Imp ... lodiu!

Démerson Dias
 
O governo foi à lona hoje. E de forma espetacular.
Tão espetacular que até a oposição perdeu o prumo diante da oportunidade de 
impeachement que cai em seu colo a partir das declarações de Duda Mendonça. 
Cair no colo é modo de dizer. As raposas cozinharam, cozinharam e o PaTo vai 
ser servido com laranja.
A exasperação é notável e a tucanagem não sabe com precisão como lidar com a 
oportunidade. Claro que isso vai durar muito pouco. A única variável a ser 
realmente equacionada no panorama político se chama José Alencar.
A primeira complicação inesperada é o financiamento da campanha haver 
ultrapassado as fronteiras nacionais. Tanto que Valério nega prontamente. 
Conhece direitinho o script. Claro que Duda também sabe muito bem do que está 
falando, estão ali dois mercadistas, sendo que Duda ganha a vida nesta 
profissão. Não existe inocente em lado algum dessa celeuma.
A situação é de tal modo grave que mesmo que o Congresso chame o maior 
pizzaiolo do mundo (tem uns bons aqui ao lado, no Bixiga) e por mais que o 
Nelson Jobim se empenhe, pelo menos o Ministério Público já está obrigado a 
propor duras sanções ao partido, ao governo e também ao próprio presidente 
Lula.
Se o quadro era complexo, foi elevado ao quadrado. Nem seria necessário o TSE 
apreciar o pedido de cassação do registro partidário proposto por César 
Borges (PFL-BA). De saída o PT já está inviabilizado pela multas aplicáveis 
no caso de gastos não declarados (cinco a dez vezes a quantia em excesso).Se 
Judiciário e MPU não cumprirem a lei serão coniventes.
A extensão da crise que toca em Lula reside no fato de que os candidatos são 
formal e pessoalmente responsáveis pelas suas contas. A lei é explícita: o 
candidato é “o único responsável pela veracidade das informações financeiras 
e contábeis de sua campanha, devendo assinar a respectiva prestação de contas 
sozinho ou, se for o caso, em conjunto com a pessoa que tenha designado para 
essa tarefa”. A alegação de desconhecimento é refutada prontamente pela lei.
Imaginemos o descalabro: Lula pode responder até por abuso de poder econômico!
O problema também alcança o judiciário via Justiça Eleitoral, a ponto do 
presidente do TSE acabar de constituir comissão para revisar e atualizar a 
legislação sobre delitos eleitorais e também sobre a prestação de contas dos 
partidos. Notadamente a Justiça Eleitoral visa se antecipar ao inescapável. O 
acompanhamento fictício do processo eleitoral facilitou a vida da bandalheira.
Sempre me impressionou que o TSE não dedicou ao tema do controle das eleições 
o fervoroso empenho que dedicou para tornar a urna eletrônica inauditável e 
mais leniente aos interesses dos fabricantes do que dos eleitores.
Sou forçado a reconhecer que desconheço na história do país momento mais 
insólito. Pode-se apelar para qualquer variável de interpretação. Para os 
mais suscetíveis até sinais de maldição podem ser apontados em torno da 
questão.
Lula para se eleger e governar se engalfinha com uma banda do que há de pior 
no panorama político (não precisamos ficar animados a outra banda podre está 
com a oposição). Se tivesse optado por governar com e para o povo jamais 
teria chegado a essa situação. Poderia ter outros problemas, não esse.
Agora não lhe resta mais alternativa do que clamar pelo apoio popular. Mas 
como alguém em sã consciência pode ir em socorro de um governo que naufraga 
no mais formidável mar de lama já presenciado no país?
O governo Lula perdeu qualquer condição real de governabilidade. E a 
persistência levará apenas a uma tragédia de proporções mais desastrosas. Uma 
solução negociada a essa altura só será possível se o país der o passo 
adiante à beira do abismo.
Qualquer um que fosse levar à sério a solução desse cataclismo teria que 
postular no mínimo a convocação de eleições gerais, dissolução do congresso e 
inelegibilidade de nove em cada dez parlamentares. Está falida a democracia 
burguesa no Brasil. E isso é ótimo para o capitalismo e globalitarismo.
Os apoioadores do governo no campo social estarão assumindo um mico de 
proporções titânicas se não encontrarem uma solução mágica ou milagrosa. Há 
limites no compromentimento dessas organizações. Estivemos nas ruas contra 
Collor por uma ínfima fração disso tudo. Claro que o tucanato não teria do 
que se gabar pois representam apenas a profissionalização das molecagens do 
Collor.
Mas o caso é que Lula flertou o tempo todo com o aliado mais improvável e ao 
fazê-lo virou as costas aos únicos que, agora, teriam condições de lhe 
garantir alguma estabilidade.
O governo foi à lona e ainda que se levante antes do final da contagem 
depende muito mais da benevolência dos adversários do que de seus próprios 
recursos para não ter o fim mais deplorável que se teve notícia na história 
do país. A proposta de Convocação do Conselho da República, que até seria uma 
saída inteligente antes, também está politicamente inviabilizada.
Supor que estaria ao alcance de Lula um retorno aos braços dos 53 milhões de 
eleitores é apelar para o realismo fantástico. Caso isso ocorresse surgiriam 
discrepâncias no continuum espaço-temporal. O governo passou há muito do 
ponto sem volta.
Durma quem conseguir. Para a semana que vem estão previstas em Brasília duas 
manifestações. Uma foi convertida em manifestação de sustentação ao governo. 
A outra para denunciá-lo.
Antes do país cair em comoção pelo debate do impeachment (contra e a favor) é 
preciso que a esquerda se disponha a fazer uma séria análise dos fatos. Ao 
passo que estaremos na trincheira exigindo apurações e punições, não podemos 
deixar de considerar que por mais sórdidas que tenham sido as armações e 
conluios que trouxeram o país a esse estágio, será preciso passar em rigorosa 
revistas as práticas e métodos da esquerda. O governo Lula se meteu nessa 
tempestade por opção. E ao faze-lo cavou a própria sepultura. Até que ponto o 
restante da esquerda está imunizado? 
No quadro político partidário tradicional nada se salva. As massas estão 
desmobilizadas e o momento não é revolucionário. A chance de um revés ainda 
mais à direita está pautada no horizonte aguardando a primeira oportunidade.
Se é verdade que não há solução por dentro da institucionalidade, também é 
verdade que a sociedade, a esquerda ou o campo social não possuem 
instrumentos, muito menos tática para responder adequadamente à crise. Nesse 
contexto é muito improvável que as soluções de continuidade ocorram em favor 
do povo.
É hora de ir às ruas. Sem a menor sombra de dúvida. Mas é mais importante 
ainda sabermos aonde estamos indo.


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