*Denúncia sobre fraudes em urnas desaparece

**Diário do Grande ABC
Elaine Granconato*

O destino do procedimento sobre a suposta fraude nas urnas eletrônicas
de Diadema nas eleições de 2004 (municipal) e 2006 (estadual e federal),
revelado pelo deputado estadual José Augusto da Silva Ramos (PSDB) é
desconhecido. Após ouvir a testemunha, em fevereiro do ano passado, o
promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Gaeco (Grupo de Atuação
Especial de Combate ao Crime Organizado), núcleo São Paulo, encaminhou o
procedimento à Procuradoria-Geral de Justiça. No entanto, a assessoria
de imprensa do órgão, ligado ao MPE (Ministério Público Estadual), não
localizou o procedimento.

"Eu próprio fiz, formalmente, a oitiva dessa pessoa e encaminhei o
procedimento para o procurador-geral de Justiça (Rodrigo César Rebello
Pinho) na época", disse Carneiro. Para o promotor do Gaeco, em tese, o
relato apresentado caracterizaria "crime eleitoral" para investigação da
Justiça.

A reportagem procurou no fim da tarde pela Procuradoria Regional
Eleitoral e obteve informação que o procedimento "teria passado" para
análise do procurador no ano passado. A testemunha, porém, "não teria
sido localizada" pelo profissional, embora os dados pessoais constassem
do ofício. A reportagem também não teve acesso ao parecer do procurador.

Ainda de acordo com informações internas da Procuradoria Eleitoral, a
peça teria sido remetida para o TRE (Tribunal Regional Eleitoral).
Procurada às 19h30 de ontem, a assessoria de imprensa do órgão
justificou que pelo horário não seria possível localizar a informação
solicitada pelo Diário, o que seria feito hoje. Em uma rápida consulta,
porém, nada havia sido encontrado.

A testemunha, que tem seu nome mantido em sigilo, foi encaminhada pelo
deputado estadual José Augusto da Silva Ramos (PSDB) ao Gaeco, conforme
o tucano revelou em entrevista publicada na edição de ontem do Diário.

Segundo o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, o denunciante
esteve acompanhado do próprio deputado e de um vereador de Diadema.
"Inicialmente, era uma história fantástica que precisaria ser bastante
apurada por quem tem atribuição eleitoral ( promotores e juízes
eleitorais). Por isso, remeti para o procurador-geral de Justiça", afirmou.

Estranho - Para José Augusto, candidato derrotado nesta eleição pelo
também deputado Mário Reali (PT), trata-se de denúncia grave feita no
Ministério Público. "No mínimo, tinha de ser investigada", afirmou José
Augusto, que disse achar "tudo muito estranho", principalmente o
"sumiço" do procedimento inicial feito pelo Gaeco.

Além da denúncia de possíveis fraudes em 2004 e 2006, o tucano também
questiona irregularidades nas eleições deste ano, quando perdeu para o
petista de 58,26% (133.893 votos) contra 35,44% (81.432).


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