���� Prezado Roberto
���� N�o seja t�o radical em seu racioc�nio. Tudo que voc� citou pode ser verdade, mas no momento isso � irrelevante. Depois n�s, consumidores,�brigamos com a Petrobr�s e a AEPET.
���� Agora, trata-se de defender os interesses do pa�s. Nesse caso, os interesses do Brasil, da sociedade, da�AEPET, da Petrobr�s e�das futuras gera��es coincidem.�Lembro-lhe que entidades podem ter interesses�conflitantes em certos�momentos e coincidentes em outros. Seja brasileiro primeiro e consumidor depois. Leia o estarrecedor estudo abaixo.
���� Abra�o
���� Walter Del Picchia - S.Paulo/SP
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Assunto:�
Sexta licita��o: erro estrat�gico no setor petr�leo >> (14
t�picos)
Data: s�bado, 24 de julho de 2004 19:59
Projeto
de An�lise da Conjuntura Brasileira
Laborat�rio de Pol�ticas P�blicas
da Uerj
Funda��o Rosa Luxemburgo
P�gina na internet:
www.outrobrasil.net
Economia e pol�tica econ�mica
C�sar
Benjamin, Paulo Metri e R�mulo Tavares Ribeiro
Data do
fechamento: 17 de julho de 2004
Tema do m�s
Sexta
licita��o: erro estrat�gico no setor petr�leo
1. Um espectro
ronda a economia mundial: novo choque do petr�leo. Choque
diferente
dos anteriores, de um tipo que ainda n�o conhecemos.
Na d�cada de
1970, os pre�os do principal insumo energ�tico da nossa �poca
elevaram-se subitamente, duas vezes consecutivas, por motivos
essencialmente
pol�ticos - primeiro a guerra entre �rabes e
israelenses, depois a revolu��o
no Ir� - com m�ltiplas conseq��ncias
sobre a economia mundial. O choque
atual � menos espetacular, mais
gradual, mas de conseq��ncias provavelmente
mais profundas e mais
duradouras. � um choque estrutural.
2. De um lado est� o
aumento permanente do consumo, seja pelo crescimento
normal das
economias centrais, quase todas dependentes de importa��es, seja
pelo
crescimento r�pido de grandes economias semiperif�ricas, como a China e
a �ndia, igualmente dependentes de importa��es. Dos pa�ses do chamado
G-7,
apenas Canad� e Inglaterra s�o auto-suficientes. A necessidade
de
abastecimento externo � de 60% para os Estados Unidos (que t�m
reservas
pr�prias para menos de cinco anos) e 100% para Alemanha,
Fran�a, It�lia e
Jap�o. A China, que consome 8% do petr�leo mundial
(contra 25% dos Estados
Unidos), foi respons�vel por 37% do
crescimento da demanda nos quatro
�ltimos anos; na pr�xima d�cada,
ter� dobrado o seu consumo e precisar�
obter no exterior mais de 80%
de todo o petr�leo de que necessita. "Temos
debatido a
concorr�ncia da ind�stria chinesa e indiana com a nossa ind�stria
,
escreveu o norte-americano Paul Krugman, "mas um tipo diferente de
competi��o - a competi��o pelo petr�leo e outros recursos - representa
uma
amea�a muito maior � nossa prosperidade."
� alto, como
se v�, o potencial de conflito envolvido nessa quest�o. Junto
com o
g�s natural, a ele associado, o petr�leo responde por 2/3 da energia
total consumida no mundo (no Brasil, gra�as ao peso da
hidreletricidade,
essa propor��o � de pouco mais de 1/3).
3. O outro lado desse choque estrutural � a incerteza sobre o volume
das
reservas mundiais. Elas haviam sido grosseiramente superestimadas
e est�o
sendo revistas para baixo. Durante a recente epidemia de
fraudes cont�beis,
as mais respeit�veis multinacionais do setor
apresentaram n�meros falsos
para elevar o valor de suas a��es. As
reservas da Shell foram infladas em
24%, as da El Paso em 33% e as da
Enron em 30%. Diversos pa�ses fizeram o
mesmo, inclusive grandes
produtores, como os Emirados �rabes, a Ar�bia
Saudita e o M�xico.
Anunciaram a posse de jazidas entre 20% e 40% maiores do
que as
verdadeiras, pois as quotas de produ��o, definidas no �mbito da
Organiza��o dos Pa�ses Exportadores de Petr�leo (Opep), s�o
proporcionais �s
reservas declaradas. H� muito menos petr�leo
dispon�vel do que se pensava.
4. Com a eleva��o do consumo e a
descoberta das fraudes, o mercado mundial
mergulhou em grande
incerteza. O barril custava cerca de US$ 13,00 em 2001;
passou para
cerca de US$ 28,00 em 2003; agora oscila em torno de US$ 40,00 e
n�o
apresenta tend�ncia consistente de queda. Ao contr�rio, autores
insuspeitos anunciam� novas rodadas de alta. O embaixador Rubens
Ricupero j�
advertiu sobre "a tend�ncia a um aumento sens�vel e
cont�nuo no pre�o do
petr�leo. O aperto nos pre�os (...) pode vir em
cinco anos, com mais um
choque elevando o barril a US$
50,00."
Krugman seguiu a mesma linha: "O mercado do
petr�leo est� distendido at� o
limite da ruptura. (...) Na �ltima vez
que os pre�os atingiram os n�veis
atuais,
pouco antes da Guerra
do Golfo (1991), havia capacidade de produ��o
excedente no mundo, de
modo que havia espa�o para enfrentar s�rias
perturba��es da oferta,
caso elas surgissem. Desta vez isso n�o se aplica.
(...) Novas
descobertas t�m sido cada vez mais raras. (...) Os pre�os do
petr�leo
est�o altos e podem subir ainda mais."
Paul
Roberts foi ainda mais enf�tico: "Estamos no limiar de um novo tipo
de
guerra, entre aqueles que t�m energia suficiente e aqueles que n�o
t�m, mas
est�o cada vez mais dispostos a sair para busc�-la. Parece
cada vez mais
prov�vel que a corrida por uma fatia das �ltimas
grandes reservas de
petr�leo e g�s
natural ser� o tema
geopol�tico dominante no s�culo XXI."
Documentos do Departamento
de Estado dos Estados Unidos parecem confirmar
essa �ltima opini�o,
ao conferirem grande destaque, na escala de interesses
do pa�s,
� necessidade de "assegurar acesso incondicional �s fontes de
energia e aos
recursos
estrat�gicos".
5. Alguns
especialistas prev�em que em 2010 atingiremos o auge da produ��o e
come�aremos a ver o inevit�vel decl�nio na oferta. A demanda, por sua
vez,
dever�
crescer 60% at� 2020. Os mais assustados dizem que o
barril poder� custar
US$ 100,00
nessa �poca. Datas e n�meros
est�o sujeitos a controv�rsia, mas a tend�ncia
� certa.
A
produ��o de qualquer campo de petr�leo segue uma curva em forma de
sino,
que
atinge um pico e declina; como a soma dessas curvas
resulta sempre numa
curva de
mesmo formato, a produ��o mundial,
que � a soma da produ��o de todos os
campos,
tamb�m seguir� uma
curva do sino. A busca de novas jazidas (em terrenos
ainda n�o
explorados, como as grandes profundezas do mar), a melhora nas t�cnicas
de
extra��o
(para viabilizar a continuidade dos trabalhos em
campos hoje considerados
exauridos)
e o uso misto de
combust�veis alternativos podem estender prazos, mas sempre
�s
custas de aumento de custos. Isso quer dizer que, de qualquer
maneira,
independentemente da pol�mica sobre o esgotamento das
reservas mundiais, a
era do
petr�leo barato ficou para tr�s.
Tudo indica que a tend�ncia dos pre�os
passou a
apontar,
definitivamente, para cima.
A ger�ncia dos recursos restantes e a
altera��o gradativa da matriz
energ�tica
tornam-se, pois,
problemas decisivos para as pr�ximas d�cadas.
6. O Brasil � um
dos pa�ses mais bem-posicionados do mundo para enfrentar
esse enorme
desafio, seja do ponto de vista de sua dota��o de recursos, seja
de
sua capacita��o tecnol�gica, seja do potencial para desenvolver
alternativas.
Nossa oferta de eletricidade � majoritariamente de
origem h�drica, e mais da
metade
do potencial hidrel�trico
permanece dispon�vel para vir a ser utilizado.
Nosso
extenso
territ�rio tropical, com �gua e insola��o abundantes, permite
intensa
produ��o de biomassa, fonte de combust�veis l�quidos que
podem substituir a
gasolina
e o diesel, com elevada
produtividade. Temos grandes reservas de ur�nio de
boa
qualidade. O previs�vel aumento de efici�ncia dos coletores de energia
solar
muito
nos beneficiar�.
Quanto ao nosso recurso
energ�tico mais escasso - o pr�prio petr�leo -
constru�mos
em
meio s�culo uma impressionante hist�ria de �xito, que ainda n�o foi
plenamente
reconhecida. Na trajet�ria econ�mica med�ocre do Brasil
nos 24 �ltimos anos,
destaca-se o excepcional desempenho da
Petrobras.
Lutando contra uma geologia adversa em terra firme, ela
foi capaz de
localizar e
operar jazidas importantes em alto-mar,
tornando-se l�der mundial em
tecnologia de
explora��o em �guas
profundas. Gra�as a esse empenho e compet�ncia, o Brasil
tem
hoje reservas de 16 bilh�es de barris, suficientes para assegurar seu
consumo
interno, nos n�veis atuais, durante cerca de dezoito anos.
A
auto-sufici�ncia ser�
atingida em 2006.
Nesse aspecto,
ocupamos uma posi��o intermedi�ria no mundo. Nem temos
reservas
especialmente grandes, comparadas com o nosso consumo, nem
dependemos
crucialmente do mercado internacional.
7. Uma conta simples
mostra a import�ncia do que j� conseguimos fazer: se as
d�cadas de
1980 e 1990 tivessem sido perdidas tamb�m no setor petr�leo, como
o
foram na grande maioria dos demais setores da nossa economia, de modo
que
o Brasil necessitasse importar hoje a mesma propor��o de barris
que
importava na �poca dos dois primeiros choques, estar�amos
gastando cerca de
US$ 23 bilh�es por ano para suprir o mercado
interno. Todo o saldo comercial
brasileiro atual teria de ser usado
em petr�leo, o que, literalmente,
quebraria o pa�s.
Nas duas
d�cadas perdidas, conseguimos escapar dessa arapuca. Mas,
paradoxalmente, o
risco que corremos, em futuro n�o muito remoto, �
de retornar a ela, em uma
conjuntura internacional mais desfavor�vel.
Esse risco vem sendo constru�do
a partir
do governo de Fernando
Henrique Cardoso.
Tamb�m aqui, o governo Lula apenas d� continuidade
ao desastre.
8. Tr�s momentos sucessivos assinalam a altera��o
do marco regulat�rio do
setor petr�leo no Brasil, com o desmonte do
modelo anterior,
reconhecidamente
exitoso. Em 1995, o Congresso
Nacional aprovou a emenda constitucional
n�mero 9, que
extinguiu
o monop�lio da explora��o pela Petrobras. Em 1997, a lei 9.478
regulamentou essa decis�o e definiu as novas regras para o setor. Em
1998,
foi
criada a Ag�ncia Nacional do Petr�leo (ANP). Ao
contr�rio de outros pa�ses
que
tamb�m passaram a admitir a
participa��o de empresas estrangeiras na
explora��o de
petr�leo,
a mudan�a feita no Brasil n�o incluiu dispositivos que garantissem
a
lideran�a do setor por uma empresa nacional (na Noruega, por
exemplo, a
estatal
Statoil continuou tendo prioridade para
receber as melhores �reas, sem
precisar
participar de
licita��es).
A Petrobras - que, at� a promulga��o da nova lei,
procurava e explorava
petr�leo em
todo o territ�rio nacional -
ficou confinada em 397 �reas, assim
distribu�das: 231
correspondiam a campos em produ��o, 51 a campos em desenvolvimento e 115
a
blocos em
prospec��o, que passaram a ser chamados "blocos
azuis", selecionados pela
pr�pria
empresa e, por isso, os
mais promissores. Todas as demais �reas, que
correspondem a
cerca de 90% do territ�rio brasileiro, foram entregues � ANP para
serem
leiloadas. A
Petrobras recebeu prazo de tr�s anos (depois
estendido para cinco) para
colocar em
produ��o os campos em
desenvolvimento e demonstrar a comercialidade dos
blocos em
prospec��o, sob pena de ter de devolv�-los tamb�m � ANP. O prazo vencia
em
agosto de
2003.
Quatro rodadas de leil�es foram
realizados durante o governo de Fernando
Henrique, sempre sob fortes
cr�ticas do PT. A quinta rodada foi preparada
nesse
mesmo
governo, mas realizada j� depois da posse de Lula, que a manteve,
alegando que
n�o desejava interromper um processo j� iniciado, de
modo a n�o contrariar
expectativas de grandes empresas. O compromisso
de campanha, no entanto, era
claro e
reiterado: suspender novos
leil�es.
9. O trabalho de prospec��o progrediu muito lentamente
na �poca em que a
Petrobras foi dirigida por diretorias nomeadas por
Fernando Henrique
Cardoso, como se houvesse a deliberada inten��o de
levar a leil�o aquelas
�reas nobres, ou blocos azuis, que haviam
permanecido sob controle da
empresa. Com a posse da nova diretoria,
em janeiro de 2003, o trabalho foi
intensificado e resultou na
descoberta - que j� era esperada - de 6,6
bilh�es de barris em �reas
que seriam devolvidas � ANP em agosto. Este foi o
aspecto mais
positivo da nova gest�o. As reservas comprovadas brasileiras
aumentaram em mais de 50%. Mas, n�o houve tempo para perfurar tudo.
Parte
significativa dos blocos azuis teve de ser entregue � ANP,
entre as quais
70% do BC-60 da Bacia de Campos (na �rea norte,
correspondente a 30% do
bloco, j� foram encontrados 2 bilh�es de
barris) e o Esp�rito Santo n�mero
12 (onde se estima existirem 4
bilh�es de barris).
Contrariando o posicionamento hist�rico do PT, o
Minist�rio das Minas e
Energia do
governo Lula determinou que a
ANP deflagrasse o processo que levar� � sexta
rodada
de
licita��o, prevista para 15 de agosto, nela incluindo esses blocos
azuis,
considerados bilhetes premiados. Entre 3,3 bilh�es de barris
(estimativa
oficial) e
6,6 bilh�es de barris (estimativa de
t�cnicos da Petrobras) das reservas
brasileiras
ser�o leiloados
de uma s� vez.
10. S�o falsos os argumentos apresentados para
defender o leil�o, a saber:
(a) Seria necess�rio atrair mais recursos
para o setor. Como vimos, a
Petrobras
garantir� a
auto-sufici�ncia a partir de 2006, antes que as �reas agora
licitadas
entrem em opera��o. Com US$ 9 bilh�es dispon�veis, a
empresa brasileira tem
recursos pr�prios mais do que suficientes para
investir de forma planejada,
otimizando o uso das reservas conforme
os interesses estrat�gicos do pa�s;
(b) Precisar�amos ter acesso a
novas tecnologias. Trata-se, aqui, da
repeti��o de um
fetiche,
pois o que ocorre nesse caso � justamente o contr�rio. As empresas
estrangeiras que come�aram a entrar no Brasil sempre buscam alguma forma
de
associa��o com a Petrobras, pois a melhor tecnologia � a dela.
Al�m disso,
n�o era
necess�rio alterar a Constitui��o do pa�s
para isso, pois parcerias
tecnol�gicas
sempre existiram.
(c) Seria urgente fazer novas descobertas para manter constante a
rela��o
reservas / produ��o (R / P). Ningu�m discute que v�rios
blocos a serem
leiloados na sexta licita��o t�m muito petr�leo, de
modo que haver� apenas a
confirma��o de reservas, que passar�o de
prov�veis a provadas. Ora, se essas
�reas entrarem em produ��o sob
controle de empresas estrangeiras, com as
regalias que a lei
brasileira lhes faculta (propriedade plena do �leo
extra�do e
decis�o aut�noma de export�-lo), as reservas n�o poder�o mais ser
computadas
como brasileiras, de modo que leil�es vencidos por
multinacionais nunca
poder�o influir positivamente na rela��o R / P.
Note-se, ainda, que, quando
detinha o monop�lio, a Petrobras
realizava dentro da economia brasileira, em
m�dia, 85% das compras
necess�rias ao desenvolvimento e explora��o de um
campo mar�timo e
100% das compras destinadas a equipar um campo terrestre.
As empresas
multinacionais que participaram da pen�ltima rodada de
licita��es
(n�o h� dados dispon�veis para a �ltima) comprometeram-se a
realizar
compras locais no valor m�dio de 38% do disp�ndio total para campos
mar�timos e 68% para campos terrestres. Os efeitos multiplicadores
dos
investimentos da Petrobras na economia
brasileira s�o muito
maiores.
(d) Precisar�amos aumentar a competi��o no setor para
conseguir pre�os
menores. Ocorre, nesse caso, justamente o contr�rio.
O modelo competitivo e
aberto transforma o mercado brasileiro de
petr�leo e derivados em uma
extens�o do mercado internacional, de
modo que os pre�os nos dois ambientes
permanecem equiparados. O
trabalhador brasileiro, hoje, paga pelo g�s de
cozinha (GLP) o mesmo
pre�o pago por um trabalhador alem�o. Mantendo-se o
modelo anterior e
atingindo-se a auto-sufici�ncia, o mercado interno
brasileiro
poderia ser isolado dos choques internacionais, com a Petrobras sendo
remunerada
pelos seus custos (mais uma rentabilidade adequada), de
modo a defender a
economia brasileira como um todo.
11.
Pela lei em vigor, todo o petr�leo a ser extra�do passa a pertencer �s
empresas vencedoras das licita��es, que ganham automaticamente o direito
de
exportar a quantidade que desejarem. Como estamos �s v�speras
da
auto-sufici�ncia, as �reas que o governo Lula vai leiloar s�
poder�o entrar
em opera��o para abastecer o mercado externo, pois
haver� excesso de
produ��o. � um erro grave. A geologia brasileira �
desfavor�vel � ocorr�ncia
de petr�leo, de modo que n�o devemos
esperar que grandes descobertas se
sucedam. Se o Brasil passar �
condi��o de exportador, o horizonte da
auto-sufici�ncia ser�
drasticamente reduzido, com o pa�s podendo retornar �
posi��o
importadora em menos de uma d�cada, justamente quando a competi��o
mundial pelo petr�leo estar� mais acirrada e os pre�os, mais altos.
(Em
situa��es de emerg�ncia, a lei prev� que o governo pode exigir
prioridade ao
abastecimento do mercado interno por trinta dias,
pagando, no entanto, o
pre�o em vigor no mercado internacional; isso
equivale a uma importa��o,
pelo Brasil, de petr�leo brasileiro.)
A propriedade de campos petrol�feros, nas pr�ximas d�cadas, ser�
muit�ssimo
lucrativa. Fa�amos mais uma conta, utilizando a estimativa
mais conservadora
que
afirma a exist�ncia de "apenas"
3,3 bilh�es de barris nas �reas a serem
licitadas. A
vida �til
de um campo oscila normalmente entre 15 e 20 anos. Se supusermos o
pre�o do barril de petr�leo em US$ 50,00 nos pr�ximos anos, conforme
a
previs�o do embaixador Rubens Ricupero, estamos falando da entrega,
a
empresas privadas, de um neg�cio de US$ 89 bilh�es de d�lares,
j�
descontados todo o investimento, todo o custo de opera��o e todos
os
impostos e taxas. Se supusermos o pre�o em US$ 75,00, estamos
falando de um
lucro l�quido de US$ 134 bilh�es. Com a sexta
licita��o, corremos o risco de
retirar da Petrobras e repassar a
empresas privadas um valor provavelmente
situado entre esses dois
n�meros, ambos gigantescos.
12. A� quest�o de fundo � a
seguinte: pressionado pela necessidade de fazer
vultosos pagamentos
externos nos pr�ximos anos, o Brasil resolveu tratar
como uma
commodity comum, a ser incorporada em sua pauta de exporta��es,
aquele que � o principal recurso estrat�gico das economias modernas.
Um
recurso finito, n�o renov�vel, do qual temos reservas apenas
suficientes,
nunca sobrantes. Receberemos impostos sobre o valor
exportado e repassaremos
esses recursos aos nossos credores
internacionais. Assim, o governo Lula
optou por
usar o petr�leo
brasileiro como lastro para manter em dia o pagamento de
d�vidas
financeiras, mesmo com o �nus de produzir um esgotamento precoce das
nossas
reservas. Como vimos, esse esgotamento, se vier a ocorrer,
ter�
conseq��ncias
dram�ticas sobre a economia real e as contas
externas do pa�s, que se
tornar�o
inadministr�veis.
A
posi��o brasileira est� na contra-m�o do que ocorre no mundo. O aumento
de
pre�os tem sido compreendido, por todos os pa�ses, como um sinal
de que o
petr�leo � um produto estrat�gico e finito, e por isso a
disputa pelas
reservas
nunca foi t�o intensa. As guerras no
Oriente M�dio, a crescente tens�o no
C�ucaso,
as disputas entre
China e Jap�o pelo tra�ado do oleoduto siberiano e as
tentativas
norte-americanas de desestabilizar o governo da Venezuela s�o apenas a
ponta
de um imenso iceberg. S� o governo brasileiro parece fazer a
leitura de que
o aumento de pre�os deve ser aproveitado para queimar
reservas escassas e
fazer caixa o mais
rapidamente poss�vel.
Tal decis�o, no m�nimo ing�nua, poder� ter desdobramentos insuspeitados.
Em
pleno desenvolvimento do que chamamos de "choque estrutural
do petr�leo" -
um choque que, como vimos, ser� prolongado -, o
Brasil est� se dispondo a
entregar a empresas multinacionais a
propriedade de campos situados em
alto-mar, garantindo a elas a livre
disposi��o sobre o petr�leo extra�do. Os
contratos com essas empresas
t�m trinta anos de dura��o. Se, nesse per�odo,
em uma situa��o de
crise, o pa�s tentar retomar o controle sobre esses
campos (para
garantir o abastecimento interno, por exemplo), poder� ver-se
envolvido em um contencioso internacional muito desfavor�vel, at� mesmo
pela
falta de meios para defender sua soberania nessas �reas. Se
resolver mudar a
lei, n�o poder� faz�-la cumprir. "Numa situa��o
de grande tens�o mundial,
com crescente escassez de petr�leo, no
futuro as for�as armadas brasileiras
n�o ter�o poder de dissuas�o
para evitar que plataformas de petr�leo
operadas por empresas
estrangeiras, em nosso mar territorial, entreguem suas
produ��es para
petroleiros que a levem diretamente para o exterior", alertou
recentemente o brigadeiro S�rgio Xavier Ferolla.
Por precau��o com
a nossa soberania, o controle e a propriedade dos campos
situados na
plataforma mar�tima deveriam caber exclusivamente � Petrobras.
13. A sexta licita��o ser� realizada sem que nenhum �rg�o p�blico
tenha
apresentado um estudo sobre o suprimento de petr�leo ao pa�s no
m�dio e
longo prazos. Mais ainda: o pa�s n�o disp�e de um
planejamento energ�tico de
car�ter estrat�gico. Est� parado no Senado
Federal, desde junho de 2001, um
projeto de lei muito simples e de
grande bom senso, proposto pelo senador
Saturnino Braga (PT-RJ), que
diz apenas o seguinte: "Ficam suspensas as
licita��es de novas
�reas para explora��o de petr�leo, at� que o Congresso
Nacional
aprove o planejamento energ�tico do pa�s, a ser proposto pelo
Conselho Nacional de Pol�tica Energ�tica."
A nosso ver, tal
planejamento estrat�gico deveria, pelo menos:
(a) racionalizar e
otimizar o uso do potencial energ�tico dispon�vel, tendo
em vista as
necessidades de m�dio e longo prazos, combinando-se nesse
projeto o
uso de fontes tradicionais (hidreletricidade, petr�leo, nuclear) e
alternativas (biomassa, solar, baga�o de cana, e�lica), al�m de
definir
pol�ticas de conserva��o. Os recursos n�o renov�veis deveriam
ser objeto de
tratamento cuidadoso;
(b) utilizar o pr�prio setor
energ�tico como instrumento de indu��o ao
desenvolvimento, n�o s� por
fornecer energia, mas tamb�m por maximizar suas
compras dentro do
espa�o econ�mico nacional e reinvestir nele o lucro
obtido, gerando
empregos e promovendo o desenvolvimento tecnol�gico;
(c) ampliar e
diversificar o potencial dispon�vel por meio de pol�ticas de
integra��o da Am�rica do Sul. Assim como a Comunidade Europ�ia do Carv�o
e
do A�o, criada depois da Segunda Guerra Mundial, foi o embri�o do
Mercado
Comum Europeu, que por sua vez desdobrou-se na Uni�o
Europ�ia, a enorme
capacidade de oferta e a complementaridade de
fontes energ�ticas (algumas
das quais n�o comercializ�veis no mercado
mundial) podem desempenhar um
papel-chave em um processo de
integra��o do nosso continente;
(d) preparar um salto � frente da
economia brasileira dentro do sistema
mundial. Pa�s tropical de
grande dimens�o territorial, o Brasil, como vimos,
� um lugar
privilegiado para assumir uma posi��o de destaque na mudan�a da
matriz energ�tica nas pr�ximas d�cadas.
14. Nada disso est�
sendo feito. A divis�o internacional de trabalho que se
desenha neste
in�cio de s�culo refor�a a posi��o dos pa�ses centrais como
produtores de bens e servi�os de alta tecnologia, transfere para o Leste
da
�sia a din�mica manufatureira e conduz a Am�rica Latina a
especializar-se de
novo em atividades prim�rias e exporta��o de
recursos naturais. A decis�o de
usar o petr�leo brasileiro,
relativamente escasso, para encorpar no curto
prazo os resultados da
balan�a comercial confirma que estamos dispostos a
aceitar esse
retrocesso, que traz riscos imensos � sociedade brasileira.
Lamentavelmente, tamb�m nesse aspecto, o governo Lula � uma decep��o
sem
tamanho.
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�Roberto Filho disse:
> O petroleo nao e nosso.
>
> E da AEPET.
>
> E dos interesses que aceitam que
o pais seja influenciado pelos precos do
> mercado internacional,
se esquecem dos impostos, ainda mais em um
> monopolio como e o
caso do nosso mercadeo, os combustiveis sao
> incrivelmente mais
caros que deveriam para a nossa realidade.
>
> Esta
manifestacao mais uma vez mostra o poder da AEPET sem interesse no
> pais.
>
> Roberto
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