Caro Godoy,

Muito pertinentes as suas observações e eu gostaria até de continuar
esta discussão, mas aqui não é o lugar (já estou ouvindo o zunido das
havaianas de pau voando).

Por sugestão de um amigo, coloquei minhas elocubrações no meu blog. Se
estiver a fim, continuamos a conversa lá:

http://ramalho.org

[ ]s
Luciano

On 1/10/07, Jorge Godoy <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> "Luciano Ramalho" <[EMAIL PROTECTED]> writes:
>
> > Porque será isso? Eu tenho uma teoria: as empresas normalmente ODEIAM dar
> > crédito a seus funcionários (existem exceções, mas são raríssimas). Na mente
> > corporativa, os funcionários são como engrenagens em uma máquina. Dar
> > destaque ao trabalho individual de um funcionário vai contra os interesses
> > corporativos. O filme Rollerball fala sobre isto (o original de 1975 é uma
> > obra prima de direção de arte; da versão mais recente eu só vi o lamentável
> > trailler).
>
> É interessante o teu comentário.  Não apenas por mostrar só um dos lados da
> moeda, mas por levar a diversas outras considerações e razões para que as
> coisas sejam dessa maneira.
>
> Teoricamente uma empresa publica apenas informações corporativas, onde ela é a
> responsável legal por todo e qualquer prejuízo que aquela informação venha
> causar.  Acaba, então sendo também uma proteção ao autor do documento o fato
> de seu nome não constar ali.
>
> Outro ponto é que um documento não é publicado exatamente como foi escrito.
> Há um processo de adequação ao linguajar da empresa, revisões, orientação do
> assunto, editoração, etc. portanto o autor do texto geralmente não é o único
> envolvido.  O webmaster foi lá e mexeu, o gerente foi lá e leu / autorizou, o
> diretor definiu os rumos da empresa e áreas onde os funcionários deveriam
> focar seu trabalho, etc. fazendo do documento não a criação de um indivíduo --
> em horário de trabalho pago pela empresa, diga-se de pessagem -- mas sim uma
> criação conjunta de várias pessoas.  (Obviamente para pequenas empresas isso
> não é tão verdade...)
>
> Outro ponto, também, é a continuidade da prestação do serviço.  Você compra um
> produto e tem um defeito.  Quando você liga para o fabricante quer a solução.
> Não importa se o engenheiro que projetou o produto (leia-se: criou a idéia)
> está ou não trabalhando lá.  Você quer um suporte àquele produto.  O mesmo
> acontece com uma idéia ou um texto.  Não importa se quem escreveu aquilo é
> ainda funcionário da empresa ou não, aquele documento é responsabilidade da
> empresa.  Você o lê com o respaldo de "aprovado" pela empresa.
>
> Processos de qualidade, por exemplo, exigem que o autor seja identificável.
> Mas este não precisa ser identificado diretamente no portal do site ou no
> documento.  Ele deve ser conhecido e encontrável.  Assim como revisores,
> responsáveis pela aprovação, etc.
>
> Um fator que também pesa bastante -- e esse eu já senti na pele algumas vezes
> -- é o medo da companhia de perder seu empregado.  Muitas vezes ela o prende
> dentro do escritório, não permite que ele se exponha diretamente para clientes
> / fornecedores e "protege-o" (isola seria um termo mais adequado...) do mundo
> exterior.  Por quê?  Simplesmente porquê cobrir todas as ofertas dos
> concorrentes é algo caro demais.
>
> Há ainda o caso de contratos assinados quando se é contratato.  Quando
> trabalhei em uma grande empresa na área de telecomunicações um dos documentos
> que assinávamos era justamente a cessão dos direitos de tudo o que criássemos
> ali (o que faz com que a empresa seja automaticamente a dona das criações).
> Se a empresa não tivesse interesse ela poderia nos ceder a criação de volta ou
> participar como sócia da idéia.  Isso valia para tudo, até mesmo planilhas
> eletrônicas com lógicas simples.  Se criado dentro ou fora do trabalho é algo
> irrelevante pois as informações não seriam obtidas sem o acesso por ele
> garantido.
>
> O problema, portanto, não é apenas o apontado de "cobiça" ou "ganância", mas
> engloba muitos outros fatores que podem ou não fazer sentido para quem olha de
> fora ou não está acostumado com os meandros de grandes corporações /
> negócios.
>
> > A maior lição que o software livre traz para o mundo é a seguinte: a
> > meritocracia, dando crédito a cada colaborador, e o trabalho voluntário
> > permitem que a gente crie coisas incríveis e de muito valor *sem*
> > dependermos de empresas. Admirável mundo novo!
>
> E também nos mostra que estes produtos devem ser usados "as is", "sem
> garantias", "por sua própria conta e risco".  A mudança de paradigma de um
> mundo onde a pessoa / empresa que publicou um documento era responsável por
> aquela informação para um mundo onde o autor diz "funcionou pra mim, se não
> funcionar pra você azar o seu" é bastante grande.
>
> > PS. Não, eu não odeio empresas em geral. Odeio apenas a maioria delas, e
> > principalmente aqueles oligopólios com que somos obrigados a nos relacionar:
> > bancos, telefônicas, planos de saúde, seguradoras...
>
> E isso não é um consenso mundial? ;-)  Assim como taxistas que dirigem
> mal... ;-)
>
>
> Eu também não sou um defensor de empresas e nem nada, mas acho que cabe olhar
> um pouco mais longe do que simplesmente para créditos de documentos publicados
> em sítios web.
>
> --
> Jorge Godoy      <[EMAIL PROTECTED]>
>
>
> Para enviar uma mensagem: zope-pt@yahoogrupos.com.br
> Para desistir envie uma mensagem em branco para: [EMAIL PROTECTED]
> Links do Yahoo! Grupos
>
>
>

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