Caro Rogério de Sousa:
Desculpe-me, e por favor não leve a mal este meu comentário inicial, mas
parece-me ser uma pessoa com mais certezas do que dúvidas, para as colocar
aqui.
Imagina que alguém, mesmo fabricante, lhe possa dar dados correctos sobre o
comportamento de um acumulador actual? Eu não. A evolução tem sido tão
grande (mal apareceram as de iões de lítio e já vamos nos polímeros de
lítio...), que não há tempo para fazer um estudo da duração de um acumulador
em diferentes regimes de carga e de utilização. Note que o consumo do seu
computador não é sempre constante e num uso normal, cada qual volta a ligar
o computador ao carregador quando lhe dá na gana (ou porque aproveita para
recarregar agora, enquanto está próximo de uma tomada, e depois vai precisar
mais tarde de usar só as baterias, ou porque está a descarregar / actualizar
uma aplicação e não quer ficar a meio por falta de carga...).
Uma coisa é certa: se não usa uma máquina Apple, não ligue ao que leu no
site da Apple. E mesmo que usasse teria de ler muitas outras recomendações
Apple relativas a baterias e sua calibração. Eu, que as li e conheço, já
tive de trocar uma bateria Apple com quatro meses de uso, que estava a ficar
inchada como uma uma bola de futebol. Os computadores Apple têm um software
nativo para contagem do número de ciclos completos de carga (não os 50%).
Por outro lado a bateria tem um sistema autónomo de indicação, por LEDS, do
estado de carga.
Não é impunemente que os fabricantes lutam por baterias de acumuladores cada
vez mais leves e de maior autonomia. Algumas ainda explodem ou incendeiam e
outras têm sido proibidas pelas companhias aéreas de embarcar nos aviões
metidas nos portáteis. Faça uma pesquisa na Net e ficará surpreendido.
Quando compra um computador de uma marca e modelo sabe mesmo o que está
dentro da "caixinha" ? Uma fonte de alimentação tem de conter um sistema de
transformação, mas também uma malha de alisamento e outra de regulação. Só
falta saber o que está dentro da "caixinha" e o que está dentro do
computador.
Daí que não basta ver a indicação do valor eficaz da tensão de saída ou da
potência aparente, mas também a forma da onda de saída e a forma como esta
se comporta relativamente às várias necessidades de consumo.
Se um dia tiver oportunidade de visionar a saída de uma fonte de alimentação
num osciloscópio e ver a forma como elas se comportam num aumento
progressivo da carga, talvez deixe de pensar da forma que pensa
relativamente a marcas e preços.
Quanto ao ter ou não ter a bateria ligada enquanto trabalha ligado à
corrente, nunca se esqueça que qualquer bateria de acumuladores tem a
chamada resistência interna, que obriga a que para carregar uma bateria de
12V a fonte tenha de ter uma tensão de saída superior e uma capacidade para
manter a carga da bateria e o consumo instantâneo do computador, quando
ligado. Em alguns computadores, tirar a bateria poderá significar que este
esteja a trabalhar com uma tensão superior ao devido...
Algumas coisas são certas:
- Uma bateria começa a envelhecer a partir do momento em que é
fabricada;
-Uma bateria envelhece tanto mais depressa, quanto maior a corrente de
carga (carga mais rápida, temperatura mais elevada);
- Um computador leve (com bateria leve), terá menor autonomia;
- para mim, uma vez que as fábricas não têm caixotes do lixo (se não tem
qualidade para sair com esta marca e modelos (será colocado noutro
equipamento de preço mais acessível), o preço ainda me dizendo muito sobre a
qualidade...
Quanto à minha experiência... usem os portáteis sem preocupações com a
bateria. Descarreguem-na completamente de quando em vez, deixando mesmo o
computador hibernar sem carga até ao dia seguinte, dando-lhe depois uma
carga completa e continuando a trabalhar nele, ligado, mais uma cinco horas.
Procedendo deste modo nunca tive problemas de bateria. Algumas, já com seis
ou sete anos, ainda me daão 2 a 2,5 horas de autonomia.
Desculpem este meu longo testemunho. Deve ser encarado como tal e nunca uma
polémica sobre algo ou com alguém.
Cumprimentos a todos
Ed
"Eduardo Guimarães"
On 24/11/08 18:33, "[EMAIL PROTECTED]" <[EMAIL PROTECTED]>
wrote:
> Caros amigos,
>
> Como já adivinhava, trata-se de um tema, polémico e de difícil conclusão
> definitiva (?) pois as opiniões, embora com muita lógica, são quase sempre
> desprovidas de um convincente fundamento técnico-científico.
>
> De qualquer forma, *muito grato a todos os companheiros* que se dispuseram a
> contribuir com a sua opinião; fico reconhecido.
>
> Retive a observação do *Ricardo* que sugere a "construção" duma bateria com
> a junção de células de maior capacidade (e mais baratas que não quer dizer
> piores, pelo contrário!); muito me agradou a ideia mas a maior dificuldade
> será a de conseguir "encaixar" esse conjunto de células (depois de ter a
> sorte de as encontrar numa lojaŠ) dentro do espaço que o fabricante destinou
> à bateria. Tentar aproveitar o invólucro da bateria original para enfiar lá
> dentro as célulasŠ seria de louco, desisto!
>
> É que uma bateria só é útil se for facilmente transportávelŠ
>
> Ao *Jorge Ferreira*, que colaborou com excelentes opiniões (muito grato),
> não posso deixar de fazer um "reparo": um carregador não será de má
> qualidade por ser barato mas sim se os seus valores nominais (output:
> voltagem/capacidade) não estiverem adequados à função (carga).
>
> Um carregador da marca PREMIUM-PLATINIUM e a custar "os olhos da cara"
> estraga igualmente o aparelho a que se ligue, se não cumprir os tais
> valores.
>
> Não faz mal ser barato mas, normalmente, o utilizador não percebe (ou não
> quer) estar a "matar a cabeça" com estas coisas e compra com a etiqueta da
> "marca" que tinha; o fornecedor do equipamento cobra-se, eventualmente, por
> esta comodidade e por ter colocado a sua etiqueta num carregador que por
> acaso até pode ter sido feito na mesma fábrica "barateira".
>
>
>
> Uma bateria é um consumível, com uma esperança de vida calculada e que se
> "fixa" na base do número de vezes que se carrega/descarrega (ciclo de
> carga); por isso, a sua vida útil depende do número de vezes que cumpre este
> processo de carga.
>
> A carga de um acumulador deve sempre ser a mais lenta possível uma vez que
> as cargas rápidas fazem aquecer as células internas da bateria, empenando-as
> e gerando pequenos curto-circuitos que, em pouco tempo inviabilizam a carga
> e retenção da energia.
>
> É sumamente importante que o primeiro (inicial) processo de carga seja longo
> e antes de qualquer utilização (o fabricante costuma indiciar esse tempo
> dessa carga).
>
> Estando a bateria sempre montada no portátil, durante a sua utilização, a
> tensão vai baixando e sempre que atinge um determinado nível, entra em
> processo de carga (é quando a luz sinalizadora acende *led*) e, portanto,
> lá vai mais um ciclo de carga para abater à vida útil da bateria.
>
> Tomo também a iniciativa de acrescentar a minha opinião,
>
> à guisa de CONCLUSÃO
>
> (para longos períodos de utilização com 220v) que, no fim de contas, é quase
> um resumo das opiniões aqui incluídas e assente no princípio:
>
> *1 * Deixar a bateria carregar até ao máximo;*
>
> *2 * Retirá-la (inactivá-la) com 50% da carga máxima (recomendação APPLE)*
>
> *3 * Utilizar a corrente da rede e recorrer à bateria, só quando for
> necessário ou*
>
> * uma vez por semana, no mínimo (?); fazê-lo até que a carga se esgote
> *
>
> * completamente (*).*
>
> *4 * Ligar à corrente para carregar a bateria (até 50%)*
>
> *5 * Repetir desde 1)*
>
>
> (*) Para levar a bateria à descarga total pode esperar-se pelo aviso de
> carga baixa, gravar o trabalho em curso e deixar a máquina ligada até
> esgotar a bateria; este processo permite que, de vez em quando, se force a
> descarga completa.
>
> *Nota:*
>
> Admitindo que o melhor lugar para armazenar a bateria é no seu local de
> funcionamento (no portátil) e para evitar supostas hipóteses dela ser
> guardada em local inconveniente, pode ser mantida no seu sítio mas com uma
> pequena tira de plástico a isolar um dos contactos com o equipamento. Desta
> forma não está ligada MAS mantém-se sempre junto do "local de trabalho".
>
> Um abraço de agradecimento do
> Rogério de Sousa
> "Rogério de Sousa"
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