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From:* Jorge Serrão <mailto:[email protected]>


      O contra-marketing no inseguro voto eletrônico
      
<http://www.alertatotal.net/2009/09/o-contra-marketing-no-inseguro-voto.html>


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*Leia também o Fique Alerta - **www.fiquealerta.net* 
<http://www.fiquealerta.net>
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Por Jorge Serrão*

Sabendo perfeitamente que a Comunicação é um exercício coletivo enquanto 
estratégia de Poder, o Bolcheviquepropagandaminister anda fazendo 
escola. O Tribunal Superior Eleitoral ultrapassou a fronteira do 
marketing. O TSE resolveu aplicar avançados conceitos de 
contra-marketing e anti-marketing para desafiar uma pequena, porém 
consistente, avaliação de técnicos que criticam a insegurança do 
processo de votação eletrônica adotado no Brasil. Ao lançar um desafio, 
com prêmios em dinheiro, a quem quiser testar a segurança das urnas da 
Diebold, o ministro Ricardo Lewandowski promoveu um lance de venerável 
mestre da propaganda.

Os conceitos são objetivos. *Marketing* é a gestão integrada da ação 
política e estratégica de comunicação para o mercado. *Anti-marketing* é 
o emprego deliberado ou não intencional do marketing, com falso impacto 
negativo, para provocar psicologicamente o público-alvo-consumidor. Mais 
avançado ainda e ofensivo, o *Contra-marketing* é a adoção do 
anti-marketing para neutralizar uma ação mercadológica de concorrente, 
adversário ou inimigo. O TSE quer provar que as urnas e o sistema são 
100% seguros - ao contrário do que já admitiu, reservadamente, a Diebold 
- fabricante das urnas, que recomendou ao tribunal eleitoral uma troca 
geral de todo o seu hardware, com aprimoramento do software.

Por isso vai aplicar o contra-marketing em seus críticos. Este é o 
objetivo político e estratégico dos testes nas urnas e nos softwares de 
votação das eleições gerais de 2010 - que serão realizados entre 10 e 13 
de novembro. O TSE promete que o hacker que der a melhor contribuição 
para aprimorar a segurança da urna vai ganhar R$ 5 mil. O segundo 
colocado fica com R$ 3 mil e o terceiro embolsa R$ 2 mil. Até 13 de 
outubro, quem quiser participar deste "show" pode se inscrever no 
Tribunal Superior Eleitoral. Nem o mago Sílvio Santos - que já tem gente 
comentando que pode ser candidato em 2010 - faria um show do milzinho 
tão perfeito.

O especialista em voto eletrônico, engenheiro Amílcar Brunazo Filho, 
adverte para que não nos animemos muito com mais este show que o TSE 
está criando. Brunazo lembra que este processo de testes de segurança 
(PET 1896/06) se iniciou com um pedido conjunto do PT e do PDT - que 
depois foi apoiado pelo PR. O especialista critica que o TSE fugiu 
completamente ao que foi pedido pelos partidos. Brunazo lamenta a 
criação da Comissão Avaliadora que não é independente do administrador 
eleitoral - como constava do pedido original. Por isso, os partidos 
declararam a desistência formal do teste, porque vislumbraram que as 
regras seriam (e são) limitadoras.

Brunazo deixa claro: "Os autores do pedido conheçem gente capaz de 
penetrar no software nas urnas e burlá-lo. Foi pensando em usar estes 
técnicos que fizemos o pedido. Mas diante das limitações impostas aos 
testes decidimos não "gastar munição" neste momento. Por exemplo: para 
se ter sucesso numa adulteração do software da urnas é preciso pegar uma 
máquina pronta e começar a analisá-la, testando algumas alternativas, 
para descobrir qual o melhor meio de invadir (os hackers não tem sucesso 
imediato em todas as suas investidas).

Amílcar Brunazo adverte que isso não será permitido no "show" 
programado, em novembro, pelo TSE. Segundo as regras impostas, o 
pretendente a atacante deverá descrever o que vai tentar fazer e 
entregar cópias de seus softwares antes de ter contato com a urna para 
analisar que caminho seguir. E só terá contato por três dias fora do seu 
ambiente normal de trabalho.

Brunazo explica que não é assim que atacantes agem: "Eles primeiro 
ganham acesso ao equipamento pronto, depois o analisam no seu ambiente 
próprio de "trabalho" usando uma miríade de recursos e softwares, nem 
sempre "oficiais", muitos desenvolvidos autonomamente. Pedir para eles 
entregarem suas "ferramentas" já é uma restrição enorme, que vai afastar 
muita gente boa. Aliás, a própria idéia de estabelecer as regras do 
teste pela comissão nomeada do TSE, já é um limite artificial ao próprio 
teste. A ação de hackers é marcada justamente pelo desrespeito a regras.

Em suma, pelo que demonstrou Amílcar Brunazo, o espetáculo do TSE deve 
apenar reforçar a tese de que todo o sistema e o processo de votação 
eletrônicos no Brasil são inteiramente seguros. Seria mais simples e 
barato nomear a Velhinha de Taubaté para o comando do TSE. De 
preferência, através de um ato secreto do Senado. Se o assessor direto 
dela for o Mister M, o ilusionismo fica completo.

Brincadeiras sem graça à parte, melhor é acreditar no pensamento quase 
poético da turma do www.votoseguro.org <http://www.votoseguro.org/>: 
"*Eu sei em quem votei. Eles também. Mas só eles sabem quem recebeu meu 
voto*".

comentário:

Este teste de segurança que o TSE está propondo serve somente para 
indicar brechas para ataques externos (por hackers).
Mas não serve para checar a vulnerabilidade das urnas contra ATAQUES 
INTERNOS, para o que, como disse o prof. Jorge Stolfi (UNICAMP) na 
audiência no Senado, não existe defesa eficiente nas urnas atuais (sem 
voto impresso e só com o Registro Digital do Voto)

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autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
representa necessariamente o ponto de vista do Forum do Voto-E
 
O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas
eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas.
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        http://www.votoseguro.org
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