É o próprio, Mr. Eugênio.
Então vou anexar e também copiar minha "Història Real", no dia que consegui
convencer um futuro estuprador jogando conversa e elogios para cima dele,
até ser dalva por um seu Alfredo que eu nunca vi na vida.
Deixa ver se encontro o arquivo:
Aqui vai:
E quanto ao Favinha, Alô Favinha, estou buscando uma inspiração DIVINA para
responder ao seu texto. Não o esqueci viu!
*Sábado by night: 2 em 1*
Naquela noite ela estava inquieta e cheia de energia; queria novidades.
Ligou para a amiga.(1) Ela, solícita e companheira, imediatamente aceitou a
proposta. E saíram para a noite sem roteiros nem idéias.
A cidade em férias oferecia poucas opções. Ruas desertas, bares
idem. Pensaram em Ponta Negra, mas, a orla sul(2) estava tão turística.
Lembraram da Ribeira.(3) Nos bares o clima começava a esquentar. Estacionou
o carro um pouco distante e, como de costume, apareceu o "pastorador"(4).
Era um rapazinho que deveria ter entre 11 e 13 anos. Olhou para ele: pálido,
magro, olhos sem expressão. Vestia-se modestamente. Poderia ser seu filho,
pensou.
Demoraram-se dentro do carro. Coisas de mulher: retocar a
maquilagem. Colocar as os babados (conversas) em dia. Sentindo-se lindas e
maravilhosas, saíram para a night .
Havia uma pequena distância a ser percorrida. A conversa animada
não deu brecha para que elas prestassem atenção na figura do pastorador. Ele
estava encostado num carro, olhando fixamente na direção delas. Uma figura
longilínea, apagada. Quase uma sombra. De repente a sombra
cresceu. Escureceu. Ganhou contornos ameaçadores. Vinha em sua direção com
mãos que pareciam garras. Falou com uma voz abusada: *- Eu já esperei
muito. Passe logo esta bolsa pra cá!*
Como num flashback ela lembrou de outra situação semelhante. Era
uma linda manhã. Estava só, numa rua deserta e já tinha percebido que um
homem a seguia. Não sabia o que fazer. Não havia muitas opções e não queria
passar pelo ridículo de correr sem saber se realmente havia motivos para
tanto. Diminuiu o passo e rezou. Sentia que algo ia acontecer. Estava com um
forte pressentimento. Ele passou por ela rapidamente. Mais na frente
agachou-se para amarrar o tênis. Era inevitável agora ela passar por ele. Ao
vê-la aproximar-se, ele levantou subitamente e apontou-lhe uma faca. Uma
velha faca de cozinha encardida e desgastada. Possuía uma lâmina muito fina
e manchada. Foi um grande impacto. Parecia que havia explodido uma bomba
dentro de si. Com a voz trêmula e soluçante, implorou:
- *Pelo amor de Deus, não faça nada comigo. Pode levar
a bolsa e o relógio. É tudo que tenho. Tem pouco dinheiro, mas é todo seu*.
Ele a olhou da cabeça aos pés. Estava com um vestidinho branco
de malha que deixava ver o contorno do seu corpo. Por baixo um biquíni
preto, minúsculo, denunciava sua intenção de ir à praia. Um arrepio de pavor
percorreu-lhe toda.
– *Não. Não quero bolsa nem relógio. Quero você! Vamos ali*!
disse ele apontando a faca para sua barriga e indicando um matagal próximo.
Ela gelou. Segundos antes de tudo acontecer, já tinha percebido a gravidade
da situação. Mas era tarde demais. Ainda teve tempo de pedir ajuda a Deus. E
a ajuda veio no raciocínio rápido. Falou:
- *Não posso. Estou menstruada e em tratamento
ginecológico. Estou cheia de remédios. É impossível agora*.
Ele a olhou enraivecido:
– *Mentira*! *Como você está indo à praia se está assim?*
– * Estou usando OB. Você sabe o que é um OB? E estou apenas indo
tomar um rápido banho de mar. Isso não me fará mal.*
Olhou bem para ele. Era um homem jovem. Talvez tivesse uns 30 anos. Era
difícil precisar. Franzino, de pele muito queimada pelo sol. Provavelmente
trabalhava numa daquelas construções que surgiam ao longo da rua. Tinha os
cabelos finos e lisos. O rosto triangular e muitos dentes cariados. Ela
falou mais calma:
– *Olhe, você é um cara bonito, jovem, por que precisa fazer isto? Se
tomar um bom banho e se arrumar, pode conseguir uma namorada que poderá lhe
dar prazer, sem precisar usar violência. Experimente!*
* *
* *
Enquanto tentava persuadi-lo, um casal de idosos se aproximou.
Ao vê-los, disse:
- *Seu Alfredo, um momento. Preciso falar com o Sr*.
E dirigiu-se lentamente a eles, simulando que os conhecia. Apressou o passo
para alcançá-los e já distante acenou, despedindo-se do ex-quase-futuro
estuprador. Ao alcançar o casal explicou o que estava acontecendo. Havia
nascido de novo, pensou ao suspirar aliviada.
Voltando para o momento da Ribeira, agora estava ali,
deparando-se com um assaltante-mirim que puxava sua bolsa. Não iria
permitir. Sua bolsa era sua identidade feminina. Seus documentos, suas
chaves, batons, seus pertences. Não, não iria permitir. Também estava
assustada. Gritou de medo lembrando da outra situação. A amiga, querendo
ajudar, uniu sua força a dela puxando-lhe pelos cabelos. Ela, além de
assustada, agora sentia a dor dos puxavantes(5). Ao lembrar do risco de
estar reagindo, gritou bem alto. Uma breve luta travou-se na rua escura e
deserta. Gritos de desespero e medo. Pensou sentir uma lâmina fina
retalhando-lhe o corpo. Depois a queda. A dor nas costas. Foi quando
percebeu que apenas tinha perdido o equilíbrio, ajudada pelos puxavantes nos
cabelos que a amiga lhe dava. A bolsa continuava consigo. Ao levantar ainda
viu a figura miúda do pivete fugindo sem a bolsa, numa bicicletinha de
criança. Riu e chorou. Examinou-se. Não havia cortes, apenas arranhões da
queda. Havia nascido novamente.
*Ana Cristina Cavalcanti Tinoco*
Explicações:
1. A amiga – Tiquinha é como a chamamos. É uma violinista baixinha,
do cabelo bem cacheadinho, cheia de sardas e bem alternativa (metida a
hippie). Está sempre alegre e de alto astral.
1. Orla Sul - São as praias do litoral sul, em especial Ponta Negra
que vem se destacando pelo grande fluxo de turistas. Pode intercalar
pequenas tomadas com informações sobre esta praia.
1. Ribeira – Bairro antigo e histórico. É point da noite natalense.
Tem um projeto de revitalização do bairro que não deslancha. Há
projeto de ampliação do porto que irá destruir os prédios antigos.
1. Pastorador – Termo usado para lanterninha. Vem de pastorar, tomar
conta.
1. Puxavantes – o mesmo que puxões. Termo regional muito usado aqui em
Natal.
Em 04/12/07, Maurílio Eugênio <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> *Ficamos, pois, aguardando ansiosamente, Miss Cris - como diz aquele
> poet'arretado (seu admirador confesso) lá de Campina (sempre) Grande...*
> **
> *Falar em INPI - não é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial? -
> eu tenho uma história sobre um fato q aconteceu comigo entre Vitória e Vila
> Velha (ES) e Natal, ligado a essa instituição. Foi logo quando encerrei o
> período hippie e tentei arranjar um emprego.*
> *Depois de ler o seu caso gostaria de contar o meu e de como perdi (sem
> chorar sobre o leite derramado), em 1979, uma grande oportunidade de estar,
> hoje, muito bem economicamente.*
>
> *Valeu, Orf. É muita Hi(es)tória, êin!? Vc resenhou soberbamente a origem
> (gloriosa) do Cheravara.*
> *Em verdade não me lembro exatamente quem me contou isto sobre o Cheira
> Vara. Não lembro tampouco se foi Zezé Avelino. Sei que ouvi essa conversa
> por lá, na época. Acho q alguém, com bastante imaginação inventou a versão.
> Mas juro q não foi eu não.*
> *E assim é a história do Brasil...*
>
> *Ana Cristina Cavalcanti Tinôco <[EMAIL PROTECTED]>* escreveu:
>
> Muito bom pessoal. Esse é o Beco de verdade!!!
>
> Então essa história de contar uma história de contar duas... Ai eu digo:
> entrou pela perna de pato, entrou pela perna de pinto, sua mãe manda dizer
> que vc conte 5.
>
> Então eu vou contar uma no próximo intervalo do curso de Marcas e Patentes
> do INPI que está começando agora.
>
> Até daqui a pouco,
>
> Abs,
>
> Crys
>
>
> Em 03/12/07, Ørf <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> >
> > Mao Mao, menino endemoniado!
> >
> > Cheira Vara, famoso bar de arranjar galeto para viagem, situado no
> > Bairro Vila do Principe, lá no Caicó Grande não tem nada com Che
> > Guevara...Meu amigo Zezé Avelino(saudade do peixe que ele prepara!) lhe
> > contou uma para turista. Você, Maorrrílio Ógenio, sendo engrupido assim na
> > maior? pois é, lhe acharam com cara de alemão e lhe contaram uma patranha
> > para enfeitar o caso. O caso, o outro caso, o caso do Bar, deriva de cheira
> > vara meRmo, diziam que lá era o ambiente onde de tanto 'sequiço' implícito,o
> > cheiro reinante era de vara e de chanas. Como sei? morei em Caicó durante 18
> > anos, frequentei muito o Cheira Vara, lá descolava muito galeto para viagem,
> > meninotas - opa tudo de maior, que sou da limpeza - sertanejas cheias de
> > viço e de amor para dar. O melhor dia era a quarta-feira, como você ia nas
> > sextas, era sinal que você era tido e havido, além de consumido, como
> > alemão, estranja, d'outro mundo. Profissional não sái nas sextas, sexta é
> > dia de Maria do Salgadinho, de tomar chá de jurema, de beber água de pote
> > enterrado com pataca de prata velha dentro, enfim dia de trabalhos e mais
> > trabalhos...Se muito, na sexta, se os trabalhos se encerram cedo, toma-se
> > umas cervejas no Céu, com parede de arribaçã, bolinando as moças da - hoje
> > Finada - Edilza, fazendo hora para ir para o mercado, olhar a montagem da
> > feira e comer rim de marrã de ovelha, fresquinha fresquinha, ainda pingando
> > sangue, churrasqueada de leve numa trempe que Chico Ventania montava às
> > pressas para saciar a fome dos amigos. Você, Mao Mao, não conheceu Caicó,
> > conheceu, isso sim, o lado de fora. Se você tivesse conhecido Caicó, de
> > vera, ocê não contava uma patranha dessas de turistas...sabe do que me
> > lembrei? da historia do For All, parecida Mao Génio, parecida, lhe contaram
> > uma historia para fazer boi dormir e você caiu feito um patinho.
> >
> > receba meu abraço e meu afecto, Ógenio Mao.
> >
> > Orf das Itãs
> > ps. brigado pela historia do San Valle, não conhecia, vou acreditar,
> > incrivel esse povo aqui né?Cê ainda não viu nada, dizem que mais vem por aí,
> > são tempos bárbaros -nada com o finado Everaldo nem com o prêmio - esses que
> > vivemos, Maurílio, sempre pode piorar, por isso e por muitas outras é que
> > estou fortemente inclinado a abraçar uma nova religião, uma que me prometa
> > tudo e não me cobre nada, conhece?
> >
> >
> >
> >
> > Em 03/12/07, Maurílio Eugênio <[EMAIL PROTECTED] > escreveu:
> > >
> > > .
>
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Crys