Amilcar

Eis aqui um rico depoimento de um professor da UERJ que integrou o grupo 
internacional de acompanhamento das eleições na Venezuela.

Relato bem diferente do que a mídia vendida divulga.

Parabéns Gustavo Senechal !

Weber



> From: Gustavo Senechal de Goffredo <[email protected]>
> Date: October 10, 2012 11:47:08 PM GMT-03:00
> To: Lista de discussao UERJXXI <[email protected]>
> Subject: Re: [UERJXXI] Dr. Merval, oncologista da Globo...
> Reply-To: Lista de discussao UERJXXI <[email protected]>
> 
> Cheguei hoje, às 4 horas, de Caracas.
> Como mencionei, integrei o grupo de "acompañamiento" internacional das 
> eleições. O grupo era integrado por cerca de 200 pessoas, de 40 países 
> diferentes. e a composição era a mais ampla possível: representantes de 
> partidos políticos, organizações sociais,  jornalistas, acadêmicos).
> Os integrantes do grupo, indicados por instituições dos seus respectivos 
> Estados, foram convidados pelo Conselho Nacional Eleitoral, órgão  reitor do 
> Poder Eleitoral e composto por 5 pessoas não vinculadas a organizações com 
> fins políticos (3 indicados pela sociedade civil, 1 pela faculdade de direito 
> das universidades nacionais e 1 pelo Poder Cidadão). Segundo a Constituição, 
> há cinco poderes na Venezuela: Executivo, Legislativo, Judiciário, Eleitoral 
> e Cidadão. Ressalte-se que o Poder Eleitoral não tem qualquer subordinação ou 
> vinculação a qualquer outro Poder.
> Cheguei em Caracas no dia 2, quando foram entregues as credenciais ( um 
> colete indicativo da Comissão, um crachá, um boné e toda a documentação 
> necessária, inclusive a programação para os dias seguintes). Todos deveriam 
> usar a identificação.
> Os dias 4, 4 e 6 foram dedicados a palestras e debates sobre o processo 
> eleitoral, visita ao Centro Nacional de Preparação e Distribuição de Máquinas 
> de Eleição (com apresentação das auditorias), visita a um centro de votação 
> para a instalação de mesa de votação. 
> Não faltou, também, reunião com o Comando de Campanha dos candidatos (o de 
> Chavez não compareceu). O de Capriles foi e, após exposição, houve debate.
> No sábado, fomos aos locais de votação. Todos os Estados tiveram 
> acompanhamento. Fui designado para o Estado de Monagas. A Capital, Maturin, 
> fica a cerca de 1 hora e meia de avião, de Caracas. Além de mim, foram mais 
> quatro: um deputado suíço, um jornalista chileno, uma jornalista uruguaia e 
> uma advogada americana.
> No dia 7,  às 5 da manhã, chegamos ao primeiro local de votação para a 
> abertura do processo eleitoral. As eleições foram realizadas das 6 às 18 
> horas.
> Presenciamos todo o processo, fazendo perguntas aos integrantes da junta 
> eleitoral e aos eleitores. Cada junta eleitoral era composta por presidente, 
> dois secretários e outros funcionários, além de dois representantes dos 
> partidos - os "testigos", ou seja, os fiscais partidários.
> Quando chegamos, já havia fila de eleitores. O entusiasmo era enorme, com a 
> participação de jovens e idosos, de deficientes.
> Como dá-se o processo?
> Como a eleição não é obrigatória, as pessoas de inscreveram para votar, via 
> internet ou presencialmente, nas agências do Conselho Nacional Eleitoral.
> Na porta de cada local de votação, havia a lista, por número da identidade, 
> orientando o eleitor para a sala.
> Os passos são os seguintes:
> 1 - O eleitor dirige-se ao local e, ao apresentar a identidade recebe um 
> papel indicando a sala.
> 2 - Ao ingressar na sala, assina a lista de presenta e coloca a digital do 
> polegar.
> 3 - Dirige-se à uma pequena máquina, onde digita o número da identidade e 
> coloca o polegar para leitura eletrônica. Aparece sua fotografia e, uma vez 
> confirmada a autenticidade do documento e a identidade do eleitor, o 
> presidente da Junta aperta uma tecla que o habilita a votar.
> 4 - Encaminha-se à urna eletrônica.  Ao lado dela, havia um painel com as 
> fotografias dos candidatos, conforme os partidos que os apoiavam ( eram 12 do 
> Chavez e 22 do Capriles, além de outros 5 candidatos).
> 5 - O eleitor aperta sobre a fotografia do candidato e, ao lado dela, 
> acendem-se cinco pequenas luzes vermelhas. A fotografia do candidato aparece 
> na urna eletrônica e, então, ele confirma.
> 6 - A máquina emite uma cédula em papel que é depositada na urna. Isso 
> permite que o voto seja armazenado na máquina, para envio, no final do dia ao 
> centro em Caracas, via satélite e garante, ainda, a possibilidade de 
> recontagem, na hipótese de suspeita de fraude.
> 7 - O eleitor, então, assina nova ata (colocando, mais uma vez sua digital).
> 8 - No final, enfia o dedo mínimo em uma tinta, que lhe deixa a falange roxa, 
> impedindo tente votar de novo.
> Esse processo não demora mais que 1minutos, embora cada eleitor tenha 6 
> minutos, após ingressar com os seus dados na máquina mencionada no item 3. Se 
> ele ultrapassar os 6 minutos, não vota mais. Esse tempo é para evitar que 
> tente bocoitar o processo, atrasando a votação dos demais eleitores.
> O meu grupo visitou 8 locais de votação, tanto em Maturin, quanto na zona 
> rural, inclusive uma aldeia indígena.
> Terminamos em Maturin, para o encerramento de um local de votação.
> O presidente inicia o processo, puxando a totalização. Assina na tela, 
> juntamente com os dois secretários e um fiscal partidário. A máquina imprime 
> a totalização e, ao mesmo, envia, via satélite (é o famoso satélite Miranda), 
> o resultado para o CNE, em Caracas. Daí o resultado tão rápido.
> Nessa urna encerrada, ganhou Capriles e o discurso, na rua, era contra 
> Chavez, com absoluta liberdade.
> O CNE divulgou o resultado, como sabem, no sábado à noite.
> Na segunda-feira, já em Caracas, foram reunidos grupos de acompanhantes para 
> a elaboração e apresentação de relatório ao CNE. Os grupos foram  formados 
> por atividade profissional de seus integrantes ( representantes de partidos, 
> da academia, organizações sociais,  imprensa, etc). A leitura dos relatórios, 
> com análise, críticas e sugestões foram diretamente transmitidas pela 
> televisão.
> O processo é absolutamente seguro contra fraudes, daí a aceitação do 
> resultado, sem contestação.
> Há inúmeros outros aspectos que gostaria de mencionar, mas não quero me 
> alongar ( este texto já está grande e cansativo para os colegas).
> Ressalto que os grupos tiveram absoluta liberdade de dirigir-se aos 
> integrantes das juntas e aos eleitores.
> Estou às ordens para outras informações que queiram sobre um processo seguro, 
> rápido e, fundamentalmente, democrático.
> Estou muito cansado mas feliz por ter participado de um belíssimo espetáculo 
> de democracia.
> Gustavo
> 
>   
> Em 09/10/2012, às 08:16, Italo Moriconi escreveu:
> 
>> Risos.
>> Tem que ser muito bobo para acreditar em «venezuelano que mora na Florida».
>> Todo mundo aqui no XXI sabe que eu não gosto do Chavez, por seu caudilhismo, 
>> militarismo e sobretudo voluntarismo, principalmente na politica externa, 
>> menos até por razões ideológicas e sim culturais, pois nós, brasileiros nada 
>> temos a ver com aquele bolivarismo tosco e confrontativo.
>> Mas acho que inclusive para O Globo como instituição é problemático vê_lo 
>> como veiculo de Mentira Organizada.
>> Isso sem esquecer que Globonews teve uma boa postura noticiosa quando do 
>> golpe contra Chavez, nao embarcando na Mentira Organizada da midia e governo 
>> norte americanos.
>> Fica de qualquer maneira o registro de que a sociedade venezuelana está 
>> muito dividida, e por motivos internos de fragilização do chavismo, não por 
>> efeito de campanhas simplesmente.
>> 
>> Em 08/10/2012 19:53, <[email protected]> escreveu:
>> Muito engraçado... desfrutem, no comentário abaixo, dos seguidos 
>> diagnósticos do ilustre Dr. Merval, que além de acadêmico da ABL, ao que 
>> parece também faz parte da Academia Brasileira de Medicina...
>> 
>> andrade
>> 
>> ---------------------------
>> 
>> Chávez sobrevive à mídia e é reeleito com 54% dos votos
>> 
>> porLuiz Carlos Azenha
>> 
>> Hugo Chávez sobreviveu aos bancos, ao “otimismo mórbido” e à mídia (nunca 
>> tantos torceram tanto para alguém morrer de câncer).
>> 
>> O presidente venezuelano foi reeleito com 54% dos votos, contra 44% para o 
>> oposicionista Capriles Radonski.
>> 
>> A participação foi de 80,94% (o voto não é obrigatório no país).  
>> 
>> Chávez derrotou, entre outros, os diagnósticos de Merval Pereira, de O Globo 
>> (reproduzidos no blog do Nassif): 
>> 
>>  
>> “Quadro grave”, de 16 de fevereiro de 2012:
>> 
>> Os últimos exames, analisados por médicos brasileiros, indicam que o câncer 
>> está em processo de metástase, se alastrando em direção ao fígado, deixando 
>> pouca margem a uma recuperação.
>> 
>> Como a eleição presidencial se realiza dentro de 8 meses, a 7 de outubro, 
>> dificilmente o presidente venezuelano estaria em condições de fazer uma 
>> campanha eleitoral que exigirá muito esforço físico, pois a oposição já tem 
>> em Henrique Capriles um candidato de união.
>> 
>> “Os verdadeiros mentirosos”, artigo de 22 de fevereiro de 2012:
>> 
>> A notícia de que o estado de saúde de Chavez havia piorado foi negada pelo 
>> governo de maneira peremptória, e o Ministro da (des) Informação, Andrés 
>> Izarra, disse que ela fazia parte de uma “guerra suja da escória”.
>> 
>> O líder governista no Congresso, Diosdado Cabello, chegou a afirmar que 
>> Chávez estava saudável, dizendo também pelo twitter que “Bocaranda está 
>> doente na alma”.
>> 
>> Da mesma maneira, depois que na quinta-feira publiquei no meu blog (Blog do 
>> Merval.com.br) que o quadro de saúde de Chavez havia piorado, com 
>> informações de médicos brasileiros que haviam analisado exames do presidente 
>> da Venezuela indicando a possibilidade de metástase em direção ao fígado, 
>> Maximilien Arvelaiz, pomposamente intitulado “embaixador da República 
>> Bolivariana da Venezuela no Brasil”, enviou carta ao GLOBO afirmando que “o 
>> tratamento contra um câncer, pelo qual o presidente Hugo Chávez foi 
>> submetido em 2011, foi exitoso, estando o presidente gozando de boa saúde”.
>> 
>> “A saúde de Chavez”, de 23 de fevereiro de 2012
>> 
>> Tenho cometido um erro dizendo em diversos comentários e notas que o câncer 
>> de Chávez pode estar localizado no “colo do reto”. Na verdade, trata-se de 
>> um câncer “colorretal” que abrange tumores em todo o cólon, reto, e apêndice.
>> 
>> “O novo câncer de Chávez”, de 4 de março de 2012
>> 
>> O jornalista venezuelano Nelson Bocaranda e o médico venezuelano residente 
>> na Flórida, José Rafael Marquina, que vêm informando com antecedência sobre 
>> o estado de saúde do presidente Hugo Chavez, usaram o twitter para comentar 
>> as últimas notícias sobre o novo câncer de Chavez. Bocaranda confirma que o 
>> exame dos materiais retirados para a biópsia foi feito no Brasil e nos 
>> Estados Unidos, e Marquina diz que embora não se refiram a metastáse, 
>> anunciar uma “radioterapia profilática” é uma maneira indireta de confirmar.
>> 
>> “Chavez no Brasil?”, de 5 de abril de 2012
>> 
>> O Presidente venezuelano Hugo Chavez pode anunciar a qualquer momento uma 
>> viagem ao Brasil para se internar no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo. 
>> Ele teve um choque com o tratamento de radioterapia a que está se submetendo 
>> em Cuba, e há especulações de que sofreu problemas intestinais que poderiam 
>> ser originários da metástase. (…) Pessoas próximas a Chavez temem que seja 
>> muito tarde para um novo tratamento aqui no Brasil, que poderia ter começado 
>> há muito tempo com a oferta feita pelo ex-presidente Lula e pela presidente 
>> Dilma. Chavez se negou a aceitar normas de transparência de informações do 
>> Hospital Sírio-Libanês e fez exigências consideradas inaceitáveis, como 
>> fechar andares do hospital e revistar todas os visitantes enquanto estivesse 
>> internado.
>> 

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