador, deputado federal  de todos os 
ABF> partidos e os deputados estaduais dos partidos 11 e 12.

ABF> Em SP, como a lista de candidatos é ainda um pouco maior que a do Rio, o 
ABF> truncamento ocorre um pouco antes, no meio da lista de candidatos a dep. 
ABF> federal, deixando de ler os nomes dos candidatos dos partidos 56, 65 e 70, 
ABF> além de não encontrar nenhum candidato a dep. estadual.

ABF> Como antecipara o Lut, na lista do Voto-e, acredito que o problema deva 
ABF> ocorrer também no estado de Minas Gerais. Precisa-se verificar a lista de 
ABF> candidatos por estado (que deve ter na página do TSE) para se verificar 
ABF> quais são os estados com maior número de candidatos e descobrir em quais o 
ABF> problema irá aparecer.

ABF> Este tipo de problema é causado por três erros de programação muito 
ABF> corriqueiros:

ABF> 1- A área de memória reservada para receber os dados foi mal dimensionada 
ABF> no programa fonte.
ABF> 2- Falta de teste dos programas pelo TSE.
ABF> 3- Falta de auditoria adequada, pelos partidos políticos, nos programas 
ABF> apresentados para seu conhecimento.

ABF> Para resolver a primeira causa bastaria mudar um ou dois números nas 
ABF> diretrizes de compilação, contidas no início do programa fonte, que 
ABF> estabelece o tamanho desta área de dados, reservando área maior, e 
ABF> recompilar o programa que o problema seria corrigido.

ABF> Para resolver a segunda causa do problema, os técnicos da secretaria de 
ABF> informática do TSE teriam que diminuir seu nivel de arrogância e 
ABF> auto-suficiência e passar a dar ouvidos às sugestões dos auditores externos 
ABF> que tem capacidade de avaliação.

ABF> Em agosto de 2000 (eu disse 2000 e não 2002) o PDT havia apresentado a 
ABF> sugestão ao TSE de se criar uma forma de auditoria nas urnas prontas para 
ABF> que os partidos pudessem conferir se os programas carregados nestas seriam 
ABF> mesmos os originais. A secretaria de informática do TSE rejeitou a proposta 
ABF> recorrendo até a mentiras ditas em relatórios oficiais, para convencer os 
ABF> juizes do TSE de que isto era impossível.

ABF> Em maio deste ano, 2002, a Unicamp, em seu conhecido relatório, apontou o 
ABF> mesmo problema a sugeriu medida semelhante a do PDT. Em junho de 2002, o 
ABF> PDT voltou a repetir formalmente a mesma sugestão à secretaria de 
ABF> informatica do TSE que decidiu ignorar todos estas sugestões de auditores 
ABF> independentes e em agosto de 2002 apresentou os programas do sistema 
ABF> eleitoral sem que houvesse uma forma de auditoria que permitisse aos 
ABF> fiscais dos partidos conferir a carga das urnas.

ABF> Diante de nova impugnação apresentada pelo PDT em agosto de 2002 (agora é 
ABF> 2002 mesmo), a secretaria de informática do TSE decidiu finalmente criar 
ABF> este programa de "auditoria" que ganhou o nome de VAUDIT.EXE para as urnas 
ABF> modelo 96, 98 e 2000 e WAUDIT.EXE para as urnas modelo 2002. Com a pressa 
ABF> de resolver a questão em poucos dias, os programas foram feitos e nem foram 
ABF> testados com os banco de dados de tamanhos críticos. O problema passou, 
ABF> assim, despercebido pelos próprios programadores. Ressalte-se que a 
ABF> apresentação de testes "exaustivos" sobre o sistema foi uma das alegações 
ABF> para o TSE fazer nova apresentação de programas aos partidos em Setembro.

ABF> A terceira causa que levou às urnas receberem um programa de auditoria com 
ABF> defeito é o baixo nível de exigência feito pelos técnicos que assistem a 
ABF> apresentação dos programas. De forma geral eles aceitam e VALIDAM tudo que 
ABF> lhes é mostrado mesmo quando não conseguem avaliar o dados de forma 
ABF> adequada (por falta de tempo ou de recursos técnicos disponíveis).

ABF> Neste ano de 2002, os representantes técnicos presentes à apresentação dos 
ABF> programas em setembro, no TSE (e que assinaram o lacre dos programas fontes 
ABF> e compilados) eram:

ABF> 1- Amilcar Brunazo Filho, do PDT
ABF> 2- Paulo Lindenberg, do PSDB
ABF> 3- Moacyr Casagrande, do PT
ABF> 4- Ricardo Custódio, da SBC e UFSC
ABF> 5- Jeroen Van Der Graaf, da SBC e UFMG
ABF> Obs.: o PSTU enviou advogados e não representantes técnicos.

ABF> Apenas o PDT e o PSTU apresentaram impugnação aos programas do sistema 
ABF> eleitoral por que a forna de auditoria que nos foi permitida não era 
ABF> adequada para surtir efeito. O PDT e o PSTU apresentaram impugnaçao pelos 
ABF> seguintes motivos:

ABF> 1- o código fonte do programa VirtuOS, que opera em mais de 350 mil urnas 
ABF> eletrônicas, não esteve disponivel para análise dos partidos. Do PDT foi 
ABF> cobrado R$ 250 mil para que este código pudesse ser visto durante 3 dias. 
ABF> Nenhum partido aceitou pagar este valor e, por consequência, nenhum partido 
ABF> analisou ou auditou o seu código.

ABF> 2- o código do VirtuOS estava pronto e não foi compilado na presença dos 
ABF> fiscais, de forma que estes não tinham como se assegurar de sua origem e 
ABF> integridade.

ABF> 3- os programas de auditoria das urnas, VAUDIT.EXE e WAUDIT.EXE, não 
ABF> permitiam uma forma adequada de conferência dos programas carregados nas 
ABF> urnas eletrônicas pois cria um círculo vicioso de auto-autenticação (ele 
ABF> endossa a prórpia assinatura). Este é um furo lógico na segurança do sistema.

ABF> 4- o prazo de cinco dias concedido aos partidos para avaliar o sistema, é 
ABF> insuficiente para uma avaliação adequada o que resultou que NENHUMTÉCNICO 
ABF> PRESENTE ANALISOU SEQUER 1% DOS DADOS DISPONÍVEIS.

ABF> O defeito encontrado agora no programa de auditoria das urnas é a PROVA QUE 
ABF> OS PROGRAMAS NÃO FORAM AUDITADOS DE FORMA ADEQUADA. Lembre-se que este 
ABF> programa de auditoria é aquele que informaria ao fiscal que todos os demais 
ABF> dados e programas das urnas, inclusive o de apuração dos votos, estariam 
ABF> integros e corretos!

ABF> Todos os demais técnicos presentes à apresentação dos programas no TSE 
ABF> optaram por não se manifestar publicamente sobre o fato de que o sistema 
ABF> não tinha sido auditado de forma correta e acabaram por dar seu aval 
ABF> público ao sistema.

ABF> Por isto, entendo que esta caso do programa de auditoria com erros nas 
ABF> urnas eletrônicas expõe toda as falhas no processo de produção e auditoria 
ABF> dos programas de computador do sistema eleitoral brasileiro. O sistema é 
ABF> feito às pressas  e a auditoria é deficiente.... e nós, eleitores, vamos 
ABF> ter que confiar a apuração de nossos votos a estas máquinas 
ABF> "mal-programadas", que não permitem conferência nem recontagem dos votos!!!

ABF> Vote quem quiser, eu não aceito votar num sistema deste.


ABF> []s ,
ABF>      Amilcar

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ABF> O texto acima e' de inteira e exclusiva responsabilidade de seu
ABF> autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
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ABF> O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas
ABF> eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
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Grande abraço,

Roger Chadel

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