Finalmente saiu a reportagem da Agência UnB, a primeira a entrevistar os
professores da universidade que conseguiram quebrar o sigilo do voto nas
urnas eletrônicas.

Os depoimentos foram colhidos no final do 2º dia dos testes (que durou 3
dias).
Vejam as declarações dos representantes do TSE, ainda surpresos (ou seria
estupefatos) com o sucesso da equipe do prof. Diego Aranha, reconhecendo o
sucesso e a qualidade do ataque contra o sigilo do voto.

Posteriormente, na nota oficial, eles tentaram diminuir a importância
dizendo que não teria havido quebra do sigilo, o que foi replicado por boa
parte da grande imprensa  "repetidora de press-release".

Vejam  a matéria em:
 http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=6375

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UnB quebra sigilo de urna eletrônica em testes organizados pelo TSE

Grupo de especialistas do Centro de Informática e da Ciência da Computação
conseguiu descobrir em quem votaram os eleitores de uma urna em teste
realizado para aprimorar o sistema eleitoral

Cecília Lopes <[email protected]> - Da Secretaria de Comunicação da UnB

Grupo de especialistas do Centro de Informática da Universidade de Brasília
(UnB), coordenado pelo professor Diego Aranha, do Departamento de Ciência
da Computação, conseguiu quebrar a segurança de uma urna eletrônica durante
testes organizados esta semana pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O
time da UnB foi a único a identificar fragilidades no sistema eleitoral
entre nove equipes de especialistas de universidades de todo o país que
partiparam dos testes, realizados pelo TSE com o objetivo de garantir a
segurança do processo de votação brasileiro.

A equipe da UnB descobriu a ordem cronológica em que 474 eleitores votaram
em uma das urnas onde o teste foi realizado. A simulação desenvolvida pela
UnB, que envolveu todos os procedimentos adotados em uma eleição, foi
realizada com 475 "eleitores", o que representa um índice de acerto de
99,9% pelo grupo da Universidade.

Os especialistas da UnB não conseguiram identificar os autores do voto, mas
obtiveram os registros do horário exato de cada voto e revelaram que
candidatos esses eleitores escolheram. "Com um pouco mais de tempo, pode
ser que conseguíssemos descobrir também quem eram esses eleitores, ou seja,
quem votou em quem", afirmou Diego Aranha, que liderou a equipe formada por
Filipe Scarel, Marcelo Karam e André de Miranda, todos do Centro de
Informática da UnB.
Emília Silberstein/UnB AgênciaEquipe da UnB, da direita para a esquerda:
Marcelo Karam, Filipe Scarel, Diego Aranha e André de Miranda

O desafio colocado pelo TSE era o de romper a segurança do voto. Isso
significa descobrir o nome dos eleitores e em quem votaram. Outro objetivo
colocado pelo Tribunal Superior Eleitoral foi o de alterar a destinação dos
votos de um candidato para outro, mas a equipe da UnB optou por investir o
tempo da prova para alcançar um único objetivo.

Nenhum dos nove grupos que participaram atingiu as duas metas colocadas
pelo TSE. A atuação da UnB, entretanto, surpreendeu os organizadores dos
testes porque demonstrou que há fragilidades no sistema. “A equipe da UnB
conseguiu dar uma importante contribuição para melhorar a segurança das
eleições”, afirmou Rafael Azevedo, coordenador de Logística da Secretaria
de Tecnologia da Informação do TSE. “Os testes realizados pela UnB são de
alto impacto, de nível tecnológico avançado. Isso permitiu mostrar ao TSE
que o *software* precisa de melhorias”, explicou Wilson Veneziano,
professor do Departamento de Ciência da Computação da UnB e um dos
organizadores do evento. “O grupo foi o único a conseguir alterar a
segurança da urna", completou.

O número de votos utilizado na simulação equivale à média nacional de votos
por urna na eleição de 2010, já descontado o índice de comparecimento, que
é de 82%. Na simulação no TSE, cada eleitor votou em candidatos a prefeito
e vereador, o que significa dois votos por eleitor.

*FACILIDADES -* Wilson Veneziano ressalta que, embora a UnB tenha tido
sucesso em descobrir a ordem de votação e os candidatos que receberam
votos, o feito não é suficiente para fraudar uma eleição. Segundo ele,
seria preciso que um *hacker* ficasse guardando a ordem de votação de cada
eleitor para que a violação fosse possível, pois a lista que fica na mesa é
arranjada em ordem alfabética.

O secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino, afirmou
que o Tribunal reforçou o sistema das urnas eletrônicas."O que a UnB fez
foi desvendar o algorítimo matemático que embaralha a ordem da votação. O
sucesso seu deu em parte pela alta competência da equipe, mas também em
razão das informações prévias oferecidas pelo TSE para os testes", disse.
As facilidade foram a entrega do código fonte do sistema aos membros das
equipes e explicações técnicas sobre o funcionamento do sistema. Os
participantes também podiam trazer de casa programas para servir de
ferramentas para os ataques. "Alteramos o algorítimo dando maior
complexidade", completou.

*ESFORÇO -* Para garantir o sucesso, a equipe da UnB investiu toda a
energia em um único objetivo. A equipe não trabalhou com a proposta de
obter meios de favorecer um candidato. "Julgamos que a quebra do anonimato
do voto era algo mais factível de obtermos sucesso", lembrou Diego Aranha.

Antes de ir para a simulação com os 475 eleitores, que ocorreu na
quarta-feira, 21 de março, a equipe da UnB realizou três simulações nos
dois dias anteriores, uma com 10 eleitores, outra com 16 e uma terceira com
21. "Foi um grande desafio, porque aplicamos a metodologia que usamos para
um universo pequeno em uma simulação com alto número de eleitores", afirma
Diego Aranha.

Participam dos testes nove equipes. Quatro são do Distrito Federal. As
demais são de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro e
Ceará. Marcelo de Sousa, professor da Faculdade de Computação da
Universidade Federal de Uberlândia, afirma que, mesmo com boas condições de
fazer os testes, não conseguiu nenhum dado efetivo. “Sentimos uma alta
complexidade por conta dos vários níveis de segurança do sistema”, afirma.

*SEGURANÇA -* Realizados pelo TSE pela segunda vez desde 2009, os testes
tem como objetivo garantir segurança total no processo eleitoral
brasileiro. Este ano, o sistema eletrônico será novamente utilizado nas
eleições municipais. "O que conseguimos não representa um risco para as
eleições porque está dentro do objetivo dos testes, que é corrigir
antecipadamente as fragilidades do sistema", afirma Diego. "A vantagem dos
testes é justamente prevenir que uma fraude ocorra", explica Rafael
Azevedo, do TSE.

No próximo dia 29, o Tribunal fará audiência pública para prestar contas do
evento, às 10h, na sede do órgão.

Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a
fonte seja citada. Textos: *UnB Agência*. Fotos: *nome do fotógrafo/UnB
Agência*.

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