> Fonte: Tribuna da Imprensa

> terça-feira, 08 de março de 2011 | 05:10
> 
> Comissão da Reforma política tem obrigação de discutir o controle das
> urnas eletrônicas, que já foram fraudadas na Índia e no Maranhão. Mas
> será que esse assunto entrará em pauta?
> 
> Carlos Newton
> 
> O comentarista Luiz Cordioli, sempre atento, sugere que se faça um
> artigo sobre as vulnerabilidades das nossas urnas eletrônicas, aquelas
> mesmas que surpreendem o mundo e colocam o Brasil como país mais
> avançado nesse particular, como se as outras nações ainda estivesse na
> pré-história eleitoral.
> 
> “É um erro grosseiro acatarmos, sem discussão, essas urnas
> vulneráveis. Em tempos de recalls preventivos, cada vez mais
> frequentes por conta de uma segurança que deve ser antecipada, estamos
> andando a 200 km por hora com um veículo projetado para 60 km. A
> chamada já foi feita há tempos, mas ninguém ouviu ou acha que tem
> alguma coisa a ver com isso. Mais um pouco e o desastre será
> inevitável, se é que já não estamos em pleno vôo para o vazio”,
> adverte Luiz Cordioli.
> 
> Outros comentaristas, como Antonio Santos Aquino, Wildner Aguiar,
> Carlo Germani, Hilda Domingues, Franklin Pereira, Nilson Alves da
> Silva, José Carlos Werneck, Alex Braz, Robert Silva, José Guilherme
> Schossland, Beatriz Lima, João Jorge, Orlando Gomes, Alexandre J. A.
> Neto, Altivo Moreno, Silvio da Rocha Corrêa e Antonio Carlos Farsura,
> também já  manifestaram suspeitas sobre as urnas eletrônicas.
> 
> Já o comentarista Delmiro Gouveia citou o exemplo da Índia, onde foi
> preso um hacker que descobriu falha em urna eletrônica. E o
> comentarista Martim Berto Fuchs fez gozação com José Sarney sobre a
> descoberta de fraude em urna eletrônica no Maranhão. “Só poderia ser
> na sesmaria dele, não é?”, ironizou.
> 
> A vulnerabilidade da urna eletrônica sempre foi uma preocupação de
> Leonel Brizola, que tinha motivos de sobra para temer fraudes
> eleitorais, como aconteceu em 1982, no chamado caso Proconsult. Abro
> aqui um parênteses para cobrar. E aí, Justiça Eleitoral? Alguém foi
> preso, punido? Ou tudo acabou em samba, já que estamos no Carnaval?
> Como todos sabem. ninguém foi punido, e la nave va, fellinianamente.
> 
> O Brasil exporta urnas eletrônicas. A Justiça Eleitoral brasileira já
> participou de três eleições no Paraguai (uma municipal, uma
> presidencial e outra interna, do Partido Liberal), uma de governador
> na província de Buenos Aires, uma municipal no Equador, além de
> experiências no México, Costa Rica, Honduras, República Dominicana e
> no Panamá.
> 
> Outros países demonstram interesse, mas até agora nenhuma nação
> importante decidiu adotar a revolucionária tecnologia brasileira. E os
> dois motivos alegados são arrasadores: 1) o sistema é suscetível a
> fraudes, 2) não existe a menor possibilidade de recontagem.
> 
> Nesse ponto, Brizola insistia, com toda razão, que o ideal seria que
> houvesse uma impressora acoplada à urna, que pudesse listar os votos,
> para exame da Justiça Eleitoral em caso de dúvida. Por que não se pode
> imprimir a lista? Dêem um só argumento justo. A única alegação é de
> que o voto é secreto, mas essa justificativa não pode ser usada para
> encobrir fraudes, pois a impressão dos votos poderia facilmente ser
> feita de forma anônima, sem identificar o votante.
> 
> O comentarista Luiz Cordioli também sugere que a reforma política
> adote o sistema norte-americano, sempre citado aqui no blog por Helio
> Fernandes,  com a possibilidade de apenas uma reeleição de mais quatro
> anos para o presidente da República. Caso seja reeleito, depois de
> cumprir o segundo mandato, ficará automaticamente fora da política e
> também não poderá exercer cargo público de qualquer natureza. A
> sugestão é boa e oportuna, devido á sua importância para garantir a
> alternância no poder e evitar fenômenos eleitorais tipo Hugo Chávez,
> Carlos Menem ou Alberto Fujimori.
> 
> As duas comissões que vão debater a reforma política – na Câmara e no
> Senado – têm obrigação de colocar em pauta esses dois temas sugeridos
> por Cordioli: a urna eletrônica e o banimento da vida pública para
> presidente que cumprir dois mandatos. Mas esses assuntos serão mesmo
> discutidos com seriedade?  Vamos aguardar e cobrar.



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