*Urna biométrica atrai estrangeiros em Pará de Minas***


        Em Pará de Minas, a 76 quilômetros de Belo Horizonte, na Região
Centro-Oeste do estado, os eleitores precisaram de mais que um documento com
foto para votar. Antes de digitar os números dos candidatos, eles tiveram
que ser identificados pelas digitais na seção eleitoral. Isso porque o
município, que tem cerca de 80 mil habitantes e 54.088 eleitores, foi uma
das 60 cidades brasileiras que implantou o sistema biométrico, que tem como
objetivo reduzir o risco de fraudes. Uma comissão internacional, formada por
representantes de oito países africanos e sete países da América do Sul,
esteve na cidade para conhecer de perto a nova tecnologia.

Foram usadas em Pará de Minas 204 urnas. Outras 17 de contingência ficaram
guardadas, caso houvesse algum imprevisto. Por meio do sistema biométrico, a
identidade do eleitor é ratificada através do reconhecimento da impressão
digital. O objetivo é excluir a possibilidade de uma pessoa votar por outra,
tornando inviável a fraude do procedimento de votação. A expectativa é que,
em 10 anos, todos os estados do país tenham urnas com leitores biométricos.
Por enquanto, apenas 60 cidades brasileiras, sendo quatro delas mineiras,
experimentaram a nova tecnologia na eleição de domingo.

Na cidade do Centro-Oeste de Minas, as dúvidas ficaram mais a cargo da
escolha dos dois senadores, já que antes era necessário votar em apenas um.
Alguns eleitores acabaram ficando mais tempo nas urnas, tentando lembrar o
número do segundo candidato. Quanto ao sistema biométrico, os eleitores se
mostraram bem receptivos à novidade. Mesmo aqueles que tiveram que enfrentar
mais de uma hora na fila saíram satisfeitos com o sistema. Foi o caso do
vigilante Tobias Vital, de 52 anos, que acordou cedo para votar. “Achei que
seria mais complicado. Foi tranquilo demais. O que complicou um pouco foi
essa coisa de dois senadores. Porque tirar a digital foi simples e rápido”,
diz.

Durante a eleição, apenas três urnas apresentaram defeitos, mas foram
trocadas e o problema solucionado. Segundo o juiz eleitoral, Ricardo Sávio,
os imprevistos eram esperados e, como houve planejamento, a eleição ocorreu
sem maiores problemas. “Para o eleitor, a modificação foi pequena. A única
diferença é que agora é necessário tirar a digital no equipamento antes de
votar”, explica. Sávio não nega que a implantação do novo sistema tenha
causado um certo atraso na votação, já que nem sempre o leitor digital
reconhecia o eleitor de imediato. O tempo médio gasto na urna era de cinco
minutos. Ainda assim, segundo ele, a eleição foi tranquila. “O sistema
permite que tentemos fazer o reconhecimento do eleitor 12 vezes. Às vezes, a
máquina não reconhece de imediato e é preciso tentar novamente e aguardar
alguns segundos a mais. Estamos em fase experimental e imprevistos eram
esperados”, declara.

Apesar de ter aguardado por mais de uma hora na fila, o motorista José
Eroito, de 57, voltou para casa com sensação de “missão cumprida”. “Achei
muito interessante esse sistema novo. Não me importei de ficar esperando.
Valeu a pena, porque temos agora uma eleição mais segura”, afirmou. O
balconista Osvaldo Tobias de Souza, de 43, concordou e acredita que o
sistema biométrico faça parte de um grande avanço na vida política do país.
“Achei prático e rápido. Apesar de ter tentado reconhecer a digital várias
vezes, não achei que houve algum tipo de problema sério”, acrescentou.
*
Visitantes

*Enquanto os eleitores votavam, 15 membros de uma comissão internacional,
acompanhada por representantes do Tribunal Regional Eleitoral de Minas
Gerais (TRE-MG), observavam de perto a nova tecnologia. O objetivo foi
conhecer de perto o sistema, perceber a satisfação dos eleitores e analisar
a possibilidade de implantar uma tecnologia semelhante em seus países. Com
um português carregado de sotaque, Sylvestre Somo, representante da
República Democrática do Congo, na África, acredita que o sistema poderá
servir de exemplo para muitas nações. “Em meu país, temos muitos problemas
em relação ao voto. Temos mais de 300 partidos. Hoje, estou no Brasil
estudando a possibilidade de levar esta tecnologia para o Congo.
Aproveitamos o dia para conhecer de perto, para então analisar a
possibilidade”, ponderou.





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abs,

Evandro Oliveira
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