Peço a ajuda dos confrades bequianos que tiverem o email de Petit das Virgens 
q enviem este texto a ele para q o revise.
  Estou procedendo assim com todos q são citados no livro para q possam 
corrigir ou acrescentar algum detalhe.
  No caso de Petit eu já envei 3 vezes, e volta. Acho que o imeio dele em minha 
agenda deve ter algum dígito errado, como tb o celular q não atende.
  Portanto peço q lhe enviem este txt para q possa ler e me enviar de volta com 
as devidas correções. 
  Agradeço antecipadamente.
   
  Como vcs sabem o livro q trata do Movimento Hippie em Natal, anos 60/70s - 
"classifica" os hippie em várias categorias, pois realmente foi um movimento 
vasto e variado. Existiu muitos tipos de hippies. No caso de Petit ele está 
inserido entre os "malucos" que curtiram a estrada fora do Brasil. Os outros 
são: Fon, OVNI (Luiz Rebouças), Ademar Cirilo Neto (Cirilão), Nestor  "Peruano" 
Vieira, Eduardo Holanda e o "Maguinho", Roberto de Oliveira Monte, o homem dos 
Dureitos Humanos e mentor, nessa área, do nosso querido Aluizio Mathias, o 
homem que deus guarda...
   
  É isto aí. Agora, tomem mais uma porção - inédita - do Que Papo é Esse?, 
título bolado, graciosamente, pelo meu amigo Claudio Damasceno, poeta, artista 
plástico e designer gráfico e que tb criou a nova capa da obra. A outra capa 
pertence a Sebo Vermelho Edições.
   
   
              O segundo Ripe a curtir abroad foi Edmo “Petit” Amorim das 
Virgens. Foi muito gentil e desprendido em não cobrar (royalities?) pela foto 
da primeira capa deste livro, a qual sairá, possivelmente, em uma segunda 
edição. Figuraço. Músico, jornalista profissional, poliglota. Professor de 
inglês de longo curso das escolas Yazige e da antiga SCBEU - o que fizeram com 
essa sociedade cultural foi uma das maiores sacanagens já acontecidas em solo 
potiguar e que relatarei brevemente em um livro que estou escrevendo sobre os 
chamados crimes de colarinho branco.
              Petit excursiona em várias vertentes na cultura local. Fez várias 
viagens. Foi o maluco natalense (maluco, neste caso, é um estado de espírito 
saudável, não um estado mental patológico) que mais viagens internacionais fez; 
não só aos EUA como a vários países da América do Sul e Central. Em uma delas 
pegou carona de avião. É mole?
              Seguinte: no início dos anos setentas o Governo do Estado comprou 
um avião a uma fábrica dos EEUU. A primeira revisão do aparelho teria que ser 
feita na própria fábrica na cidade de San Antonio, Estado do Texas. Pois bem, 
nosso Petit, que de ‘pequenininho’ só tem mesmo a estatura corpórea, pediu 
carona ao comandante Graco Magalhães, piloto oficial do governo, incumbido de 
conduzir o avião à primeira revisão. Então, ele, mais o jornalista Dermi 
Azevedo se mandaram nessa aventura. Pegaram carona até o Estado da Flórida, 
percorrendo a seguinte rota: Natal, Fortaleza, Belém, Cayena, Trinidad Tobago; 
South Caicos e Saint Thomas, nas Ilhas Virgens; finalmente Miami, onde eles 
desceram, o avião a seguir para o Texas.   
              Carona de avião é uma onda, pois sim. Daí para frente, polegares 
em riste, caronas e mais caronas subindo para Nova Iorque.     
              Esta foi sua segunda viagem. O ano, 1973. Depois de Nova Iorque, 
pés para que te quero...
              A primeira viagem foi juntamente com Afonso (Fon) Luiz Medeiros 
dos Santos em 1971, após terem se graduado em língua inglesa pela SCBEU. 
Fizeram o seguinte percurso by plane: Natal/Fortaleza/Teresina/Belém/Miami - 
aí, polegar em riste, carona again, curtindo a mítica da estrada - far away 
from home - subindo pelos Estados da Georgia/Tenessee/Kentuck/Ohio/Indiana; 
voltando pelo Texas, formando uma espécie de triângulo; descendo então pelo 
Mississipi via New Orleans onde assistiram o famoso Mardi Grass, que é o 
carnaval americano daquela região. Tudo isso de carona. 
              Petit conta que a época era pós-festival de Woodstock e havia 
como que uma febre: todo mundo queria ser hippie nos Estados Unidos. A palavra 
de ordem era dar carona. Os motoristas até ofereciam caronas. Havia abundância 
de caronas, enfim.    
              Quando viajavam para Nova Orleans pegaram uma van cujo motorista 
parava para todos os malucos que encontrava pela estrada. Petit conta ainda que 
quando embarcaram, já no rumo de New Orleans, havia o motorista, um outro 
maluco, mais ele e Fon. Como estavam fatigados Petit lembra que logo em 
seguida, as autopistas muito macias, adormeceu. Ao despertar, no interior da 
Kombi já se encontravam 13 Ripes. Petit então, ainda meio tonto de sono começa 
a falar em português...  Só após alguns minutos é que ele se refaz e acorda, 
mesmo. Depois ele se justifica em inglês impecável. Afonso deu altas 
gargalhadas e aí todo mundo riu. Uma viagem, galera!
   
              A terceira aventura foi “barra” pois pela América do Sul no ano 
de 1976, auge das ditaduras militares em todo o continente. Durante passagem 
pela Argentina, em meio ao golpe contra Isabelita Perón, Petit, desta feita 
tendo o amigo Domingos Batista Guará como companheiro na aventura, foram 
confundidos com guerrilheiros na província de Corrientes. Detidos, depois de 
esclarecido o engano, liberados - obviamente tiveram também que “liberar” 
alguma grana.
              No lugarejo por nome Salto nova confusão: uma mulher do povo, 
talvez até pela diferença das línguas, ao ser indagada por informações, 
aconselhou a Petit e Guará: “... se vocês procuram por uma guerrilha, la mejor 
es en Mendonza!” Lá sim, existia uma. E das boas. 
              Pois sim, confundiu-os com guerrilheiros, à época, abundantes na 
região.
   
              Edmo ‘Petit’ Amorim das Virgens é casado há mais de 15 anos com 
Margarete ‘Margot’ Ferreira Pinto, também jornalista e âncora do principal 
telejornal da TV Globo local. Os dois possuem tremendo espírito aventureiro. 
              Após a fase hippie, Petit, já casado com Margot, fazem juntos 
mais três viagens incríveis. A primeira, em 1992 - vejam que coragem - viajam 
8.000 quilômetros em um Fiat 127 (menor que o 147), através da Espanha e 
Portugal. Dois anos depois viajam 10.000 quilômetros percorrendo várias regiões 
dos Estados Unidos, também motorizados.
              Em 1997, nova viajem, também com Margot. Saem de Natal em um 
carrinho BR 800 Gurgel até Buenos Aires. Desta vez 13.000 quilômetros. 
Admiráveis, não? Coragem pra dar e vender.
   
              Longa vida, portanto, a Petit, esse little big man potiguar, pelo 
“maluco” que foi e pelo estilo de vida; rico em experiência, simples, 
despojado, alegre e espirituoso, forjado nos ideais das décadas que antecederam 
o sonho de Aquários, tornando as utopias, realidade.

       
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