Boris Vian tem livro soberbo: Cuspirei no seu túmulo, figura aqui nas minhas modestas estantezinhas de livros, entre 'Do Assassinato como uma das bela artes', do Thomas de Quincey e 'Abraçado ao meu rancor', do João Antônio.
Gide tem um livro, acho que 'Nossa Senhora das Flores', onde ele narra que para ter um pouco de individualidade na cadeia, ele tinha que soltar um flato(peidar melhor dizendo) e ficar coberto da cabeça aos pés, sorvendo em largas respiradas os próprios gases, único momento onde era possível se sentir 'individuo'... Vai ver que é por isso que na França estão proibindo cigarros... Outro lá no meu passado dizia que 'Fumar era sucedãneo de suspirar, quem não fuma, parece que não tem vida interior, não suspira...' 'Omenos' uma vantagem sobra para mim, fumante, sobrarão mais gitanes e gauloises, meus prediletos, no mercado mundial, já que na própria pátria desses soberbos cigarros, o consumo tenderá a cair. e por último: em lauto jantar sexta passada, com big family e vários agregados (genros e noras do meu povo, maioria de estrangeiros), muitos mascavam uma coisa parecida com fumo de mascar daqui da gente, só que chique e sofisticada, em belissimas embalagens, provei alguns, sabores bons e nicotina brabissima, o efeito é o mesmo que fumar 3 cigarros de uma só assentada. É a escapatória deles que não podem mais fumar em muitos países da Europa, ficam mascando e ruminando... Oswaldo Em 09/01/08, augustolula <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > > RUY CASTRO > Os vilões de sempre > RIO DE JANEIRO - Os vários Andrés (Gide, Breton, Malraux, Bazin), Jacques > Prévert, Sartre, Camus, Boris Vian, Genêt, Merleau-Ponty, Truffaut e demais > franceses que fizeram a cabeça do século 20 a partir de uma mesa de café em > Paris e de um cigarro na boca seriam, hoje, inviáveis. Se vivessem em 2008, > e quisessem continuar filosofando, poderiam tudo, menos fumar. > Em sua época, havia um forte aroma de contravenção no surrealismo, no > realismo poético, no existencialismo, na fenomenologia, na Nouvelle Vague e > nas outras disciplinas que ficamos devendo a esses homens. E, embora não > existisse nenhuma relação, todos fumavam como se fosse para salvar a vida. > Mas teria sido a mesma coisa se, entre um "pourquoi" e um "parce que", em > vez do onipresente Gauloise, eles mascassem chicletes ou chupassem jujubas? > A proibição de fumar em lugares fechados na França, a valer desde o > primeiro dia do ano, é uma saudável vitória da campanha antitabagista, > porque os franceses, de fato, fumam demais -com o mesmo fanatismo com que os > americanos comem batata frita com ketchup e os brasileiros bebem cerveja. > Na Inglaterra, por sua vez, o primeiro-ministro Gordon Brown anunciou no > mesmo dia que os fumantes britânicos poderão ter "dificuldade de acesso ao > sistema nacional de saúde". A idéia é a de que quem não fuma não é obrigado > a financiar com seus impostos o tratamento das mazelas de quem fuma. > Dito assim, faz sentido. Mas esse mesmo fumante, e que também paga > impostos, será obrigado a financiar o tratamento das mazelas de quem se > entope de fast food? Ou de quem bebe demais ou de quem usa outras drogas? No > entanto, Brown não se lembrou de ameaçar os usuários de cheeseburgers, > conhaque ou cocaína. Sobrou apenas para os fumantes, os vilões de sempre > > > -- ÿØÿà Oswald'Ørf
