Pessoal:
Divido com voc�s a mensagem do Sergio. Ele tem todo o direito de espernear (foi at� elegante demais).
Embora provocativo, tentei ser o mais cuidadoso poss�vel no que escrevi, no estilo: "Considerando que tais coisas sejam verdade, ent�o ouso afirmar que..."; e coloquei ressalvas atenuantes. N�o tenho o direito de, e nem quero, desconstruir o trabalho de quem quer que seja; e n�o o fiz. Se o Sergio tivesse visto o que � uma verdadeira cr�tica destrutiva, n�o me atribuiria tal pecado. Mas, na parte referente � recomenda��o da elimina��o da materializa��o do voto (DE NOVO: acreditando nas afirma��es do Amilcar, que reputo pessoa extremamente �tica), tudo indica que o Sergio foi no m�nimo precipitado. E � uma resposta referente a essa precipita��o que eu esperava (e espero). Com certeza, � nessas discuss�es que aperfei�oamos nosso racioc�nio cr�tico.
Quanto aos examinadores, especialistas em Ergonomia, seu julgamento favor�vel confirma o que escrevi:
"....[SUPONHO QUE] o trabalho cobre outros assuntos de modo t�o brilhante que a parte falha [REFERENTE � URNA-E] poderia ser relevada."
Conclus�o provis�ria (minha): (1)o trabalho � excelente no referente � Ergonomia, (2)tem omiss�es no estudo da materializa��o do voto, (3)� precipitado na j� citada recomenda��o, (4)os examinadores s�o especialistas em Ergonomia (e n�o em seguran�a de sistemas informatizados) e basearam seu julgamento na excel�ncia citada em (1).
Abra�o
Walter Del Picchia
S.Paulo/SP
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From: "Sergio Luis dos Santos Lima" <[EMAIL PROTECTED]>
To: [EMAIL PROTECTED]
Date: 28 May 2004, 06:27:06 PM
Subject: Re: Disserta��o sobre Urna eletr�nica
Prezado Sr. Walter,
Chamar meu trabalho de falho � uma ignor�ncia que desconsiderarei. N�o se alcan�a uma seriedade buscando descontruir um trabalho que nem ao menos leu.
E caso n�o saibas, participaram de minha disserta��o professores do mais alto gabarito em Ergonomia no Brasil: Dr� Neri dos Santos e Leila Amaral Gontijo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e Dr� J�lia Abrah�o da UnB (Universidade de Bras�lia).
Lamento sua falta de racioc�nio cr�tico.
sauda��es,
Sergio Lima.
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wdeltapi escreveu:
Amilcar
Espero que voc� tenha lido cuidadosamente a disserta��o do Sergio, e que sua an�lise seja a mais fiel poss�vel. Obedecidas essas suposi��es, voc� ainda espera que a gente leia trabalho t�o falho? Em um trabalho acad�mico, seria inadimiss�vel propor algo baseado em premissas falsas, ou desconhecimento do assunto, ou falta de consulta ao material publicado sobre o tema, ou tudo isso junto. Acho que a palavra, e o direito de explicar, agora est� com o Sergio.
Gostaria muito que voc� tivesse exagerado em sua mensagem, ou que constat�ssemos que o trabalho cobre outros assuntos de modo t�o brilhante que a parte falha poderia ser relevada. Como sei da sua �tica e da responsabilidade em escrever o que afirmou, s� posso esperar a resposta do Sergio.
Abra�o
Walter Del Picchia
S.Paulo/SP
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Amilcar Brunazo Filho escreveu:
Caro S�rgio Lima,
(mensagem longa)
Recebi e li sua disserta��o sobre a usabilidade das urnas eletr�nicas (UE) e dos m�dulos impressor externo (MIE) de 2002.
Como prometido, eu gostaria de colocar um atalho para este seu trabalho a partir da p�gina de trabalhos acad�micos sobre voto-e que tem no saite do F�rum do Voto-e.
Por uma quest�o de espa�o no servidor eu tenho dado prefer�ncia a apenas incluir um atalho para um endere�o na Internet onde o trabalho j� esteja dispon�vel.
Por este motivo, lhe pergunto se sua disserta��o j� est� colocada em algum Indere�o (endere�o na Internet)?
Caso n�o esteja, eu posso coloca-la no pr�prio saite do F�rum do Voto-e.
Por favor, me responda.
Quanto ao conte�do de sua disserta��o, gostaria de tecer alguns coment�rios.
Primeiramente, achei que faltaram considera��es sobre o treinamento do eleitor para usar o MIE. Apesar da cita��o ao Min. Jobin, eu n�o tive conhecimento de nenhum esfor�o ou pe�a publicit�ria do TSE para explicar ao eleitor que votaria com o MIE que deveria digitar a tecla confirma uma segunda vez.
Antes das elei��es, UE sem MIE foram utilizadas em larga escala para o treinamento de eleitores, mas n�o tenho conhecimento do uso do MIE nestes treinamentos.
Esta considera��o � importante, pois pode explicar o porqu� de boa parte das dificuldades do eleitor com o MIE al�m da dificuldade de leitura do voto que voc� detectou.
Quero dizer, caso o eleitor tivesse sido preparado para usar o MIE com a mesma intensidade que foi treinado a usar UE talvez o resultado de sua pesquisa fosse bem diferente, revelando que parte do problema estava no treinamento do eleitor e n�o em aspectos de usabilidade do MIE, afinal digitar a tecla confirma mais uma vez n�o acrescenta tanta dificuldade a quem j� teve que digitar vinte e tantas outras teclas a ponto de justificar tanta diferen�a nas dificuldades do eleitor.
Estou certo nesta considera��o?
Por fim, pe�o licen�a para uma coloca��o mais cr�tica e incisiva.
A sua sugest�o principal de que o MIE deveria ser eliminado � resultado de uma extrapola��o absurda e totalmente fora de contexto. Um erro metodol�gio em sua disserta��o.
No corpo de seu trabalho ficou revelado que voc� nem sequer entendeu qual era a fun��o dos MIE junto as UE. Voce falou em poder recontar os votos caso os outros procedimentos de recupera��o do voto falhassem e em dar "feedback" ao eleitor.
Est� redondamente enganado!
A fun��o do MIE juntas �s UE tem uma finalidade espec�fica de seguran�a, ao criar um documento vi�vel, conferido pelo eleitor, para permitir uma auditoria da apura��o eletr�nica por meio da recontagem de votos em 3% das urnas sorteada ao acaso. � o chamado "Voter Verifiable Print Audit Trail" que est� se tornando obrigat�rio nas urnas-e nos EUA.
� uma forma de se defender contra fraude informatizada, por adultera��o do software eleitoral, por meio de uma auditoria estat�stica, uma vez a comunidade acad�mica de seguran�a tem sido quase un�nime em afirmar que certifica��o rigorosa do software eleitoral em larga escala e com o rigor necess�rio, � imposs�vel na pr�tica. (isto vale para o software do SELA tamb�m)
Autores no exterior como Ronald Rivest (inventor assinatura digital), Kem Thompson (inventor do UNIX), Bruce Schneier (ganhador do concurso de criptografia para substituir o DES), David Shaun (inventor do dinheiro digital), Rebecca Mercury (primeira tese de doutorado sobre seguran�a de voto-e), e no Brasil como Pedro Rezende, Jeroen Van der Graff e Ricardo C�st�dio (este da UFSC) tem apresentado trabalhos e mais trabalhos sobre as dificuldades de se obter confiabilidade me processos eleitorais informatizados.
Qualquer outra fun��o do MIE, como as que voc� considerou, s�o acess�rias e secund�rias.
Voc� abordou a quest�o da seguran�a das UE muito superficialmente, mesmo porque seu trabalho versava sobre ergonomia e n�o sobre seguran�a e confiabilidade.
Como pode depois de uma profunda analise de ergonomia e nenhuma an�lise sobre seguran�a concluir pela desnecessidade de um item de seguran�a, o qual pode ser melhorado do ponto de vista da usabilidade, mas propor sua elimina��o em muito extrapola o alcance de uma an�lise ergon�mica.
O fato de voc� n�o entender a verdadeira fun��o do MIE o levou a se equivocar na an�lise dos dados colhidos. Voc� detectou que aproximadamente apenas 25% dos eleitores conferiam o voto impresso e considerou isto um dado negativo, contra o MIE.
Pois, se trata de um dado altamente promissor. Eu espera um valor muito inferior a este. Considerando que o MIE tem por fun��o detectar software malicioso nas UE, basta que 3 a 5% dos eleitores confiram o voto impresso para torn�-lo eficaz. N�O � NECESS�RIO que todo eleitor o confira. N�o h� nenhuma necessidade, por ex., que um cego, que vota com o fone de ouvido, confira o voto impresso. Voc� n�o tinha entendido a fun��o do MIE!
Al�m disso, suas considera��es sobre custo dos MIE s�o simpl�rias e equivocadas. Voc� s� considerou o custo das pe�as mas se esqueceu de considerar todo o resto envolvido.
O MIE tem um custo pr�prio que � necess�rio incorrer para se obter auditabilidade do processo eletr�nico de vota��o e com sua elimina��o se elimina tamb�m seu custo mas junto vai a auditabilidade.
Eu lhe pergunto, qual � o custo para criar uma forma alternativa (via software) que d� a mesma auditabilidade ao sistema. Voc� nem sequer considerou isto.
Se � para baratear o sistema cortando itens de seguran�a, ent�o corta as pr�prias UE que s�o mais caras que o sistema tradicional (como comprovou levantamento de custo por voto feito pelo TSE em 2002).
O SELA, por exemplo, (a segunda tela para "feedback" que voc� prop�s) tem que ser validado e certificado pelos partidos pol�ticos.
Voce tem id�ia de qual � o custo que os partidos teriam para validar e certificar 400 mil SELAs pelo Brasil a fora?
Este custo n�o deveria ser considerado numa an�lise equilibrada?
Voc� tem id�ia se os partidos tem este dinheiro?
E capacita��o? Os partidos t�m? Quanto custaria para obt�-la?
Neste ano, sem os MIE, os partidos tem que apresentar um programa de verifica��o de assinatura digital para verifica��o de integridade das UE.
Sabe quantos partidos entenderam este processo?
Dois, o PT e o PDT.
Sabe quantos partidos ter�o este programa pr�prio?
Nenhum (ou no m�ximo um, se o PT conseguir). O PDT n�o tem grana para bancar o desenvolvimento do software nem para pagar especialistas para acompanharem a apresenta��o dos programas no TSE.
� facil falar que os partidos podem fazer fiscaliza��o de alta tecnologia, mas se esquecer que isto tem alto custo e que os partidos n�o recebem verba para cumprir esta fun��o social essencial (de fiscais do sistema).
Por isto, eu acho que voc� extrapolou em muito sua compet�ncia ao sugerir o fim do voto impresso no sistema eleitoral brasileiro.
Sugiro voc� ler o Relat�rio SBC sobre o sistema do TSE de 2002 e a tese da Rebecca Mercury sobre o dilema "auditabilidade do voto-e X confidencialidade do voto".
Auditar voto-e, Sergio, n�o � f�cil, nem simples, nem barato, n�o...
Bom, S�rgio, n�o se intimide pelo meu tom mais incisivo.
� meu jeito de manifestar minhas opini�es.
Estou esperando voc� me enviar o Indere�o onde est� sua disserta��o para que eu coloque um atalho para ela na p�gina do Voto-E.
At 13:23 25/05/04, you wrote:Prezado Sr. Amilcar Brunazo,
Fiquei de enviar ao senhor a Disserta��o sobre a usabilidade dos artefatos tecnol�gicos do processo eleitoral.
Esta segue em anexo.
Na pr�xima semana enviarei um artigo sobre este estudo.
Coloco-me a disposi��o para qualquer esclarecimento.
Sauda��es,
Sergio S Lima.
Doutorando em Engenharia de Produ��o e Sistemas - UFSC. - (48) 9971-1881.
[ ]s
Eng. Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP
Em Defesa da Cidadania
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O texto acima e' de inteira e exclusiva responsabilidade de seu
autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
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O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas. __________________________________________________ Pagina, Jornal e Forum do Voto Eletronico http://www.votoseguro.org __________________________________________________
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