Oiii...é quem estou pensando..rsrs!!
Bj


From: [EMAIL PROTECTED]: [EMAIL PROTECTED]: {3 Dias de Carinho:1341} RES: {3 
Dias de Carinho:1339} Educação Invisível... (leia, apenas 2 minutos)Date: Tue, 
11 Nov 2008 16:41:29 -0200







Olá Sil!!!
 
Você sabe quem é este Plínio que escreveu a matéria?
 
 
Angela 
 




De: [email protected] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome de 
Silvana CassianoEnviada em: terça-feira, 11 de novembro de 2008 13:07Para: 
[EMAIL PROTECTED]: {3 Dias de Carinho:1339} Educação Invisível... (leia, apenas 
2 minutos)
 
Carinhos, Bom Dia!! Recebi esta mensagem e li até o final, e me fez refletir 
bastante a respeito...então resolvi compartilhar com VOCÊS, se tiverem um tempo 
leiam. Bjuk44s Sil



Experiência que vale a pena ser lida. 


 


Tese de mestrado na USP - Respeito é tudo. 

'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'

 

'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'

Diário de São Paulo - Publicado em 11/4/2006 

Invisibilidade Pública 

Plínio Delphino
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito 
anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, 
ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'. 
Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 
'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada 
e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e 
não a pessoa. 
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 
como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: 
'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar 
um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador. 
O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser 
humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, 
não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, 
sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado 
em um poste, ou em um orelhão', diz. 
Apesar do castigo do sol forte, do trabalho pesado e das humilhações diárias, 
segundo o psicólogo, são acolhedores com quem os enxerga. E encontram no 
silêncio a defesa contra quem os ignora. 

 
Diário - Como é que você teve essa idéia? 
Fernando Braga da Costa - Meu orientador desde a graduação, o professor José 
Moura Gonçalves Filho, sugeriu aos alunos, como uma das provas de avaliação, 
que a gente se engajasse numa tarefa proletária. Uma forma de atividade 
profissional que não exigisse qualificação técnica nem acadêmica. Então, 
basicamente, profissões das classes pobres. 

 
Com que objetivo? 
A função do meu mestrado era compreender e analisar a condição de trabalho 
deles (os garis), e a maneira como eles estão inseridos na cena pública. Ou 
seja, estudar a condição moral e psicológica a qual eles estão sujeitos dentro 
da sociedade. Outro nível de investigação, que vai ser priorizado agora no 
doutorado, é analisar e verificar as barreiras e as aberturas que se operam no 
encontro do psicólogo social com os garis. Que barreiras são essas, que 
aberturas são essas, e como se dá a aproximação? 

 

Quando você começou a trabalhar, os garis notaram que se tratava de um 
estudante fazendo pesquisa? 
Eu vesti um uniforme que era todo vermelho, boné, camisa e tal. Chegando lá eu 
tinha a expectativa de me apresentar como novo funcionário, recém-contratado 
pela USP pra varrer rua com eles. Mas os garis sacaram logo, entretanto nada me 
disseram. Existe uma coisa típica dos garis: são pessoas vindas do Nordeste, 
negros ou mulatos em geral. Eu sou branquelo, mas isso talvez não seja o 
diferencial, porque muitos garis ali são brancos também. Você tem uma série de 
fatores que são ainda mais determinantes, como a maneira de falarmos, o modo de 
a gente olhar ou de posicionar o nosso corpo, a maneira como gesticulamos. Os 
garis conseguem definir essa diferenças com algumas frases que são simplesmente 
formidáveis. 
Dê um exemplo. 
Nós estávamos varrendo e, em determinado momento, comecei a papear com um dos 
garis. De repente, ele viu um sujeito de 35 ou 40 anos de idade, subindo a rua 
a pé, muito bem arrumado com uma pastinha de couro na mão. O sujeito passou 
pela gente e não nos cumprimentou, o que é comum nessas situações. O gari, sem 
se referir claramente ao homem que acabara de passar, virou-se pra mim e 
começou a falar: 'É Fernando, quando o sujeito vem andando você logo sabe se o 
cabra é do dinheiro ou não. Porque peão anda macio, quase não faz barulho. Já o 
pessoal da outra classe você só ouve o toc-toc dos passos. E quando a gente 
está esperando o trem logo percebe também: o peão fica todo encolhidinho 
olhando pra baixo. Eles não. Ficam com olhar só por cima de toda a peãozada, 
segurando a pastinha na mão'. 

 

Quanto tempo depois eles falaram sobre essa percepção de que você era 
diferente? 
Isso não precisou nem ser comentado, porque os fatos no primeiro dia de 
trabalho já deixaram muito claro que eles sabiam que eu não era um gari. Fui 
tratado de uma forma completamente diferente. Os garis são carregados na 
caçamba da caminhonete junto com as ferramentas. É como se eles fossem 
ferramentas também. Eles não deixaram eu viajar na caçamba, quiseram que eu 
fosse na cabine. Tive de insistir muito para poder viajar com eles na caçamba. 
Chegando no lugar de trabalho, continuaram me tratando diferente. As vassouras 
eram todas muito velhas. A única vassoura nova já estava reservada para mim. 
Não me deixaram usar a pá e a enxada, porque era um serviço mais pesado. Eles 
fizeram questão de que eu trabalhasse só com a vassoura e, mesmo assim, num 
lugar mais limpinho, e isso tudo foi dando a dimensão de que os garis sabiam 
que eu não tinha a mesma origem socioeconômica deles. 

 

Quer dizer que eles se diminuíram com a sua presença? 
Não foi uma questão de se menosprezar, mas sim de me proteger. 

 

Eles testaram você? 
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa 
térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um 
clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com 
eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o 
serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante 
cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. 
E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. 
Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria 
tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as 
latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem 
formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca 
improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se 
perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu 
bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar 
comigo, a contar piada, brincar. 
O que você sentiu na pele, trabalhando como gari? 
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei 
no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi 
escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei 
em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente 
conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma 
sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma 
angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido 
sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho 
atordoado. 
E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou? 
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações 
pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor 
meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma 
idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, 
um orelhão. 

 

E quando você volta para casa, para seu mundo real? 
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está 
inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa 
experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são 
meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. 
Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o 
trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um 
animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem 
uma 'COISA'.

Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida! 
 



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