Folha de São Paulo
São Paulo, domingo, 04 de setembro de 2005

PMDB articula Jobim para a presidência

Partido vê Lula enfraquecido e aposta no presidente do STF, que tem até
abril para se filiar; composição com o PT é considerada difícil

KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu de dirigentes peemedebistas que
dificilmente o partido apoiará a sua reeleição em 2006. Ao mesmo tempo,
ganha força nas articulações internas do PMDB a possibilidade de o
presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Nelson Jobim, ser o candidato
a presidente do partido.
Na quarta-feira à noite, em Brasília, numa confraternização das bancadas do
PMDB no Senado e na Câmara, a avaliação preponderante era a de que Lula
dificilmente se recuperará para se reeleger e que o partido, que não teve
candidato próprio a presidente em 1998 e 2002, deve apresentar um nome para
disputar a Presidência.
Uma eventual candidatura de Jobim depende da evolução da crise, do desfecho
das investigações do Congresso e do nível de beligerância entre PT e PSDB
nas eleições do ano que vem.
O presidente do STF, que está sem filiação por razão legal, fez carreira
política no PMDB. Foi relator do Congresso constituinte em 1988 e se
reelegeu deputado federal em 1990, última eleição da qual participou. Nos
dois casos, sua sigla era o PMDB.
Reservadamente, Jobim admite entrar na corrida sucessória, mas trata o
assunto com cautela.
Termina neste mês o prazo final de filiação para políticos que desejam
concorrer nas eleições de outubro do ano que vem. Há exceção, porém, para
magistrados. Eles podem se filiar até o prazo de desincompatibilização dos
cargos para disputar eleição -abril de 2006. Jobim conta com esse tempo
extra para decidir.
Se o ambiente político estiver muito tenso, com Lula e o Congresso com as
imagens bastante arranhadas, ele poderá se animar.
Faria uma campanha de magistrado sério e ponderado num momento de descrença
em relação aos políticos tradicionais. Poderia se aproveitar da esperada
guerra entre PT e PSDB para usar um discurso conciliador e buscar uma vaga
no segundo turno.
Nas disputas internas do PMDB, Jobim enfrenta menos resistência dos
governadores e das diversas alas -o PMDB é uma confederação de caciques
regionais. A Folha apurou que o presidente do Senado, Renan Calheiros, o
presidente do PMDB, Michel Temer, o ex-governador Orestes Quércia e alguns
dos sete governadores do partido são simpáticos a uma candidatura Jobim.
O ex-governador Anthony Garotinho tem pouca chance na disputa interna. Hoje,
não seria o candidato da cúpula.
Garotinho seria o o candidato do PMDB apenas em um cenário para ser
abandonado politicamente e no qual caia por terra a chamada verticalização,
o que deve acontecer neste mês.
A verticalização é a regra que induz um partido a repetir nos Estados a
aliança nacional. Sem ela, o PMDB poderia ter um candidato a presidente e
deixar as seções regionais livres para se coligar com os partidos que
desejarem. Isso aumenta a chance de o partido eleger mais governadores.
Além de Jobim e Garotinho, fazem parte do elenco de presidenciáveis do PMDB
os governadores Roberto Requião (PR) e Germano Rigotto (RS), além do
ex-presidente Itamar Franco.
Requião tem apoio limitado dentro do PMDB. Rigotto é mais bem-visto
internamente e teria chance de ameaçar Jobim numa eventual convenção. Itamar
também se enquadra na situação.
Uma eventual aliança do PMDB com o PSDB é bem difícil. Os peemedebistas
avaliam que os tucanos dariam preferência a um entendimento com o PFL.
O apoio a Lula dependeria de uma fantástica recuperação do petista nas
pesquisas. O presidente avalia que isso poderá acontecer se a economia real
tiver bom desempenho em 2006. Se isso acontecesse, Lula poderia sonhar em
ter Jobim de vice, hipótese com a qual o presidente do STF flertou quando o
petista era tido como imbatível.

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