Esta série de mensagens tem atingido seus objetivos.

As notas do TSE que tem sido publicadas sobre os testes de segurança 
desde que iniciamos esta série, estão sendo bem "mais comportadas" que a 
notas anteriores à série.

Além disso, no que eu acho tenha sido uma feliz coincidência, apenas 
duas horas depois de termos divulgado a mensagem anterior (5) desta 
série, que denunciava a ausência das equipes dos órgão públicos 
convidados, 3 das equipes compareceram: a do Ministério Público, a da 
Marinha e a da CGU; as duas últimas para declarar seus trabalhos 
encerrados.

A quarta nota do TSE que está em:
http://agencia.tse.gov.br/sadAdmAgencia/noticiaSearch.do?acao=get&id=1252452
saiu após o encerramento do terceiro dia de testes e seu texto não 
contem mais as distorções, virtualismo exagerado e até desinfornações 
das primeiras mensagens.

Apenas algumas omissões ainda são notáveis.

A nova nota do TSE relata o fim dos trabalhos de 3 equipes, a da 
Marinha, a da STJ e a da CGU, destacando o insucesso nas tentativas de 
cada uma delas.

Isto está correto, mas ficou faltando dizer algumas coisas como:

a) a equipe da Marinha foi impedida de tentar ataques via codigo-fonte 
dos programas das urnas sob a alegação que "fugia ao escopo" do teste.
Este tipo de ataque poderia revelar a possibilidade de código malicioso 
ser inserido nas urnas num ataque INTERNO (praticado por algum eventual 
membro da equipe técnica do TSE).
Esta decisão de excluir ataque via código-fonte partiu da Comissão 
Disciplinadora, que é composta basicamente por membros da própria equipe 
do TSE, e revela seu espírito de corpo.
(este tema da composição, nada imparcial, das equipes que controlam os 
testes do TSE já foi abordada na nossa primeira mensagem e voltará a ser 
abordada em mensagem futura)

b) As equipes da Marinha, do STJ e da Cáritas (a que mais tem trabalhado 
e ainda não encerrou seus testes) mostraram-se pouco habilitadas em 
programação em linguagem de baixo nível (Assembler) necessária para 
desfechar ataques nos cartões de memória (flash-cards) das urnas.

Nenhum deles conseguiu reproduzir o ataque bem sucedido da equipe de 
Princeton nos cartões de memória das urnas Diebold americanas, cujos 
detalhes de segurança são muito similares às urnas brasileiras (que 
também foram montadas pela Diebold).
Vejam o teste de Princeton em:
  http://www.youtube.com/watch?v=0AKR-Lo-700

Para se ter sucesso num ataque deste tipo, é necessário dominar as 
técnicas de inserir e esconder código executável em áreas vazias da 
memória e de implantar "ganchos" nas funções básicas de controle e 
acesso ao teclado, às memórias e ao monitor.

Peculiares como recursos que diferenciam os verdadeiros "hackers" (que 
desenvolvem seus próprios programas de ataque) dos "lammers" (que usam 
programas de terceiros), estas são técnicas que pedem o conhecimento 
detalhado das funções e bibliotecas básicas do sistema e como ninguém 
consegue decorar as enormes tabelas de dados e endereços, quem usa estas 
técnicas precisa, via de regra, acessar longos e tediosos manuais (nem 
sempre oficiais).

Embora alguns membros das equipes citadas tenham chegado a examinar o 
código Assembler dos cartões, inclusive do setor de "boot", eu não vi 
nenhum deles recorrendo a programas próprios pré-codificados e nem às 
robustas tabelas de funções e endereços necessários para este tipo de 
ataque.

c) O trabalho feito pela equipe do CGU, mesmo que útil, não tem nada a 
ver com teste de penetração. Poderia ser feito em qualquer outro 
momento, fora deste processo. Não demandou contato com códigos de 
programação nem com o equipamento em si. Eles apenas compareceram para 
trazer um relatório previamente feito fora do ambiente.

Suas recomendações de mais detalhamento na regulamentação dos 
procedimentos de preparação das urnas e de aumento da amostra no teste 
de Votação Paralela são revindicações formais antigas dos partidos 
autores que nunca foram atendidas pelo TSE.

obs. externa ao teste: em 2008, os ministros-administradores do TSE, por 
recomendação da Secretaria de Informática, recusaram até pedido de 
Partido Político para incluir um cálculo da abrangência da amostra de 
votação paralela no relatório oficial sob o argumento de "estar fora do 
escopo" ... (olha aí o "escopo" de novo, eles não são muito criativos 
para criar suas desculpas esfarapadas).

Quem sabe agora, vindo de forma, os técnicos do TSE a aceitem estas 
sugestões.

Entre as recomendações de procedimentos da CGU, faltou, ao menos, uma 
muito importante que seria relativa a impossibilidade (sob as regras 
atuais) dos fiscais dos partidos fazerem uma verificação de assinaturas 
digitais nas urnas minimamente eficaz (as regras atuais permitem apenas 
auto-verificação pelos programas das urnas e não a verificação externa 
independente pelos fiscais).

Os membros da CGU informaram que optaram por esta linha de trabalho, que 
não era um teste de penetração ou de segurança de fato, porque foram 
designados para a tarefa de atuar como se fossem hackers, mas não sabiam 
o que fazer. Ou seja, não se sentiam habilitados como hackers (o que é 
perfeitamente natural para funcionários públicos).

nota: as mensagens anteriores desta série podem ser vistas em:
  http://br.groups.yahoo.com/group/votoseguro/
  http://groups.google.com/group/votoeletronico

[ ]s
  Eng. Amilcar Brunazo Filho - Santos, SP
  Adv. Maria Aparecida Cortiz - São Paulo
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  Se a urna não imprimir, seu voto pode sumir





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