Nem todo fiscal esta habilitado a compreender as falhas das Urnas-e. Muitos
menos o sistema de criptografia adotado pelo TSE. Resolvi então abordar esse
assunto superficialmente e o menos técnico possível para que o pessoal
entenda com funciona as coisas.

*O Base64/Radix64*

Nos resumos digitais do TSE nas suas listas de assinaturas, eles usam o
enconder de 64 caracteres sob a SHA-1, chamado radix64 conhecido também como
Base/64. Vale lembrar que o Radix64 não criptografa dados,   é apenas um
encoder de mensagens utilizado para delimitar dados convertido dentro de uma
stream. O base64 é colocado  como algoritmo de criptografia simétrica, ou
seja, utilizam a mesma chave criptográfica para descriptografar os dados
transmitidos. O TSE utiliza o hash SHA-1 (veja a abaixo) para gerar suas
assinaturas nos arquivos, demonstrando assim que o mesmo arquivo que foi
compilado no STI/TSE é o mesmo que está na urna-e. O encoder Radix64
"transforma" essa assinatura  para o formato especifico do Base64/Radix64.
Um exemplo para ilustrar: Um hash  sempre tem sua saída  em caracteres
hexadecimal (0-9, a-f), quando se usa o encoder base64/radix64, ele o
converte para o formato: L9ThxnotKPzthJ7hu3bnORuT6xI=, isso é feito para se
diminuir o tamanho da hash e em certo sentido "ocultar" a hash original. Mas
isso pode ser facilmente burlado no site
http://www.paulschou.com/tools/xlate/ você pode colocar a assinatura do
base64/radix64  e conseguir o formato original do hash, faça você mesmo o
teste e verás que é bastante simples.

* O Algoritmo de dispersão SHA-1 - Hash*

Este tipo de proteção é do tipo de  criptografia one-way, ou seja,
teoricamente "não tem volta," não é possível inverter a chave gerada para se
saber a chave "mãe" que produz a saída em hexadecimal, ou  até que se
descubra falhas no algoritmo de hash, essa falha pode ser descoberta por
colisão, ou seja, usando dois números diferentes aplicados à função de hash
geram o mesmo resultado dizemos que houve uma colisão. Um método bastante
comum utilizado para descobrir senhas é o Brute Force, mas para algoritmos
em hash é praticamente impossível se descobrir a chave.

Para um esclarecimento melhor, o SHA-1 gera uma saída de palavra de 160bit
criptografada em hexadecimal (0-9, a-f) como por exemplo:
"2fd4e1c67a2d28fced849ee1bb76e7391b93eb12". O Algoritmo "analisa" todo o
conteúdo interno do arquivo e baseia em seu algoritmo e na chave mãe cria a
seqüencia acima  exemplo:

A frase:

"a casa é *feia*" gera o seguinte hash SHA-1

9e431ef266b629853cbd8cb5059b15b2981f7c98

uma simples mudança na frase : "a casa é *fea"*, graças ao avalanche effect,
gera o seguinte hash SHA-1

ee4f7e95b43c0ce4d9e410981dd175eb6ed84edf


No entanto, o SHA -1 (que é usado nas assinaturas das UEs) sofreu colisão em
janeiro de 2005, isto quer dizer o que foi fragilizado, foi encontrado
falhas no algoritmo, e dependendo da técnica utilizada pode se obter a chave
mãe e gerar arquivos falsos com o mesmo valor de assinatura. Para se
conseguir isso é necessário além do conhecimento, o hardware poderoso capaz
de calcular em pouco tempo a inversão da cripitografia.

Uma ilustração bastante simples é console de videogame, isso mesmo
videogame, Sony PlayStation 3 é capaz de calcular 233 gigaflops  (cálculos
flutuantes) por segundo, para se ter uma idéia, uma calculadora nomal
somente é capaz de fazer 10 flops por segundo.  Nesses números quanto maior
o numero de cálculo em flops mais rápido se chega ao objetivo. Um cluster de
200 desses videogames (cerca de 100 mil reais) temos 46,6 teraflops, a um
custo baixo cerca de 56%, se comparado ao a supercomputadores usados hoje,
dependendo da técnica utilizada pode achar a chave mãe em pouco tempo. Pode
demorar anos, ou meses, ou mesmo dias, tudo depende da técnica utilizada.
Lembremo-nos que os clusters trabalham em rede. Vamos agora pelo meio* mais
difícil *de se burlar uma urna. Ora nós sabemos que na politica brasileira
gasta-se milhões de reais em campanhas eleitorais. Aqui em várias cidades
pequenas determinados candidatos gastam milhões de reais, em média se gasta
5 milhões de reais. Vamos supor que ele queira ganhar uma eleição com
"pouco" dinheiro. Que um  cracker tenha a solução de burlar a urna-e e lhe
cobraria "apenas" três milhões de reais. Com a metade dessa grana se pode
comprar 3 mil consoles desses eleteria mais ou menos 326 teraflops a
disposição, e com isso ele quebraria a chave em poucos minutos pois ela já
esta fragilizada, construiria o programa burlado e inseria nas urnas-e. Em
resumo o TSE usa  e se gaba do SHA-1 como assinatura de seus arquivos, no
entanto tem se demonstrado que podem ser quebrados em pouco tempo utilizando
um aparato assim, não se pode entender o porque disso, já que existe o SHA-2
que ainda não foi reportado falhas apesar de ser usar o mesmo algoritmo de
dispersão. Determinada linha de criptografos alegam que em missões criticas
é obrigatório a substituição do SHA-1 para o SHA-2 temporariamente, enquanto
não se desenvolve o SHA-3 que esta previsto para 2012. A questão é, mesmo
com o dilúvio de informação sobre falhas criptograficas existentes o TSE
ainda não atualizou o seu sistema de assinaturas? porque será?

Abraços

Gladston

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O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas
eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas.
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