Caro Pereira,

Ai v�o algumas respostas r�pidas (entre os trechos de sua mensagem), pois
estou em viagem com acesso limitado a Internet.
Estou justamente em Bras�lia, indo ao TSE para a terceira se��o de
apresenta��o e compila��o dos programas do TSE aos partidos.

Voce Perguntou:
>Prezado  Sr. Brunazo:
>H� dias em que recebi um artigo da Folha de S�o Paulo sobre a rejei��o do
eleitorado norte-americano � urna eletr�nica.  Eu o divulguei para v�rias
pessoas.

--- Os americanos s�o superpotencia e podem desfilar sua arrog�ncia por que
n�o s�o idiotas. Eles n�o aceitam votar numa caixa preta que engole votos e
n�o permite conferencia da apura��o. S� os iludidos brasileiros podem achar
que nossa urna-e sem voto impresso conferido pelo eleitor � moderna.

>Junto ao artigo, teci algumas considera��es sobre a urna, j� que nunca me
senti seguro ao depositar o meu voto na m�quina. Como trabalhei muitos anos
na �rea de automa��o e inform�tica, inclusive com projetos e desenvolvimento
de placas de computadores, levantei as seguintes quest�es que, at� o
presente momento ningu�m me respondeu.
>Ora, n�o trabalho na Secretaria de Inform�tica, mas em �rea de apoio,
entretanto, como eleitor, entendo que tenho o direito de ter essas d�vidas
sanadas para que eu possa confiar no processo.
>Por outro lado, vejo os meus colegas da Seinfo agirem como
torcedores/adoradores da urna eletr�nica sem ao menos conhec�-la com um
m�nimo de profundidade.

---- Chamamos as estes de Fi�is da Seita do Santo Baite,
eles cr�em... no mundo tem trouxa pra tudo...

>Alguns est�o at� aborrecidos comigo por ter tocado em um assunto que virou
uma esp�cie de tabu aqui neste Regional.  Assim, pe�o-lhe o obs�quio de,  se
poss�vel, responder-me  o que  estiver ao vosso alcance. Eis as perguntas:

>1-Como a urna, como todo computador � comandado por um( ou mais)
microprocessador(es), este tem que ser comandado por um microprograma feito
em linguagem de m�quina ( baixo n�vel). Minhas d�vidas:

>a) A  JE  disponibiliza as informa��es sobre este microprocessador? Isto �:
proced�ncia, especifica��o, manual ( incluindo formas de onda e teoria de
funcionamento), bem como a listagem do microprograma que o comanda?

---- A resposta �: N�o.
A Secretaria de Inform�tica do TSE entende que a lei a obriga apenas a
apresentar o software para conhecimento dos partidos e n�o o hardware.
Por isto, n�o adianta pedir, Eles se negam a apresentar.
Voc� n�o acha um absurdo que eu (fiscal) tenha que pedir para ver uma parte
do sistema, e eles (fiscalizados) tenham o direito de negar?
Pois este � o ordemanento jur�dico do Sistema Eleitoral Brasileiro onde a
justi�a eleitoral � bem mais do que poder judici�rio e pode at� definir os
termos como ser� fiscalizada.

>b)A JE  disponibiliza a listagem do programa codificador/decodificador (
que faz a tradu��o da linguagem de m�quina para a de software de baixo n�vel
e vice-versa?

--- obs: linguagem de m�quina � o mesmo que linguagem de baixo n�vel
(assembly). O que existe s�o os programas compiladores que transformam
linguagem-fonte (em texto) para linguagem-objeto (ou c�digo de m�quina).
Este processo de compila��o � irrevers�vel e n�o existem "descompiladores"
eficientes (com excess�o de linguagens de programa��o pseudo-compiladas como
o Clipper).
Os compiladores utilizados pela JE s�o "de mercado", ou seja, s�o programas
fechados, mas eles alegam que isto d� seguran�a ao sistema.

N�o � este o entendimento da comunidade cient�fica. Leia o mais que famoso
artigo do inventor do UNIX sobre a impossibilidade de se confiar em
compiladores escritos por terceiros.
http://www.acm.org/classics/sep95/

Mas os Fi�is da Seita do Santo Baite ignoram estas quest�es e nem lhes
interessa entender.

>c)A JE  disponibiliza os diagramas de interconec��es do microprocessador
com os demais dispositivos da m�quina( controladores de mem�ria, registros,
chips de clock, buffers, dispositivos MMCS- Man Machine Comunication System-
v�deo, teclado, impressoras, modens, etc)?
----- Como j� respondido: N�o (� hardware)

d)A JE disponibiliza a listagem e fluxograma do sistema operacional ( j� em
linguagem de m�dio n�vel)? Qual � a linguagem utilizada?

---- Resposta: N�o toda.
Nas urnas-e modelo 98 e 2000 o TSE utiliza o Sistema Operacional VirtUOS do
qual eles n�o tem o c�digo fonte e nem tem como apresentar.
(por causa deste fato, o TSE fez lobby para alterar o projeto de lei do
Requi�o/Tuma, retirando a parte que falava em obriga��o de abrir o c�digo do
Sistema Operacional)

Nas urnas 2002 e 2004 se utiliza o Windows CE e o TSE tem licen�a de mostrar
o seu c�digo aos fiscais. Neste caso os problemas s�o dois:
1) o c�digo fonte dos sistemas operacionaos destes dois modelos de urnas tem
mais de 60 mil arquivos e os partidos tiveram, na pr�tica, longos 3 dias
para analis�-los. Resultado: ninguem analisou nada.
2) o TSE N�O TEM CONHECIMENTO DO TERMOS DAS DUAS LICEN�A DE USO destes
Windows. Solicitei estes termos e eles simplesmente n�o os encontraram para
apresentar.
Pior, o termos que me apresentaram era de outra vers�o mais nova, mostrando
inclusive que a licen�a que eles t�m (sem conhecer os termos), aceita que a
pr�pria licenca seja modificada pela Microsoft !!!

>e) Em que ambiente de software roda este sistema operacional ?

--- O sistema operacional � o ambiente de software. Respondido acima.

>f) A JE disponibiliza as listagens do chamado c�digo-fonte ?

---
a)do BIOS: n�o. (apenas apresentou um relat�rio descritivo das modifica��o
especiais para o TSE, mas n�o apresentaram o c�digo-fonte)
Eu soube que eles nem mesmo t�m este c�digo de alguns modelos.
b)do sistema operacional: apenas parte, como respondido acima
c) dos aplicativos: sim, embora o tempo e a complexidade do sistema impe�am
uma an�lise eficiente como descrito no relat�rio SBC.

>Creio que seria de grande valia, se vc puder ajudar-me neste particular, j�
que tenho tido dificuldades at� para ter acesso a algumas �res da Sec. de
Inform�tica. Parece que fiquei meio maldito por aqui, dada a minha
independ�ncia.

A dificuldade de acesso � proposital. O TSE adota o modelo de seguran�a por
obscurantismo, que n�o serve quando h� mais de 2 interesses em jogo, como
tem repetido insistentemente o prof. Pedro Rezende.

>Por fim, eu gostaria de saber, em �ltima an�lise: n�s, t�cnicos da JE temos
dom�nio tecnol�gico sobre o sistema de voto eletr�nico ? Se temos, temo-lo
at� que ponto?

-----
Voc�s, t�cnicos dos TREs, n�o tem controle nenhum e s�o frequente e
propositadamente desinformados pelos t�cnicos do TSE. Muitas coisas que
voc�s passam para frente s�o pura mentiras que eles lhes disseram para ser
divulgadas, como: a transpar�ncia do software, a impossibilidade de fraude,
etc. Fraudes encontradas e por vezes praticadas por eles pr�prios (como a
modifica��o escondida dos softwares depois de lacrados pelos partidos) s�o
escondidas de voc�s.

Leia o recent�ssimo artigo sobre as fraquezas incr�veis que tinha nos lacres
e no software das urnas de 2000 em:
http://www.cic.unb.br/docentes/pedro/trabs/analise_setup.html

Era trivial como modific�-lo para burlar as defesas contra modifica��es!!!

>     Atenciosamente,
Vagner Pereira
Analista Judici�rio
TRE/AM

--
[ ]s
Amilcar Brunazo Filho

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