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Opinião do leitor: Geração Ubuntu e a morte do movimento Software Livre no
Brasil<http://br-linux.org/2014/01/opiniao-do-leitor-geracao-ubuntu-e-a-morte-do-movimento-software-livre-no-brasil.html>Enviado
por Anahuac de Paula Gil (anahuacΘanahuac·eu):

“Esta é uma constatação dolorida, triste, daquelas que deixam marcas na
alma, como toda morte: o movimento Software Livre morreu. Ao menos no
Brasil. Não me entenda mal, estou me referindo ao movimento, não há mais
movimento, não há mais ativismo organizado. Alguns “quixotes” continuam na
sua ébria redoma de purismo atacando os moinhos de vento, nada mais.

Em meados da primeira década do século XXI, a FSF e uma série de
visionários vislumbraram um futuro onde o Ubuntu se popularizava de tal
forma que muitos usariam GNU/Linux sem nem mesmo saber o que era isso.
Alertaram a todos sobre os riscos da quantidade e disseminação
desqualificada, ou seja, muito Linux e pouco GNU, muito uso e pouco
entendimento, muito código e pouca filosofia, muito compartilhamento e
pouca liberdade: o triunfo do Open Source sobre o Free Software.

Uma década se passou e eles, para variar, estavam certos. O poder corruptor
do mercado suavizou o discurso progressista, arrefeceu os corações dos mais
apaixonados e tornou em inertes complacentes até os radicais livres!

O movimento Software Livre no Brasil não conseguiu criar uma nova geração
de visionários filósofos do conhecimento livre. Tachados de “xiitas”,
intransigentes, ditadores da liberdade, agressivos, impacientes,
comunistas, socialistas e extremistas, foram convidados todos,
sistematicamente, a se retirar da sala com seu inconveniente elefante
branco chamado liberdade.

Periódicos, entrevistas, blogs especializados ou não se revezaram, sem
tréguas, a deixar claro que Linux era uma excelente escolha de mercado, mas
o GNU, a GPL, a FSF e quaisquer que insistissem em empurrar a linha além do
campo técnico, estava sendo inconveniente, indesejado, chato.

Uma nova geração de fantásticos desenvolvedores surgiu, foi educada e
encontrou seu lar nos moldes do Bazar, nas metodologias emaranhadas de
desenvolvimento, usando Ubuntu, e as “revolucionárias” redes sociais. A
nuvem fez o resto. A massificação do acesso às mídias de massa através de
redes privadas como o Facebook conquistou os corações e mentes dos últimos
bastiões da já velha filosofia libertária. Sem novos cavaleiros, a távola
não precisa mais ser redonda. Na verdade, a távola, não precisa sequer
existir.

O movimento foi transformado em uma comunidade. Somos um grupo de pessoas
distintas, com ideias e objetivos distintos, dispostos a ser complacentes
com os menos esclarecidos e especialmente com os mais esclarecidos. Hoje
parece não haver mais nenhuma incompatibilidade em ser ferrenho defensor do
Software Livre e usuário de tecnologias absolutamente proprietárias como
iPhone, iPad ou até mesmo Windows. Viramos apenas “os caras do Linux”. Não
somos mais ameaça nenhuma.

Enfurnados às centenas nas redes sociais privadas, compartilhando nossas
ideias e conhecimentos no Facebook, Skype e Gmail, parece não haver mais
nenhum constrangimento em ser defensor da privacidade e da democratização
do conhecimento tecnológico. Somos contra todo tipo de opressão, até mesmo
aquela que aponte nossa absoluta incoerência e complacência com aqueles
governos e empresas que deveríamos combater.

As fileiras de hackers que iam mudar o mundo, mudaram seus endereços de
e-mail para gmail.com, esvaziaram as listas de discussão livres e abarrotam
curtidas no Facebook. Quanto orgulho! quanta alegria! Finalmente somos
apenas mais um dos subgrupos de anormais digitais, assim como tantos
outros. Nem mais, nem menos que os gamers, web designers ou dba’s. Somos os
“linuxers”.

Projetos de softwares continuarão a ser desenvolvidos de forma
colaborativa, sem dúvida. Os grupos de usuários continuarão a se encontrar
e os eventos continuarão a disseminar, mas será apenas a forma, sem
conteúdo, sem alma, sem gana.

Deveríamos ter mais GNU e menos Linux, mais Zimbra e menos Gmail, mais
Duckduckgo e menos Google, mais Diáspora e menos Facebook. Nós íamos mudar
o Mundo, mas foi ele quem nos mudou. Sejam todos bem-vindos à Comunidade
Software Livre! O movimento está parado no Face, usando Gmail, à bordo do
novo Ubuntu e gritando: me deixem em paz!

Anahuac” [referência: anahuac.eu <http://www.anahuac.eu>]
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