Morte do desenhista Henfil completa 20 anos 
  Um cartunista à frente do seu tempo. Assim era Henfil. Nesta sexta-feira (4) 
completaram-se 20 anos de morte do profissional que criou personagens que tinha 
características tipicamente brasileiras, como Fradim Baixim, Fradim Cumprido, 
Bode Francisco Orelana e Graúna.

  
Henfil teria 63 anos atualmente 
    Hemofílico, ele se tornou soropositivo numa transfusão de sangue depois de 
passar por uma cirurgia para a retirada de pedras no pâncreas. Henfil era 
cético, embora um de seus grandes amigos fosse o paranormal Thomas Green 
Morton. “Ele contou que estava no hospital se preparando para a operação quando 
Morton botou a mão sobre o corpo dele. Do nada surgiu uma pedra na mão do 
Morton”, conta Nilson, também cartunista, amigo e conterrâneo de Henfil, que 
era mineiro. 
  
A doença nunca abatia Henfil, pelo menos aparentemente. Nilson lembra que o 
amigo detestava ir ao médico e poucas vezes o viu tomando remédios para evitar 
problemas decorrentes da hemofilia.
  
Nilson morou com ele por mais de dois anos em São Paulo, onde os dois 
acompanharam a fundação do PT. Henfil teve participação ativa na política 
brasileira. Engajou-se na luta contra a ditadura militar, pela democratização 
do país e pelas Diretas Já. “Henfil era solidário, carinhoso, mas era um 
provocador”, define Nilson.
  
Tanto Nilson como Aroeira e Ique destacam o perfil criativo e analítico de 
Henfil e de seus trabalhos. Ique, chargista do Jornal do Brasil e da revista A 
Semana (Abril), fez sua monografia de final de curso baseada nos traços de 
Henfil. “Ele me influenciou profundamente, principalmente na maneira de pensar. 
A maioria dos profissionais não quer pensar, fica na comodidade de fazer o que 
foi dito para ser feito. O Henfil buscava uma solução diferente. Ele estava à 
frente daquele tempo. Tanto que muita coisa que ele criou foi aperfeiçoada ao 
longo dos anos. As soluções deles eram as mais simples e chegar à simplicidade 
é um longo caminho”.
  
A carreira de Henfil
  
Uma passagem rápida pela vida e carreira de Henrique de Souza Filho mostra que 
o mineiro de Ribeirão das Neves, irmão de Betinho e Francisco Mário, também 
hemofílicos, se especializou em ilustração e produção de histórias em 
quadrinhos no início dos anos 60. Colaborou para o Pasquim, através do qual 
lançou a revista “Os Fradinhos”. Fez caricatura política para o Diário de 
Minas, charges esportivas para o Jornal dos Sports, além de colaborações para 
as revistas Visão, Realidade, entre outras. 
  
Entre os livros que publicou estão “Henfil na China” e “Diário de um cucaracha”.
  
Henfil morreu no dia 04 de janeiro de 1988, aos 43 anos. Seus desenhos são, 
atualmente, republicados em O Globo.
  
Fonte: Comunique-se


       
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