Olá Fernando,

Em Dom, 2010-08-22 às 17:54 -0700, Fernando escreveu:

> E agora essa notícia de 'violação de urna indiana'.
> Pegunto: Índia e Brasil, usam o mesmo sistema de votação eletrônica.
> http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2010/08/policia-prende-hacker-indiano-que-identificou-falha-em-urna-eletronica.html
> 

As urnas eletrônicas brasileiras e as indianas são máquinas de votar de
1ª geração, caracterizadas pela de gravação eletrônica direta do voto, e
que no meio acadêmico internacional são denominadas por máquinas DRE (de
Direct Recording Electronic voting machines).

Este tipo de máquinas DRE são consideradas equipamentos de votação 1ª
geração porque não atendem ao "Princípio da Independência do Software em
Sistemas Eleitorais", isto é, não possibilitam uma conferência da
apuração que seja feita de uma forma independente do próprio software
das urnas-e.

Os equipamentos de votação mais avançados, de 2ª e de 3ª geração,
atendem ao "Princípio da Independência do Software em Sistemas
Eleitorais"  e possibilitam uma conferência da apuração totalmente
independente do próprio software das urnas-e.

O Brasil e a Índia são os únicos países que ainda usam máquinas de votar
de 1ª geração em larga escala. Máquinas dessa geração estão sendo
abandonadas e até proibidas em outros países, como nos EUA, Rússia,
Holanda e Alemanha. Até o Paraguai abandonou as 20 mil urnas brasileiras
que tinha recebido de graça.

A diferença técnica entre as urnas-e brasileiras e indianas é que estas
tem software fixo (firmware) gravados em chip soldados na placa-mãe
enquanto as brasileiras possuem software variável (modificado a cada
eleição) carregados por meio de um soquete externo (flash-card externo
"de carga"). Por este detalhe, o modelo indiano é mais difícil de violar
para fraudar a apuração dos votos.

Uma demonstração de violação do mesmo modelo brasileiro de máquinas DRE
(de carga externa do software) havia sido apresentada em 2006
<http://citp.princeton.edu/voting/> por uma equipe da Univ. de Princeton
que incluia o prof. Alex Haderman. 

Agora, em 2010, foi apresentada uma demonstração de violação das urnas
indianas <http://indiaevm.org/>pelo mesmo Alex Haderman e pelo ativista
indiano Hari Prasad, que conseguiu um exemplar de urna indiana de fonte
anônima.

Em vez de reconhecer que é inevitável a fragilidade das máquinas de
votar de 1ª geração e proceder a migração para uma geração mais segura,
a Comissão Eleitoral da Índia (equivalente do nosso TSE) laborou para
prender o Hari Prasad para que ele revele a fonte que lhe forneceu uma
urna para teste. 

Enfim, estão tentando "retirar o sofá da sala".

Tem mais alguns pontos em comum nos procedimentos dos administradores
eleitorais da Índia e do Brasil na sua tentativa de manter a ilusão de
que seus sistemas de 1ª geração seriam seguros:

- ambos administradores afirmam repetitivamente que seus equipamentos
são 100% seguros contra fraude.
- em julho de 2009, a Comissão Eleitoral da Índia anunciou que
permitiria um teste de segurança público em suas urnas.
- imediatamente depois (ago/2009) o nosso TSE fez o mesmo anúncio.
- como as condições de ambos testes eram muito restritivas, ninguém se
apresentou para os dois testes públicos. Os próprios partidos que haviam
previamente solicitado o teste no Brasil, desistiram diante das
restrições impostas.

Aí surgiram umas diferenças:
- em ago/09, a Comissão Eleitoral da Índia anunciou o "sucesso" de seu
equipamento já que ninguém se apresentou para violá-lo.
- em out/09, observando a repercussão negativa do "teste sem testadores"
na Índia, o nosso TSE enviou convites-convocações para uma porção de
repartições públicas para que enviassem pretensos "hackers" para
participar de seus testes. Os funcionários públicos enviados e outros
convidados não tinham nenhuma capacitação para tal serviço e não tiveram
sucesso.
- em mar/10, o Hari Prasad conseguiu um exemplar da urna indiana e
levou-a para ser testada pelo pessoal de Princeton. Capazes para o
serviço, o teste teve sucesso.

Eu tenho certeza que as urnas brasileiras também não resistiriam a um
ataque por gente capaz (até conheço quem já teve sucesso em teste
secreto feito em computadores comuns com o software do TSE), mas optei
por atender aconselhamento dos advogados que me acompanham e nunca
aceitei receber urnas brasileiras de forma não-oficial para testá-las.

Saudações,

Eng. Amilcar Brunazo Filho
membro do Comitê Multidisciplinar Independente - CMind

O TSE pode fazer mais.
Além da APURAÇÃO RÁPIDA DOS VOTOS, que já nos oferece,
deveria propiciar uma APURAÇÃO CONFERÍVEL PELA SOCIEDADE CIVIL

Conheça o Relatório do CMind


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