América do Sul Maduro diz saber quem votou contra ele nas eleições
presidenciais O opositor Henrique Capriles lembrou que o voto é secreto e
disse que, com a declaração, o presidente reconhece que o pleito foi
fraudulento
[image: Nicolás Maduro dá continuidade aos ataques de Hugo Chávez aos
Estados Unidos]

Nicolás Maduro dá continuidade aos ataques de Hugo Chávez aos Estados
Unidos (AFP)

O presidente da Venezuela, *Nicolás
Maduro<http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/maduro-fara-populacao-pagar-por-casas-fornecidas-pelo-estado>
*, disse que teve acesso à identidade de 900.000 eleitores que votaram
contra ele nas eleições presidenciais de 14 de abril. Em discurso sobre um
projeto de habitação nesta quinta-feira, Maduro criticou os chavistas que
votaram em Hugo Chávez em 2012, mas neste ano deram seu voto ao rival,
Henrique Capriles. O sucessor do coronel foi eleito por uma pequena margem
de diferença – cerca de 1,49%  –, o que abriu espaço para que a oposição
questionasse a apuração, alegando uma série de irregularidades.

 Nesta sexta-feira, as declarações de Maduro foram criticadas por Capriles,
que relembrou que a Constituição do país assegura a confidencialidade do
voto. Para o opositor, o presidente acabou reconhecendo com sua fala que as
eleições foram fraudulentas. “Todos sabemos que o voto é secreto e, além
disso, quase um milhão de seguidores do presidente Chávez votaram no
‘flaco’ [como Capriles é conhecido). Se esse cavalheiro diz que ele sabe
quem não votou nele, então está dizendo que a eleição é fraudulenta, porque
a lei diz que o voto é secreto", disse Capriles, durante uma assembleia.

O opositor acrescentou que as declarações de Maduro têm como objetivo
amedrontar a população, mas assegurou que ninguém deve se preocupar. "Nosso
povo pode ficar tranquilo, porque fazem isso para ver quem, entre aqueles
que trabalham em instituições do Estado ou estão em um programa social do
governo, cai na armadilha para depois se lançarem contra eles. Ninguém sabe
em quem você votou", assegurou.

A posição de Capriles foi defendida por Vicente Díaz, membro o Conselho
Nacional Eleitoral (CNE). Segundo ele, a declaração é uma ameaça e
evidencia o medo como tática de campanha. Díaz disse que a afirmação do
chefe de Estado é um ato criminal e uma coação pública.

*Irregularidades – *Desde o fim da apuração dos votos das eleições
presidenciais, a oposição tem denunciado irregularidades no pleito. Além do
pedido de 
*auditoria<http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/cne-anuncia-erro-zero-na-eleicao-venezuelana-em-10-dias-de-auditoria>
 *dos votos ao CNE, a campanha de Henrique Capriles apresentou ao Superior
Tribunal de Justiça um* pedido de
impugnação<http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/capriles-vai-pedir-impugnacao-das-eleicoes-venezuelanas>
* de todo o processo eleitoral.

*(Com agência France-Presse)*

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