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A Invasão do Iraque - 3 de Abril. =-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-= O Centro de Análises da Guerra do Iraque www.iraqwar.ru, segundo se auto-define, é um projeto aberto criado por um grupo de jornalistas e peritos militares da Rússia. Seu objetivo é divulgar notícias e análises precisas, atualizadas e baseadas em informações da inteligência militar russa . A tradução do russo para o inglês é feita por Venik - webmaster do portal. A tradução do inglês para o português é de Janaina (www.unidadepopular.org). A revisão, os subtítulos e os comentários são de Álvaro Frota. Você irá ler o relatório de 3 de abril 13:01 MSK (GMT +4 DST) Durante a noite de ontem (2 abril) e no início da manhã de hoje (3
de abril) a coalizão anglo-estadunidense prosseguiu seu avanço em direção
a Bagdá que havia iniciado três dias atrás.
Unidades da 3º Divisão de Infantaria Mecanizada, fracassando em capturar
rapidamente a cidade de Al-Khindiya, bloquearam-na com
parte de suas forças e se deslocaram ao redor da cidade pelo leste para alcançar
Al-Iskanderiya pela manhã. Ainda não é claro se as tropas dos
EUA foram capazes de tomar a cidade de Al-Musaib ou se elas
também a contornaram. O progresso total da coalizão nessa direção foi de
aproximadamente 25 km durante as últimas 24 horas.
Este ataque foi uma surpresa para o comando iraquiano. O
quartel-general das defesas iraquianas ao redor de Karabela posicionava-se bem
atrás das linhas avançadas das brigadas em avanço dos EUA. Devido aos intensos
ataques aéreos e de artilharia o quartel-general iraquiano em Karabela perdeu a
maior parte de seus equipamentos de comunicação e perdeu parcialmente o controle
de suas tropas. Em conseqüência, as unidades de defesa iraquianas na
linha do ataque da coalizão ficaram desorganizadas e foram incapazes de oferecer
resistência efetiva. Durante a luta noturna (de 2 para de abril)
as unidades de combate iraquianas nessa área foram empurradas das suas
posições defensivas e recuaram em direção a Bagdá. As baixas iraquianas
foram de até 100 mortos e até 300 capturados. As tropas dos EUA destruíram ou
capturaram até 70 tanques iraquianos e veículos blindados de transportes de
tropas.
Atualmente (14 horas de 3 de abril) o comando iraquiano
está apressadamente tentando criar uma nova linha de defesa a 20-30 km ao
sul de Bagdá. As baixas dos EUA nesse ataque foram 3 veículos
blindados e até 8 mortos e feridos.
Na noite passada em 2 de abril ao leste de Karabela uma
unidade da 3ª Divisão de Infantaria Mecanizada saiu de seu caminho e foi direto
para uma emboscada de artilharia depois de se mover para perto demais das
posições iraquianas. No tiroteio resultante as forcas dos EUA perderam não menos
que 8 veículos blindados e, de acordo com relatórios iraquianos, pelo menos 25
soldados dos EUA foram mortos ou feridos.
Na cidade de Al-Kut unidades dos fuzileiros dos EUA conseguiram
capturar uma ponte sobre o Tigre mas não conseguiram capturar a cidade inteira e
os combates prosseguem nos distritos residenciais. Não menos que 3
soldados dos EUA foram mortos e até 12 foram feridos nesta área durante as
últimas 24 horas (2 para 3 de abril). As tropas dos EUA estão reportando 50
soldados iraquianos mortos e 120 capturados.
A coalizão conseguiu fazer grandes progressos ao sul de
Al-Kut. Depois de tomar rapidamente a cidade de An-nu-Manyah as forças
dos EUA construíram uma ponte sobre o Tigre e imediatamente iniciaram a
transferência de unidades dos fuzileiros navais para a margem direita. Mais
nenhuma área povoada está localizada ao longo da estrada, e as forças
atacantes podem ser capazes de chegar a 15-20 km de Bagdá ainda essa noite (de 3
de abril).
O bloqueio de An-Najaf continua. Numerosas tentativas das
tropas (da coalizão) de alcançar o centro da cidade fracassaram depois de
enfrentarem fogo iraquiano. Pelo menos cinco soldados (da coalizão) foram
feridos e um é dado como desaparecido.
A situação ao redor de An-Divania permanece incerta. Intensos
combates nessa área prosseguem desde ontem. Os comandantes de campo dos
EUA requisitaram apoio aéreo e de artilharia em várias ocasiões e relataram
“ferozes contra-ataques pelo inimigo”. Foi determinado que no anoitecer de 2 de
abril o comandante da 101ª Divisão Aerotransportada ordenou que suas tropas
recuassem da cidade a fim de criar algum espaço entre suas forças e os
iraquianos para permitir ataques aéreos e de artilharia. As baixas totais dos
EUA nessa área nos últimos dois dias são de até 15 mortos e por volta de 35
feridos. Ao mesmo tempo os comandantes dos EUA estão informando “centenas de
iraquianos mortos”. Aproximadamente 50 iraquianos – alguns usando roupas civis –
foram capturados pela coalizão. Houve uma informação de outra perda de
helicóptero da coalizão nessa área.
A resistência também prossegue em Nassíria. A guarnição da
cidade tem lutado pelos últimos dez dias e continua a manter suas posições na
margem esquerda do Eufrates. Durante o dia de ontem houve uma redução da
intensidade da resistência iraquiana. Contudo, os comandantes dos EUA no
quartel-general da coalizão acreditam que isso é devido à tentativa dos
iraquianos de preservar sua munição, que não é de forma alguma ilimitada. De
acordo com um dos oficiais dos EUA no quartel-general da coalizão elementos da
11ª Divisão de Infantaria iraquiana continuam a controlar a margem esquerda do
Eufrates. "A firmeza deste indubitavelmente bravo inimigo é digna
de respeito. Em quatro ocasiões nós lhes oferecemos que depusessem as armas e se
rendessem, mas eles continuam resistindo como fanáticos". Ontem à noite
(2 de abril) um soldado dos EUA foi morto e 2 mais foram feridos em tiroteios
nessa área.
Outra tentativa dos britânicos de penetrar as defesas iraquianas
próximo a Basra (Baçorá) fracassou. Até 2 batalhões da 16ª brigada de
fuzileiros reforçada com tanques tentou romper as defesas iraquianas ontem à
noite (2 de abril) a nordeste do aeroporto de Maakil ao longo do rio Al-Arab.
Simultaneamente desde o sudoeste am As-Zubair outros 2 batalhões de fuzileiros
fizeram uma tentativa de entrar na área de Mahallat-es-Zubair, mas enfrentaram
intenso fogo e recuaram após uma batalha de quatro horas de duração. Os
iraquianos informaram que 2 tanques britânicos destruídos, 5 transportadores
blindados de tropas e não menos que 30 soldados britânicos mortos. Contudo, os
comandantes britânicos informam 4 transportadores blindados e 5 mortos. Além
disso, as defesas aéreas iraquianas derrubaram um caça-bombardeiro F-18 na
cidade. As unidades de vigilância de rádio informaram sobre a perda de outro
avião ao norte de Bagdá. Não se sabe se este avião foi derrubado ou caiu depois
de perder o controle devido a um problema técnico.
Como podemos ver, o comando da coalizão continua com sua tática de
“marcha sobre Bagdá”. No decurso do seu avanço as tropas da coalizão estão
contornando os centros primários da defesa iraquiana e os bloqueando, deixando o
resto do trabalho para a aviação e artilharia. O futuro imediato irá
mostrar o quão efetiva é realmente esta tática. Até agora, de acordo com
relatórios de Inteligência, mais de 50.000 soldados iraquianos continuam lutando
por trás das linhas avançadas da coalizão somente em Karabala. Não menos que
5.000 iraquianos estão defendendo An-Najaf e An-Divania. Especialistas
estimam que o total de iraquianos lutando por trás do front da coalizão chega a
quase 90.000 ou 100.000 soldados regulares do exército e
milicianos.
Em tais circunstâncias a coalizão tem duas opções: ou pode tentar
capturar rapidamente Bagdá, deixando assim as guarnições iraquianas nos
territórios ocupados sem motivos para continuar sua resistência; ou as
tropas da coalizão podem se entrincheirar em volta de Bagdá e se preparar para o
assalto final enquanto "limpam" o território capturado. Isso também
permitirá que estas tropas conquistem a valiosa experiência de combate lutando
contra um inimigo enfraquecido antes do assalto final a Bagdá.
Analistas acreditam que esta guerra irá provocar uma revisão do papel de
munições guiadas com precisão (PGM) no campo de batalha moderno. Os
resultados da utilização de PGM no Iraque lançam dúvidas sobre a eficácia do PGM
em áreas florestais e em matas. Em tais condições o objetivo principal
vem a ser não o acerto ao alvo no primeiro tiro mas localizar, identificar e
rastrear o alvo.
Estudando as operações terrestres no Iraque, analistas concluem que
o terreno desértico e a conseqüente incapacidade dos iraquianos em lutar fora de
cidades e aldeias proporcionam à coalizão sua principal vantagem
estratégica. O completo domínio dos ares permite às tropas da coalizão
localizar e combater posições e blindados iraquianos à distância máxima
utilizando munições guiadas com precisão não disponíveis para os iraquianos,
enquanto permanecem fora do alcance das armas iraquianas. Considerando o curso
desta guerra e as táticas utilizadas pela coalizão, analistas militares russos
consideram esta tática muito afastada da realidade da guerra moderna e concebida
exclusivamente contra um inimigo tecnologicamente muito mais fraco. Estas
táticas são inimagináveis no cenário de combate europeu com suas florestas e
matas. Vislumbrando a possibilidade de um futuro impasse militar entre
os EUA e a Coréia do Norte os analistas estão certos de que os EUA não podem
esperar uma vitória militar na península coreana sem o uso de armas
nucleares.
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