Olá,

O PDT enviou a mim e a adv. Maria Aparecida Cortiz para observar a 
votação simulada com as novas urnas biométricas, que ocorreu dia 29 de 
junho passado na cidade de São João Batista em Santa Catarina.

O objetivo da simulação era avaliar e calibrar o sistema de 
identificação biométrica (por digitalização da impressão digital do 
eleitor) acoplada as novas urnas eletrônicas, que o TSE planeja 
implantar em todo o Brasil até 2010.

Em março foram colhidas as impressões digitais e fotos em alta resolução 
do rosto dos eleitores.

Surprendentemente as fotos não foram incluídas nos novos Títulos de 
Eleitor. Apenas passaram a ser impressas, em tamanho 2X3, nas Folhas de 
Votação onde os eleitores assinam sua presença no dia de votar.

De uma forma geral, os mesários gostaram das fotos na Folha de Votação, 
afirmando que facilitava muito a identificação dos eleitores.

O argumento atual para a não inclusão da foto do eleitor no título é 
mais um exemplo do egocentrismo dos funcionários da administração 
eleitoral encarregados de definir os parâmetros do novo sistema de 
identificação.

Eles entendem que, POTENCIALMENTE, o título (com foto) ainda poderia ser 
falsificado e usado numa fraude eleitoral (voto de eleitor-fantasma). 
Acham que, como a Folha de Votação fica sob controle de funcionários da 
administração eleitoral, fica mais difícil sua falsificação.

É aqui que entra o egocentrismo que cega os projetistas do sistema. A 
Folha de Votação pode ser mais difícil de ser falsificada por eleitores 
mas, eles "esquecem" que, POTENCIALMENTE, poderá ser falsificada por 
aqueles que administram o cadastro eleitoral. Mais adiante eu comento um 
exemplo de como esta fraude poderia ser feita.

Este comportamento de criar defesas contra fraudes vindas de fora, 
"esquecendo-se" de criar defesas contra fraudes que possam nascer de 
dentro é bem característico do grupo de pessoas que controlam o projeto 
das nossas urnas eletrônicas.

A inclusão da foto no eleitor na folha de votação é um bom passo para 
dificultar fraudes externas mas isto não quer dizer que se deve abrir 
mão da foto no título do eleitor (que dificultaria fraudes internas).

É exatamente este comportamento que propicia o surgimento do CENTRALISMO 
FRAUDOCRÁTICO nas eleições informatizadas no Brasil.

O conceito de centralismo fraudocrático está descrito em:
  http://www.cic.unb.br/docentes/pedro/trabs/prioridades.html#centralismo
e se refere às novas modalidades de fraudes eleitorais centralizadas na 
administração do sistema, que passam a ser possíveis com a implantação 
insegura de informática no processo eleitoral.

Outros exemplos deste centralismo fraudocrático eleitoral são:

1982 - Informatização da Totalização sem facilitar a auditoria, de forma 
que abre oportunidade para a fraude centralizada na totalização. Ver o 
Caso Proconsult, quando a possibilidade fraude de grande porte em 
eleição majoritária ressurgiu no cenário eleitoral brasileiro depois de 
50 anos de ausência. Somente agora, em 2008, está sendo criado uma forma 
mais simples dos partidos poderem efetuar, a custo razoável, uma 
Auditoria Estatística da Totalização.

1996 - Informatização da Votação e Apuração (urnas eletrônicas) sem 
materialização do voto para auditoria do resultado eletrônico. Eventual 
adulteração centralizada dos programas das urnas-e dificilmente será 
detectada pela fiscalização. Ainda não é possível aos partidos 
desenvolverem uma Auditoria Estatística da Apuração (nas urnas-e).

2008 - Informatização da identificação do eleitor - biometria. Dificulta 
algumas (mas não todas) fraudes de eleitores fantasmas que eram 
praticadas "no varejo" (nas seções ou cartórios eleitorais) escapando ao 
controle centralizado do TSE, mas abre oportunidade para fraudes de 
origem central na manipulação do cadastro de eleitores (e fantasmas).

Um exemplo de como poderá ser feita fraude centralizada no cadastro 
eleitoral, para permitir a votação de eleitores-fantasmas, pôde ser 
observada (por quem usa os olhos para ver) durante a simulação em S. J. 
Batista.

Haviam 29 seções eleitorais montadas para recepção do votos. Em ao menos 
duas delas (Escola Alice e Colégio São João) ocorreram casos em que 
havia a foto do eleitor impressa na Folha de Votação, mas os dados das 
impressões digitais dos eleitores não estavam no arquivo das respectivas 
urnas-e. O resultado foi que o eleitor pôde votar com liberação da urna 
pelo mesário, sem precisar colocar seu dedo no sensor biométrico.

A existência da foto mostra que o eleitor compareceu ao recadastramento 
em março. Já, a ausência dos dados biométricos das urnas, mostra que 
houve erro na montagem do cadastro na hora de gravar os dados nas urnas.

Mas foi erro ou foi "erro"?

Também havia casos de eleitores que haviam tirado títulos novos depois 
de 31 de dezembro de 2007 e não foram obrigados a se recadastrar para 
fornecer os dados biométricos. Tais eleitores também puderam votar 
normalmente embora não houvesse nem sua foto nem suas impressões 
digitais no sistema.

Enfim, o sistema permite fraudes internas (os "erros") de manipulação do 
cadastro de eleitores como, por exemplo: exclusão dos dados biométricos 
de determinado eleitor-fantasma (ele votará mas não passará pela 
identificação biométrica); adulteração do arquivo onde os dados 
biométricos do eleitor ficam gravados nas urnas; etc.

Se a foto do eleitor estivesse impressa no seu título, haveria uma forte 
  dificuldade contra a exclusão dos dados biométricos no cadastro, pois 
o mesário poderia identificar o eleitor (pelo título) mesmo que folha de 
votação estivesse fraudada.

Lembramos, ainda, que nas novas urnas biométricas continua perfeitamente 
possível (e fácil0) a fraude dos mesários desonestos, que aproveitam a 
ausência de fiscais para colocar votos nas urnas-e no lugar de eleitores 
ausentes.

[ ]s
   Eng. Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP
   www.votoseguro.org
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   SEI EM QUEM VOTEI,
   ELES TAMBÉM,
   MAS SÓ ELES SABEM QUEM RECEBEU MEU VOTO


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representa necessariamente o ponto de vista do Forum do Voto-E

O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas
eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas.
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