Até caberia uma ação de propaganda mentirosa em relação ao comercial sobre a 
“segurança” das urnas veiculado pelo TSE na Globo. Estou divulgando este 
material sobre as urnas para meus contatos inclusive mandei para políticos. 

 

De: [email protected] [mailto:[email protected]] Em 
nome de Amilcar Brunazo Filho
Enviada em: terça-feira, 16 de setembro de 2014 15:46
Para: Fórum do Voto Eletrônico; Fórum do Voto Seguro
Assunto: {VotoEletronico} Re: Vulnerabilidades nos sistemas do TSE

 

Abaixo, escrevo meu entendimento sobre as vulnerabilidades nos programas dos 
sistema eleitoral que foram comunicadas ao TSE pela Dra. Maria Cortiz

 

Em 16 de setembro de 2014 10:07, Amilcar Brunazo Filho <[email protected]> 
escreveu:

O prof. Pedro Rezende publicou, hoje, um artigo no Observatório da Imprensa 
sobre a fiscalização dos programas das urnas no TSE.

Foram encontradas vulnerabilidades nos sistemas, que foram comunicadas pelo PDT 
ao presidente do TSE.

O artigo bo prof. Pedro está em:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed816_fiscalizacao_dos_programas_nas_eleicoes_de_2014

E o texto do comunicado do PDT (conforme incluído numa apresentação do prof. 
Pedro na UFBA feita ontem) pode ser visto a partir de:
http://www.cic.unb.br/~rezende/trabs/eleicoes2014/ufba2014-Cida.pdf#8


Saudações,

​Logo mais enviarei, em texto menos técnico, o meu entendimento dos riscos 
dessas vulnerabilidades​



Eng. Amilcar Brunazo Filho

 

​Vulnerabilidade 1
Se refere à defesa da mídia de Ajuste de Data e Hora (ADH), que permite se 
alterar a hora e data de uma urna eletrônica já preparada e lacrada para 
votação.

Apesar de toda a propaganda da autoridade eleitoral que uma vez lacrada a urna, 
ela só irá entrar em operação às 7h do dia da eleição, o próprio TSE prepara 
uma mídia (pen-drive) que quando colocada numa urna já pronta, permite ajustar 
a hora do relógio interno da urna de modo, por ex., a fazer a urna entrar em 
modo de votação bem antes da hora certa. 

Em outras palavras, existe uma forma de fazer qualquer urna receber votos antes 
do dia, viabilizando a fraude chamada de "clonagem de urnas" (que, 
simplificadamente, faz uma votação antes da hora, guarda os resultados, 
recarrega a urna para enviar para a seção eleitoral e depois troca os 
resultados antes da transmissão).

Como esse risco é real, o TSE toma uma série de cuidados especiais com essa 
mídia de ADH, como: a) só é gerada em programa próprio do TSE  e não nos TRE; 
b) tem prazo de validade (tanto de inicio do uso quando do final), etc

O que foi encontrado  na análise do código do programa gerador do ADH, é que 
chave de proteção contra o uso indevido dessa mídia possui exatamente o mesmo 
erro de segurança que o prof. Diego Aranha explorou nos testes de 2012, quando 
conseguiu quebrar o embaralhamento dos votos (RDV): o gerador de aleatoriedade 
é chamado com a função srand(time(null)) de "baixa entropia" (quantidade de 
possibilidades pequenas)

obs. esse erro no embaralhamento do RDV foi corrigido depois de exposto no 
relatório do prof. Aranha, mas persiste o mesmo erro em outros pontos do código.

Em resumo, é fácil, para quem entende, pegar uma mídia de ADH  e quebrar suas 
defesas para conseguir usá-la a qualquer hora.

Junte a isso o fato que quem terá acesso físico às urnas e às mídias de carga, 
de resultado e do ADH são aquelas pessoas contratadas pelos TRE para serviço 
temporário e cujos nomes a autoridade eleitoral não publica.

Mais resumido ainda: a clonagem das urnas será possível se os partidos não 
souberem como se defender (e a grande maioria não sabe)

 

Vulnerabilidade 2

Para  tentar evitar o "ataque de Princeton" (inserção de vírus nos programas 
das urnas para desviar votos, por meio de um cartão flash-card inserido no 
soquete externo da urna - http://www.youtube.com/watch?v=0AKR-Lo-700 ), o TSE 
comprou 400 mil novas urnas (modelos UE 2009 a 2013) com um chip de 
criptografia adicional que faz o acesso cifrado a uma partição (pedaço) da 
mídia externa, de maneira que só uma mídia corretamente cifrada poderá ser lida 
e executada pela urna.

A vulnerabilidade é que a as chaves do ciframento e deciframento da partição 
protegida encontra-se gravada na própria mídia de maneira fácil de ser 
recuperada.

Dessa forma, para quem sabe o que fazer, basta ter acesso (as mesmas pessoa 
citadas acima) a uma dessas mídias (uma flash-de-carga, por ex.) que se poderá 
obter a chave de proteção para, gravar qualquer coisa na mídia de forma que 
seja aceito pelo chip implantado nas urnas.

Essa vulnerabilidade já tinha sido identificada em 2012 pelo prof. Diego 
Aranha, como ele tem descrito em suas palestras desde então (na Câmara Federal, 
na Unicamp, na UFSCAR, etc), mas não foi corrigida pelo TSE.


Em resumo bem resumido: o ataque de Princeton continua tão possível quanto 
antes das novas urnas de 2009.

Vulnerabilidade 3
Para proteger seus computadores, o TSE os equipa com o sistema SIS da empresa 
Módulo. 

Mas a Módulo não fornece  simples um produto de prateleira.  O SIS usado pelo 
TSE possuiu muitas implementações exclusivas, nem todas devidamente 
documentadas.

O que foi encontrado é um pequeno programa, denominado INSERATOR, isolado do 
resto do SIS (não é chamado por nenhum outro componente do sistema) que é 
executado a partir da digitação de um comando por um operador que conheça sua 
função.. 

Não havia nenhuma documentação explicando a função desse programa e nem os 
funcionários da Módulo souberam explicar o que era. Enfim, uma espécie de 
"comando invisível".

Seu código-fonte, simples, descrevia apenas uma função de inserir (dai o nome) 
uma par chaves criptográficas ofuscadas por uma senha simples e constante, em 
qualquer base de dados que o computador tiver acesso, por ex.: no banco de 
chaves criptográficas válidas.

 

O risco que se apresenta, é que além de proteger de forma fraca as chaves 
"ofuscadas", o comando invisível pode incluir no sistema, chaves de assinatura 
digital que passarão a ser aceitas pelos demais sistemas de verificação.

Posteriormente, o TSE alegou que o INSERATOR era um resquício do programa usado 
até 2004 e que não era mais usado. Mas não explicou porque ainda está ali, 
disponível para uso por quem o conhece e nem porque seu resumo criptográfico 
(Hash) não aparece na lista de assinaturas publicadas pelo TSE.

 

​Vulnerabilidade 4

Apesar de toda a propaganda do TSE de que suas urnas funcionam sem contato com 
a Internet, inviabilizando ataques a seus sistemas pela rede, o que ficou 
demonstrado no teste realizado durante a cerimônia no TSE é que durante a 
Geração da Mídias (quando os programas das urnas são gravados primeiramente na 
Flash-de-carga) o programa gerador (GEDAI) funciona normalmente, sem produzir 
nenhum alerta, e gera as mídias estando conectado a Internet.

Fica, assim, perfeitamente viabilizado o ataque pela Internet aos programas que 
serão carregados nas urnas, nesse momento em que trafegam nos computadores 
ligados à rede.

 

é

​ isso,

Amilcar​

 

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