Cara Maria,

Em 15 de novembro de 2011 23:39, Maria <[email protected]> escreveu:

> Sr. Amílcar, o sr. colocar aqui (no Jus Navegandi) que algum membro da
> Justiça Eleitoral queiram se valer de seus privilégios e oportunidades para
> fraudar o sistema eleitoral usando como meio o software das urnas, mostra
> que o Sr. não sabe como se processa a votação. Sugiro sua visita a uma
> seção eleitoral no momento que o Presidente da seção está iniciando os
> trabalhos.
>

Obrigado por me enviar sua opinião, me dando oportunidade de esclarecer os
pontos que não tenham ficado claro.

1) É precipitação sua imaginar que eu não conheça como se processa o voto
eletrônico. Eu conheço muito bem, em detalhes internos inclusive.
Trabalho como representante técnico e fiscal de partido junto a autoridade
eleitoral desde 2000. E desde então acompanho as licitações de compra dos
equipamentos, a apresentação dos programas no TSE a cada eleição (sou um
dos poucos brasileiros que conhece todos os programas de computador
usados), a lacração dos sistemas no TSE, a Geração de Mídias nos TREs, a
carga das urnas nos Cartórios Eleitorais, a votação nas Sessões Eleitorais,
os testes de Votação Paralela, a totalização e já participei de quase uma
dezena de auditorias e perícias pós-eleições.
Certamente, eu conheço esse processo mais que você.
Já escrevi livro e manuais de treinamento para fiscalização eleitoral
eletrônica. Já me apresentei em diversos simpósios e seminários acadêmicos
sobre segurança do voto eletrônico e participo de um saite de debates sobre
o voto eletrônico no Brasil e no mundo desde 1998 <www.votoseguro.org>

E é justamente por conhecer em detalhes como tudo isso funciona que afirmo
que o sistema eleitoral eletrônico brasileiro é ridiculamente impróprio e
ultrapassado quando comparado com o que está sendo usado no exterior.

Há menos de um mês fui assistir, como observador internacional convidado, a
eleição eletrônica na Argentina (na cidade de Resistência, no Chaco) e
garanto que o equipamento de votação argentino é estupidamente superior ao
brasileiro tanto quanto a facilidade de uso pelo eleitor como em
transparência e auditabilidade do resultado pelos fiscais eleitorais.

A principal diferença é que *o eleitor argentino pode conferir, no local de
votação,* se o registro digital do seu voto (que é usado na apuração
eletrônica) contem mesmo o voto que escolheu e confirmou na máquina de
votar.

Eu lhe pergunto, já que usamos urnas eletrônicas desde 1996, como você sabe
se o registro digital do seu voto contém de fato o que você viu na tela da
urna?

Provavelmente, como a grande maioria dos eleitores brasileiros, você nem
tem ideia do que seja ou sequer onde fica o registro digital do seu voto
que é usado na apuração. Pois o eleitor argentino não só sabe onde ele fica
gravado como tem o direito de conferir o seu conteúdo com recursos próprios
(sem precisar confiar que o software das urnas é honesto)

É uma experiência tão diferente, tão democrática, que os brasileiros,
rebanho manso, nem entendem para que serve.

Na Alemanha, em 2009,  decretaram que o modelo das urnas brasileiras é
inconstitucional justamente porque não permite ao eleitor conferir se seu
voto foi gravado corretamente.

2) Minhas críticas se estendem também, ao acúmulo de poderes da autoridade
eleitoral no Brasil, que administra, regulamente e julga os processo até
quando é ré como administradora.

Afirmo, baseado em longa experiência própria, que essa autoridade abusa sim
dos seus poderes, principalmente para esconder seus problemas e defeitos e
para manter propaganda enganosa sobre a confiabilidade das urnas
eletrônicas.
E também, afirmo, sim, que o ataque interno (vindo da área tecnológica do
TSE) ao resultado eleitoral é perfeitamente possível de ocorrer e
impossível de ser detectado pela fiscalização que eles permitem.

Se você acreditou nessa propaganda  - do tipo: o Brasil é pioneiro em
informática eleitoral -, sem conhecer o que está acontecendo no resto do
mundo,  você é apenas mais uma pessoa que está sendo enganada. As urnas
brasileiras foram rejeitadas, e até proibidas, por mais de 60 países que
vieram aqui conhecê-la.

Eu acredito que:
*O TSE pode fazer mais.
Além da APURAÇÃO RÁPIDA DOS VOTOS, que já nos oferece,
deveria propiciar uma APURAÇÃO CONFERÍVEL PELA SOCIEDADE CIVIL*

Saudações,

Eng. Amilcar Brunazo Filho

* **Eu sei em quem votei. Eles Também.
Mas só eles sabem quem recebeu meu voto
*


Conheça o *Relatório
CMind*<http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/RelatorioCMind.htm>sobre
as urnas eletrônicas

-- 
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autor, conforme identificado no campo "remetente", e nao
representa necessariamente o ponto de vista do Forum do Voto-E
 
O Forum do Voto-E visa debater a confibilidade dos sistemas
eleitorais informatizados, em especial o brasileiro, e dos
sistemas de assinatura digital e infraestrutura de chaves publicas.
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Pagina, Jornal e Forum do Voto Eletronico
        http://www.votoseguro.org
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