Irm�o de Celso Daniel acusa PT de omiss�o sobre o crime

Regiane Soares
Do Di�rio do Grande ABC


O PT e a pol�cia paulista obstru�ram as investiga��es para esclarecer o seq�estro e a morte de Celso Daniel. A acusa��o � do economista Bruno Daniel, irm�o do prefeito assassinado em janeiro de 2002. Em nota de esclarecimento divulgada neste s�bado, a fam�lia manifestou o desejo de que o processo que tramita em segredo de Justi�a seja aberto � sociedade para que todos tenham elementos para pressionar as institui��es que se �omitiram ou obstaculizaram� a busca da verdade.

�O PT historicamente se colocou a favor da transpar�ncia e da verdade. Mas, neste epis�dio, falhou. Quando se desmerece o Minist�rio Publico, �nica institui��o que, para n�s, agiu com seriedade, isso tamb�m contribuiu para criar obst�culos em busca da verdade. Eu prefiro n�o dar nota (ao trabalho da pol�cia). Eu prefiro dizer que eles (policiais) n�o cumpriram com a obriga��o legal que t�m de realizar. Eles deixaram muito a desejar�, afirmou Bruno, durante entrevista coletiva realizada neste s�bado.

O irm�o do prefeito n�o soube dizer qual foi a motiva��o da pol�cia e do partido para criar obst�culos, mas n�o descartou a hip�tese de um acordo entre o PT e o PSDB � partido do governador Geraldo Alckmin � para concluir que Celso Daniel foi v�tima de um crime comum. �Eu acho que � poss�vel haver um acordo (entre os partidos) e uma rela��o no caso�, afirmou.

Apesar de acreditar que o PT como um todo criou obst�culos, Bruno citou o nome de alguns petistas que �mentiram� para a fam�lia. �O obst�culo come�a com a reitera��o de uma hist�ria falsa. Foi colocado pelos porta-vozes do partido que a hist�ria contada oficialmente era a verdadeira. Por�m, ficamos sabendo que fatos indicavam mentiras. Quem presenciou a necropsia do Celso mentiu para n�s. O m�dico legista que chefiou a equipe indicou a exist�ncia de tortura, e isso n�o foi colocado para n�s por quem presenciou a necropsia, os deputados federais Luiz Eduardo Greenhalgh (PT) e Jamil Murad (PC do B)�, disse.

Segundo o irm�o, o �nico petista que contribuiu com a investiga��o foi o vice-prefeito de S�o Paulo, H�lio Bicudo, que denunciou o caso na OEA (Organiza��o dos Estados Americanos) com base no dossi� feito pela fam�lia.

Na avalia��o de Bruno, a pol�cia tamb�m falhou e criou obst�culos porque n�o fez o que deveria ter feito. �H� fatos que deveriam ter sido investigados. H� laudos que deveriam ter sido produzidos. H� um conjunto imenso de coisas que a pol�cia deveria ter realizado e n�o realizou�, afirmou Bruno, que preferiu n�o detalhar os prov�veis erros, porque espera que todos tenham acesso ao processo que est� em sigilo e tirar suas pr�prias conclus�es.

O irm�o do prefeito acredita que o suposto esquema de corrup��o na Prefeitura de Santo Andr� para financiar campanhas pol�ticas, o que teria motivado o assassinato de Celso Daniel, � uma das principais lacunas deixadas pela investiga��o feita pela pol�cia. Bruno disse n�o conhecer o suposto esquema e defendeu uma maior investiga��o. �A fam�lia tem conhecimento do que � produzido pelo Minist�rio P�blico. H� evid�ncias de que h� atos ilegais sendo cometidos na Prefeitura. Se h� irregularidades, devem ser investigadas�, afirmou.

Sobre a possibilidade de Celso ter descoberto o esquema de corrup��o e por isso S�rgio Gomes da Silva ter planejado seu assassinato, Bruno disse apenas que � uma hip�tese que tem de ser investigada, inclusive a poss�vel participa��o de outras pessoas. �H� um conjunto forte de indica��es nessa dire��o�, afirmou.

 

Irm�os v�o pedir a quebra do segredo de Justi�a

Do Di�rio do Grande ABC

A fam�lia de Celso Daniel vai pedir a quebra do segredo de Justi�a do processo sobre o assassinato do prefeito de Santo Andr� que tramita no F�rum de Itapecerica da Serra. O sigilo foi decretado no in�cio dos trabalhos a pedido do empres�rio S�rgio Gomes da Silva, que foi denunciado na sexta-feira pelo Minist�rio P�blico como mandante do crime.

O economista Bruno Daniel, irm�o do prefeito assassinado, disse que o objetivo � fazer com que toda a sociedade tenha conhecimento do conte�do das investiga��es e chegue �s mesmas conclus�es da fam�lia, ou seja, que Celso Daniel n�o foi v�tima de um crime comum. �Queremos que a sociedade cobre as institui��es que se omitiram ou criaram obst�culos para a busca da verdade�, afirmou Bruno.

Em entrevista coletiva � imprensa, realizada neste s�bado na C�mara de Santo Andr�, o irm�o do prefeito apresentou c�pia do processo em v�rios volumes, embalados com um pl�stico transparente e amarrados com um la�o de fita lil�s. Com base nesses documentos, a fam�lia elaborou um dossi� com as falhas que possivelmente aconteceram na investiga��o do crime e com os fatos que ainda precisam ser esclarecidos.

Segundo Bruno, o trabalho da fam�lia teve apoio t�cnico de m�dicos legistas e advogados, mas foi motivado pela quest�o emocional. �N�o aceitamos em hip�tese alguma aquilo que ocorreu com o Celso�, disse. A indigna��o da fam�lia levou a uma pesquisa racional. �A convic��o que a gente chegou n�o foi fundada apenas na emo��o. Ela � duplamente ditada: pela emo��o e pela raz�o.�

Bruno falou em nome da fam�lia e apresentou uma nota de esclarecimento assinada por todos os irm�os: Jo�o Francisco, Maria Cl�lia e Maria Elisabeth, al�m do pr�prio Bruno. No documento, eles pedem a abertura do processo para que �a sociedade tenha elementos para pressionar aquelas institui��es que at� agora se omitiram ou obstaculizaram a busca da verdade e justifiquem seus atos�. �Desejamos e lutaremos para que todos esses documentos sejam conhecidos por todos�, diz a nota.

Na avalia��o do irm�o, entre as institui��es que obstruiram a investiga��o est�o o PT e a pol�cia paulista. �N�o se justifica ocorrer a morte do meu irm�o do jeito que ocorreu e as institui��es adotarem a postura que adotaram. N�o h� nada que justifique esconder a verdade�, afirmou Bruno.

O irm�o do prefeito assassinado disse que o pedido formal para abertura do processo ser� protocolado no in�cio da semana, no F�rum de Itapecerica, por um advogado contratado pela fam�lia. Como amanh� � feriado no Poder Judici�rio em raz�o do Dia da Justi�a, � prov�vel que o documento seja protocolado somente na ter�a-feira.

 
 
O PT divulgou nota oficial neste s�bado em resposta �s cr�ticas feitas pela fam�lia do prefeito assassinado de Santo Andr�, Celso Daniel, de que o partido �nunca contribuiu para a elucida��o do caso e tem sido obst�culo � apura��o da verdade�. A nota, assinada pelo presidente da legenda, Jos� Genoino, ressalta que �o Partido dos Trabalhadores sempre apoiou uma profunda investiga��o e n�o quer que a mem�ria do prefeito Celso Daniel seja atingida�. Veja a �ntegra da nota:

�O Partido dos Trabalhadores confia no trabalho do deputado federal Luiz Eduardo Greenhalg, que acompanhou as investiga��es sobre a morte do prefeito Celso Daniel. O Partido dos Trabalhadores lamenta ter perdido um companheiro como Celso Daniel e entende o sentimento da fam�lia, mas n�o concorda com os ataques que est�o sendo feitos contra o partido. O inqu�rito foi conduzido pela Pol�cia e pelo Minist�rio P�blico do Estado de S�o Paulo. As conclus�es desta investiga��o s�o de sua inteira responsabilidade. O Partido dos Trabalhadores sempre apoiou uma profunda investiga��o e n�o quer que a mem�ria do prefeito Celso Daniel seja atingida.�

 

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